A Irlanda excluiu-se do concurso do próximo ano, invocando a “terrível e contínua perda de vidas em Gaza”. A decisão segue-se ao anúncio da AvroTros, que boicota o evento por já não ser compatível com “credibilidade, independência e humanidade”.
A Irlanda vai boicotar o Festival Eurovisão da Canção pelo segundo ano consecutivo, em protesto contra a participação de Israel, segundo a estação pública irlandesa RTÉ.
A RTÉ afirmou em comunicado: “A RTÉ considera que a participação da Irlanda não pode ser justificada, perante a terrível e contínua perda de vidas em Gaza e a crise humanitária que continua a pôr em risco a vida de tantos civis”.
A RTÉ acrescentou que permanece “profundamente preocupada com a contínua negação de acesso independente a jornalistas internacionais ao território”. Indicou ainda que não irá transmitir o concurso, que terá lugar na Bulgária em 2027, após a vitória da cantora Dara pelo país, em maio.
A Irlanda venceu o concurso sete vezes entre 1970 e 1996, partilhando o recorde com a Suécia.
O diretor da Eurovisão, Martin Green, disse lamentar a posição da RTÉ, mas afirmou que “respeita plenamente a decisão” da estação.
Em 2026, a RTÉ retirou-se do concurso em Viena, depois de a União Europeia de Radiodifusão ter confirmado que a estação pública israelita KAN poderia participar.
A decisão da Irlanda de boicotar a Eurovisão 2027 segue a da estação holandesa AvroTros, que anunciou no mês passado que iria boicotar o espetáculo do próximo ano, por já não ser compatível com “fiabilidade, independência e humanidade”. A estação afirmou que o concurso já não pode ser considerado neutro enquanto um país participante estiver envolvido num conflito militar de grande escala.
Irlanda e Países Baixos estiveram entre os cinco países que decidiram não participar na edição de 2026, juntamente com Espanha, Islândia e Eslovénia.
Resta saber se Espanha, Islândia e Eslovénia seguirão o mesmo caminho.
O Hamas lançou um ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023. O ministério da Saúde de Gaza reportou mais de 73 000 mortos nos últimos três anos de bombardeamentos israelitas. Organizações como a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e as Nações Unidas descreveram as ações de Israel como “genocídio”.
Um relatório publicado em junho por uma comissão independente da ONU concluiu que “as autoridades e forças de segurança israelitas têm visado deliberadamente crianças palestinianas, resultando em genocídio e crimes de atrocidade na Faixa de Gaza e crimes de guerra na Cisjordânia”.
Um relatório anterior, publicado em setembro, concluiu que Israel tinha cometido genocídio e afirmou que estes atos foram incitados por altos responsáveis israelitas, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Israel tem repetidamente classificado estas acusações como “difamatórias” e “deturpadas”.
O Festival Eurovisão da Canção 2027 realiza-se em Burgas, na Bulgária, com a grande final na Arena Burgas, em 15 de maio