Loader
Encontra-nos
Publicidade

Ignorar vitória da AfD irrita ainda mais eleitores, alerta politólogo

A carregar o vídeo
Politólogo e especialista em política dos estados da antiga Alemanha de Leste, Nicolas Spohn, durante entrevista à Euronews em 8 de setembro de 2026
Politólogo e especialista em política dos estados da antiga Alemanha de Leste, Nicolas Spohn, durante uma entrevista à Euronews em 8 de setembro de 2026 Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Lauren Walker & Stefan Grobe
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

Governo do chanceler Merz tem de reconhecer a vitória da AfD de extrema-direita na Saxónia-Anhalt e o descontentamento que a permitiu, ou arrisca agravar a própria queda, alertou um especialista em política da ex-RDA

A forma como o chanceler Friedrich Merz e o seu governo de coligação responderem à histórica vitória do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt será decisiva para o futuro do governo federal, afirmou à Euronews o politólogo Nicolas Spohn.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Os resultados finais das eleições de domingo passado, naquele estado do leste da Alemanha, mostraram que a AfD obteve 43,8% dos votos, mais do dobro do resultado de há cinco anos, numa região com 2,1 milhões de habitantes. O partido de Merz, a União Democrata-Cristã (CDU), caiu para 17,2%.

“Antes de mais, trata-se de uma vitória verdadeiramente histórica para a AfD e de um autêntico terramoto para os restantes partidos”, afirmou Spohn, especialista na política dos estados da Alemanha de Leste.

A vitória deste partido pró-Kremlin e anti-imigração marca a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que um partido de extrema-direita fica tão perto de exercer o poder a nível regional.

Multiplicam-se as dúvidas sobre o que isto representa para a política nacional alemã. Thorsten Frei, líder da bancada da CDU no parlamento federal, o Bundestag, rejeitou que o resultado obtido pela CDU na Saxónia-Anhalt venha a ter consequências a nível nacional.

“Mas é precisamente isto que frustra as pessoas”, comentou Spohn, acrescentando que “ignorar avisos como os que saem de eleições como as da Saxónia-Anhalt pode dar ainda mais votos à AfD”.

Descontentamento dos eleitores

O incumprimento das promessas feitas antes das eleições de 2025, nomeadamente o compromisso de relançar a economia estagnada da Alemanha, fez cair a popularidade de Merz. Uma sondagem recente da YouGov indicou que apenas 16% dos alemães têm uma opinião favorável do chanceler.

“Estas eleições mostram que a CDU tem de corrigir o rumo político a nível nacional”, explicou o politólogo. “Muita gente está frustrada com o trabalho da CDU. O partido prometeu uma coisa e, depois das eleições, fez outra. A economia está pior do que antes das últimas legislativas.”

Reconheceu que alguns fatores escapam ao controlo da CDU, como as guerras em curso na Ucrânia e no Irão. “São questões sobre as quais o chanceler Merz pouco pode fazer, mas, ainda assim, os alemães sentem-nas no bolso.”

Este descontentamento é particularmente visível na Saxónia-Anhalt, onde a popularidade de Merz desceu para pouco mais de 9%. Spohn considera que este fator pesou mais no resultado eleitoral do que o apoio concreto às propostas da AfD.

“Não se trata de um apoio genuíno ao programa da AfD, mas sim à [ideia associada ao partido] de fazer tudo de maneira diferente.”

A Saxónia-Anhalt, cujo território fazia parte da República Democrática Alemã (Alemanha de Leste), registou a maior quebra demográfica de todos os estados alemães nos últimos 35 anos, perdendo um quarto dos habitantes desde a reunificação, em 1990. A situação é especialmente visível nas zonas rurais e entre os jovens, que sofrem com a falta de professores e com fracas perspetivas de carreira.

“O que quero dizer é que 40% dos eleitores não votam na AfD por causa das suas políticas de extrema-direita, mas apesar dessas políticas. As pessoas na Alemanha de Leste não são mais de direita; estão simplesmente mais frustradas.”

O partido chega agora às eleições regionais em Berlim e no estado oriental de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, que se realizam dentro de menos de duas semanas, com um forte embalo. A AfD lidera as sondagens de intenção de voto em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, com cerca de 35%.

Para inverter a tendência, defende Spohn, a CDU de Merz terá de oferecer aos eleitores uma perspetiva positiva. “Neste momento não existe essa visão positiva, e a AfD é o único partido a dar aos eleitores algum tipo de horizonte, assente na ideia de que ‘tudo é possível’. E, se tudo é possível, tudo também pode ser diferente.”

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Ucrânia em destaque no Europe Today: vitória da AfD aumenta pressão sobre Merz

Vitória da AfD expõe divisões na extrema-direita em França

Ignorar vitória da AfD irrita ainda mais eleitores, alerta politólogo