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Adeptos do Mundial veem anúncios de comida pouco saudável, álcool e jogo a cada sete segundos

Jogadores alinham-se na cerimónia pré-jogo antes da final do Mundial entre Espanha e Argentina, em East Rutherford, Nova Jérsia, domingo, 19 de julho de 2026
Os jogadores alinham-se durante a cerimónia pré-jogo antes da final do Mundial de futebol entre Espanha e Argentina, em East Rutherford, Nova Jérsia, 19 de julho 2026. Direitos de autor  AP Photo/Jacquelyn Martin
Direitos de autor AP Photo/Jacquelyn Martin
De Marta Iraola Iribarren
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Um novo estudo conclui que quase um quarto da transmissão em direto dos jogos do Mundial foi ocupado por publicidade a fast food, álcool e jogo

Acompanhou o Mundial de 2026 na televisão? Se sim, é provável que tenha visto um anúncio a comida pouco saudável, álcool ou jogos de azar a cada sete segundos, segundo um novo estudo.

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Mais de 93 000 anúncios a produtos potencialmente nocivos para a saúde humana foram transmitidos durante a cobertura do maior Mundial de futebol da FIFA de sempre. Cerca de seis mil milhões de pessoas acompanharam o torneio de 2026 através da televisão, streaming, plataformas digitais e redes sociais. Este tipo de publicidade esteve visível durante 39,3 horas de jogo em direto, quase um quarto de todo o tempo de emissão em direto do Mundial.

“Isto é particularmente preocupante, tendo em conta o vasto conjunto de provas que ligam a publicidade a produtos pouco saudáveis, álcool e jogos de azar a maior consumo e a vários tipos de danos para a saúde, sociais e financeiros, sobretudo entre crianças e jovens”, afirmou Raffaello Rossi, coautor do estudo da Universidade de Bristol.

Investigadores das universidades de Bristol e Oxford, no Reino Unido, analisaram as 172,6 horas de jogo em direto dos 104 encontros do torneio, recorrendo ao mais poderoso supercomputador britânico, o Isambard-AI, sediado em Bristol.

“Sendo um dos eventos desportivos mais vistos do mundo, que chega a milhares de milhões de pessoas, o Mundial da FIFA deste ano ofereceu uma plataforma sem paralelo para a publicidade”, acrescentou Rossi.

A análise contabilizou apenas a publicidade integrada na transmissão em direto dos jogos, como a que surge nos painéis publicitários, o que significa que os espectadores não podiam evitá-la enquanto acompanhavam a partida.

Em média, os espectadores viram nove logótipos de marcas associadas a riscos para a saúde ou para a situação financeira por minuto de jogo em direto.

Quais são os principais produtos anunciados

Embora todos os anúncios identificados estivessem ligados a produtos com potencial para prejudicar a saúde humana, nem todos ocuparam o mesmo espaço durante os jogos.

As marcas de alimentos e bebidas pouco saudáveis representaram mais de sete em cada dez aparições, num total de 65 722. No conjunto, estiveram visíveis durante 28,1 horas, o equivalente a 16,3% de todo o tempo de jogo em direto. Os investigadores assinalam que este dado é particularmente preocupante, uma vez que os regimes alimentares pouco saudáveis são um dos principais fatores evitáveis de doenças não transmissíveis, como doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, cancro e diabetes.

“Estamos a enfrentar uma crise global de obesidade infantil e de doenças relacionadas com a alimentação, e mesmo assim o maior evento desportivo do mundo está saturado de marketing de comida e bebidas pouco saudáveis”, afirmou Elisa Becker, coautora do estudo da Universidade de Oxford.

“O desporto devia fazer parte da solução para os problemas de saúde, e não ser uma das plataformas de publicidade mais poderosas do mundo para os produtos que os alimentam.”

Os mercados de previsão foram a segunda maior categoria, com 9 360 logótipos e 8,8 horas de presença no ecrã, seguidos pelo álcool, com 9 266 logótipos e 8,2 horas de tempo de antena, e pelos jogos de azar, com 6 429 logótipos e 4,2 horas.

O consumo de álcool é outra das principais causas de doenças não transmissíveis, enquanto os jogos de azar podem provocar vários tipos de danos, financeiros, físicos, emocionais ou sociais, lembram os autores.

Embora não existam dados específicos sobre o alcance global, o estudo analisou 53 transmissões no Reino Unido e concluiu que a publicidade a bens nocivos gerou cerca de 267 mil milhões de impressões.

Segundo os investigadores, o estudo mostra como o torneio funcionou como uma “plataforma poderosa para promover produtos associados a algumas das principais causas de doenças e danos evitáveis em todo o mundo”.

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