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Europa: verão escaldante aquece Mediterrâneo; que tempo traz setembro?

Um residente caminha por uma rua inundada em Lora del Rio, no sul de Espanha, na quinta-feira, 9 de dezembro de 2010.
Um morador percorre uma rua inundada em Lora del Río, sul de Espanha, quinta‑feira, 9 de dezembro de 2010. Direitos de autor  Copyright 2010 AP. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2010 AP. All rights reserved.
De Liam Gilliver
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Meteorologistas alertam que partes da Europa entram agora na “época das cheias súbitas”, após um verão escaldante.

O verão escaldante da Europa foi uma “sombria ilustração” das alterações climáticas provocadas pelo homem.

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Foi isso que a Comissão Europeia afirmou em junho, numa altura em que grande parte do continente já ardia sob a terceira vaga de calor do ano.

Julho e agosto trouxeram pouco alívio, acompanhados de um calor extremo que, segundo os cientistas, teria sido “praticamente impossível” sem a queima de combustíveis fósseis.

Temperaturas abrasadoras e escassa precipitação lançaram vastas áreas da Europa na seca, abrindo caminho a incêndios mortais que devastaram Espanha, Portugal, França, Grécia e a Turquia – queimando milhares de hectares e desencadeando a maior operação de evacuação desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas, com setembro à porta, estará a chegar finalmente alguma frescura?

Europa: previsão meteorológica para setembro

Dados da plataforma global de previsão meteorológica WFY24 (fonte em inglês) indicam que a primeira semana de setembro continuará quente em todo o Mediterrâneo, com máximas diárias a rondar os 35 ºC em Roma, 34 ºC em Atenas e 33 ºC em Madrid.

Isto representa cerca de 6 a 8 ºC acima da média sazonal para o início de setembro, o que sugere que os verões extremos da Europa começam a prolongar‑se.

Já o norte da Europa apresenta condições muito mais “frescas e instáveis”, com máximas de apenas 21 ºC em Berlim e 20 ºC em Londres. Chuvas intensas e trovoadas já quebraram o calor e aliviaram solos ressequidos em partes do Reino Unido, da Alemanha e de França.

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Mas o Mediterrâneo deverá registar o aumento mais acentuado da precipitação.

“Setembro e outubro são a época de cheias súbitas no Mediterrâneo: o mar atinge a temperatura máxima anual depois de três meses de aquecimento e chegam as primeiras depressões frias em altitude”, explica Ioanna Vergini, fundadora da WFY24, à Euronews Earth.

Esse contraste, acrescenta, alimenta o sistema meteorológico destrutivo conhecido em Espanha como DANA (Depresión Aislada en Niveles), uma depressão isolada em altitude ou ‘gota fria’.

“Foi isso que provocou as cheias mortais de Valência em outubro de 2024 e os episódios recorrentes em Génova”, acrescenta Vergini. “Um verão muito quente carrega o sistema, porque o mar é o combustível e passou o verão a acumular energia.”

Todos os anos, a precipitação em Valência sobe de uma média de 18 mm em agosto para 47 mm em setembro. O mesmo acontece em Palma (de 21 mm para 55 mm) e em Palermo (de 15 mm para 42 mm), enquanto cidades do norte da Europa como Berlim, Varsóvia e Estocolmo tendem a registar ligeiramente menos chuva em setembro do que em agosto. Estes valores baseiam‑se em médias sazonais normais e não numa previsão meteorológica.

Europa: El Niño vai atingir o continente em setembro?

A cobertura mediática do tempo é atualmente dominada pelo El Niño, que especialistas alertam poder ser este ano o “mais forte de que há memória”.

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) alerta que este fenómeno, que ocorre quando as temperaturas do mar no Pacífico oriental se tornam invulgarmente altas, continua a “intensificar‑se de forma constante” e deverá “dominar os padrões climáticos” nos próximos meses.

Os episódios de El Niño fazem subir as temperaturas globais, abrindo caminho a períodos mais frequentes de meteorologia extrema. Porém, estes efeitos sentem‑se sobretudo nas regiões tropicais.

A América do Sul, o sul dos Estados Unidos, o leste de África e a Ásia Central registaram riscos acrescidos de cheias em anteriores episódios de El Niño, enquanto a seca e o risco de incêndios aumentam em partes da Austrália, no norte da América do Sul e em alguns países asiáticos, como a Indonésia.

Apesar das notícias que relacionam o verão escaldante da Europa com o El Niño deste ano, os especialistas têm reiterado que a responsabilidade é das alterações climáticas.

“Este verão vivemos vagas de calor por toda a Europa que nos lembram os efeitos das alterações climáticas”, afirma o professor Stephen Belcher, diretor científico e tecnológico do Met Office do Reino Unido.

“Este forte El Niño lembra‑nos que as variações naturais do sistema climático também estão em jogo, somando‑se às pressões das alterações climáticas.”

Na Europa, os impactos do El Niño são bastante mais indiretos e tendem a ser menos severos.

Segundo o Met Office britânico, a influência do El Niño pode começar a aumentar a probabilidade de “condições mais húmidas e tempestuosas” no noroeste da Europa no próximo outono e no início do inverno.

A Comissão Europeia indica que um episódio de El Niño poderá também tornar as temperaturas de outono na Europa “mais quentes do que o normal”, com esse calor a prolongar‑se até à próxima primavera. Por isso, os cientistas receiam que 2027 se esteja a preparar para ser o ano mais quente alguma vez registado a nível mundial.

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