Letónia trava à última hora tentativa francesa de retirar o empresário uzbeque-russo Alisher Usmanov da lista de sanções.
A Letónia opôs-se à retirada do empresário uzbeque-russo Alisher Usmanov da lista de sanções da União Europeia, bloqueando um acordo de compromisso apoiado pela França.
“Enquanto a Rússia continuar a guerra, a pressão da Europa tem de ficar mais forte, não mais cómoda para o Kremlin”, afirmou o primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs,num vídeodivulgado na segunda-feira, pouco antes da meia-noite.
França ligou a retirada de Usmanov à libertação de dois cidadãos franceses atualmente detidos no Azerbaijão, o que irritou outros Estados-membros. O Uzbequistão, país onde Usmanov nasceu, terá facilitado o acordo.
Eslováquia também exigiu a retirada de Usmanov, embora por motivos diferentes.
Para tentar pôr fim ao impasse que já dura uma semana, a Irlanda, país que detém a presidência do Conselho da UE, propôs na segunda-feira um compromisso que retiraria Usmanov e outro empresário, Mikhail Fridman, da lista de sanções, mas prolongaria todo o regime por um período sem precedentes de 36 meses, para evitar vetos indesejáveis.
Os Estados-membros manifestaram apoio ao compromisso, embora muitos diplomatas reconhecessem que era difícil de aceitar. À medida que as negociações decorriam na segunda-feira, responsáveis ucranianos recorreram às redes sociais para expressar o seu desagrado e oposição.
A Letónia foi o único país que não deu luz verde, impedindo a unanimidade necessária. Os representantes voltaram a reunir-se na manhã de terça-feira para continuar as conversações.
As sanções têm de ser renovadas até ao final do dia. Caso contrário, toda a lista de 2 600 nomes, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, deixará de vigorar.
No vídeo, Kulbergs afirmou que o país iria trabalhar com Bruxelas e Paris para encontrar uma “solução adequada para os interesses da Letónia”.
“Prolongar as sanções por 36 meses seria o passo correto. No entanto, o preço não pode ser simplesmente retirar ambas as pessoas da lista de sanções”, disse.
“A Letónia não pode aceitar essa oferta.”
O primeiro-ministro adiantou que convocaria uma reunião de emergência do seu governo na terça-feira para discutir a questão polémica. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Baiba Braže, afirmou que “outros países”, numa referência à França, deveriam ser convidados a explicar as suas posições.
A Letónia, em conjunto com os outros dois países bálticos, a Lituânia e a Estónia, tem defendido há muito tempo uma estratégia de pressão máxima sobre a Rússia. O país prepara-se para ir às urnas no próximo mês, em eleições legislativas.