Vilnius rejeita firmemente a iniciativa francesa para retirar Usmanov das sanções russas, disse o ministro das Finanças à Euronews, mas o receio de caducar a lista negra poderá levar à sua remoção apesar das fortes críticas
A Lituânia está “muito cética” quanto à retirada do magnata uzbeque-russo Alisher Usmanov da mais recente lista de sanções, afirmou o ministro das Finanças do país, Taurimas Valys.
A França pediu a retirada de Usmanov da lista na semana passada, no quadro de um pacote que poderá levar à libertação de dois cidadãos franceses detidos numa prisão no Azerbaijão. Paris invocou motivos de segurança nacional para se juntar à Eslováquia no apelo à remoção, mas responsáveis franceses têm recusado comentar ou fornecer mais detalhes.
“Em relação a qualquer flexibilização das sanções, estamos muito céticos”, disse Valys no programa de entrevistas da Euronews 12 Minutes With.
A posição francesa complicou os esforços para renovar as sanções da UE contra a Rússia, que exigem aprovação unânime dos 27 Estados-membros. O último pacote em discussão abrange quase 3 000 pessoas e entidades acusadas de apoiar a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.
Vilnius defende que não é o momento certo para aliviar a pressão sobre Moscovo. “A guerra ainda não acabou. Consideramos que qualquer esforço para reduzir as sanções antes de existir um acordo de paz pode ser visto pela Rússia como uma fraqueza da nossa parte.”
Valys sugeriu também que retirar o nome de Usmanov poderia dar a imagem de uma Europa dividida no apoio a Kiev. O oligarca foi alvo de sanções logo no início da guerra da Rússia contra a Ucrânia devido aos seus “laços estreitos” com o presidente russo, Vladimir Putin, e a interesses em “setores-chave” da economia russa que geram receitas “substanciais” para o Estado. Usmanov nega estas acusações.
“A Rússia deve compreender que estamos unidos”, afirmou Valys. “Vemos a Ucrânia como parte do nosso processo de alargamento. Qualquer tentativa de ocupar mais território ou causar mais danos à Ucrânia é totalmente inaceitável.”
Acrescentou que, na realidade, a Lituânia defende impor ainda mais sanções à Rússia.
Apesar de a maioria das capitais da UE alinhar com a posição de Vilnius sobre a retirada de nomes da lista de sanções, a presidência irlandesa, que ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE, propôs um compromisso para retirar Usmanov da lista, bem como Mikhail Fridman, outro empresário russo.
Em troca da retirada dos oligarcas, a proposta prevê uma renovação sem precedentes, por 36 meses, do regime de sanções, para evitar um impasse semelhante no futuro, disseram diplomatas à Euronews. A proposta está a ser analisada por diplomatas da UE em Bruxelas esta segunda-feira.
Aumenta a urgência de desbloquear o impasse em torno das sanções, já que a atual prorrogação de curto prazo das medidas (os representantes da UE adiaram na semana passada o prazo de caducidade por sete dias, depois de não terem conseguido chegar a acordo sobre uma renovação de seis meses) termina na terça-feira se não houver acordo.
Kiev também condenou com firmeza a tentativa de retirar Usmanov da lista. O presidente Volodymyr Zelenskyy e outros responsáveis ucranianos afirmaram que levantar estas restrições seria uma concessão inaceitável.