Loader
Encontra-nos
Publicidade

Delcy Rodríguez anuncia eleições na Venezuela sem marcar data: “O povo decidirá o momento”

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, discursa na 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU em 23 de setembro de 2026
Delcy Rodríguez, presidente em funções da Venezuela, dirige-se à 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU a 23 de setembro de 2026 -  Direitos de autor  Foto AP/Frank Franklin II
Direitos de autor Foto AP/Frank Franklin II
De Christina Thykjaer com AP
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, assegurou perante a Assembleia-Geral da ONU que o país vai realizar eleições, embora sem fixar uma data. Defendeu também o diálogo com sectores da oposição e a aproximação aos Estados Unidos.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu esta quarta-feira perante a Assembleia Geral das Nações Unidas que haverá eleições no país, embora tenha evitado fixar uma data e tenha garantido que serão os próprios venezuelanos a determinar o “momento adequado” para as convocar.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

“Quero dizê-lo com muita clareza perante esta Assembleia Geral: na Venezuela haverá eleições”, afirmou Rodríguez durante a primeira intervenção na ONU desde que assumiu o poder.

A dirigente venezuelana assegurou ainda que o seu governo iniciou um “diálogo político com sectores da oposição” com o objetivo, explicou, de alcançar um processo eleitoral “em igualdade de condições para todos”.

Rodríguez defendeu que caberá ao povo venezuelano determinar quando deve arrancar esse processo e garantiu que, quando chegar o momento, as instituições do país estarão preparadas para “garantir um processo inclusivo e transparente”.

A intervenção acontece meses após a mudança política que abalou a Venezuela no início do ano. Rodríguez assumiu o poder depois de uma operação militar dos Estados Unidos ter capturado, em janeiro, Nicolás Maduro, que foi transferido para os Estados Unidos para enfrentar acusações relacionadas com o narcotráfico.

Maduro permanece detido a poucos quilómetros da sede das Nações Unidas em Nova Iorque enquanto aguarda julgamento. A presença de Rodríguez representa ainda a primeira viagem aos Estados Unidos de um chefe de Estado venezuelano desde 2018, quando o próprio Maduro viajou a Nova Iorque para participar na Assembleia Geral.

Delcy Rodríguez: “A Venezuela está a renascer”

As eleições não foram o único tema abordado por Rodríguez. A dirigente apresentou a participação nas Nações Unidas como um passo para a reintegração da Venezuela na diplomacia internacional e defendeu a retoma das relações diplomáticas com os Estados Unidos.

Rodríguez recordou que a última reunião entre presidentes da Venezuela e dos Estados Unidos ocorreu em 2009 e garantiu que o país tenta recuperar-se dos graves acontecimentos de 2026. Entre eles, mencionou a crise política que levou à captura de Maduro e os dois fortes terramotos que atingiram o centro-norte da Venezuela a 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5, que causaram milhares de mortos e uma extensa devastação.

“Venho falar de uma Venezuela cuja vida nacional foi afetada por uma crise de convivência política que alterou a vida da nação e a nossa interação com o mundo”, afirmou Rodríguez. A presidente interina agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, a disponibilidade para retomar as relações diplomáticas e a cooperação entre Washington e Caracas.

“Estamos a trabalhar seriamente para resolver as diferenças existentes através do diálogo”, assegurou, antes de apontar como prioridades a cooperação energética e económica, a segurança e o combate conjunto ao crime transnacional. “Hoje a Venezuela está a renascer”, proclamou.

Trump e Rodríguez aproximam-se

Desde que assumiu o poder, Rodríguez desenvolveu uma relação de trabalho com a Administração Trump, num contexto de crescente aproximação entre Washington e Caracas. Os Estados Unidos levantaram em abril as sanções que pesavam sobre Rodríguez, uma das decisões tomadas por Washington nos últimos meses no quadro da nova relação com as autoridades venezuelanas.

Rodríguez reconheceu perante as Nações Unidas que a recuperação do país não será imediata. “Não posso prometer um caminho fácil”, advertiu na intervenção, em que salientou que a recuperação venezuelana precisará de tempo. “Reconstruir a alma nacional será a nossa prioridade”, afirmou. “Caminharemos unidos como uma só nação que, depois da dor, escolheu a esperança”.

Trump e Delcy Rodríguez fazem primeira reunião frente a frente

A intervenção nas Nações Unidas ocorreu depois de Trump e Rodríguez terem mantido o primeiro encontro presencial desde a operação norte-americana que capturou Maduro e deixou a então vice-presidente à frente do país. Os dois dirigentes reuniram-se na terça-feira, durante uma receção organizada por Trump num hotel de Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral.

“Conversámos sobre o reforço da relação bilateral entre os nossos países e o avanço de uma agenda de cooperação em áreas estratégicas como energia, mineração e segurança”, explicou posteriormente Rodríguez na rede X. O encontro aconteceu depois de Washington e Caracas terem anunciado no mês passado um acordo relacionado com as enormes reservas petrolíferas venezuelanas, apresentado por Rodríguez como uma via para modernizar a indústria energética e impulsionar a recuperação económica.

Perante os líderes reunidos em Nova Iorque, Rodríguez garantiu que assume a “responsabilidade histórica” de conduzir a Venezuela de um período de incerteza e conflito para “uma etapa de plena democracia”, reconhecida tanto pelos venezuelanos como pela comunidade internacional. “A Venezuela quer respirar livremente e exercer os seus direitos como nação soberana, sem qualquer tipo de interferência”, concluiu.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

FBI captura na Venezuela o último fugitivo da sua lista dos 10 mais procurados

Delcy Rodríguez anuncia eleições na Venezuela sem marcar data: “O povo decidirá o momento”

Venezuela impede regresso de María Corina Machado: “É um desterro de facto”