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Exportações de petróleo do Médio Oriente aumentam com tráfego de GNL pelo Estreito de Ormuz a ganhar impulso

Navios de carga estão fundeados no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, no Irão, a 28 de setembro de 2026.
Navios de carga encontram-se fundeados no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, em 28 de setembro de 2026. -  Direitos de autor  AP PhotoAmirhosein Khorgooi/ISNA via AP
Direitos de autor AP PhotoAmirhosein Khorgooi/ISNA via AP
De Mohamed Elashi
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Passados vários meses desde o início da guerra com o Irão, os exportadores do Golfo estão a encontrar formas de manter o fluxo de petróleo e gás, mas atravessar o Estreito de Ormuz continua a ser arriscado e alguns clientes continuam sem receber as cargas contratadas.

As exportações de petróleo bruto do Médio Oriente aumentaram em setembro, atingindo o seu nível mensal mais elevado desde o início da guerra no Irão, há sete meses.

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Dados preliminares da Kpler situam as exportações regionais em 16,3 milhões de barris por dia. Este valor ainda se situava cerca de 3,2 milhões de barris por dia abaixo dos 19,5 milhões registados em fevereiro.

A Arábia Saudita foi responsável por grande parte do aumento, tendo mais do que duplicado as suas exportações, de 2,45 milhões de barris por dia em agosto para cerca de 5,4 milhões em setembro.

Previa-se que os fluxos através do Estreito de Ormuz atingissem cerca de 9,7 milhões de barris por dia, uma vez que a Arábia Saudita enviou crude adicional a partir dos seus terminais no Golfo, após ataques terem danificado o seu oleoduto Este-Oeste para o Mar Vermelho**. O total regional inclui também o petróleo expedido a partir de portos fora do estreito.**

Vários navios-tanque de GNL ligados ao Qatar também atravessaram o Estreito de Ormuz este mês, depois de não terem sido registadas travessias visíveis em agosto.

No entanto, as exportações normais ainda não foram retomadas e a QatarEnergy prolongou as suspensões de entrega para alguns clientes na Europa e na Ásia.

A Edison informou que recebeu um novo aviso da QatarEnergy a prorrogar a situação de força maior até ao início de dezembro. Mais seis cargas de GNL previstas para o terminal Adriatic LNG, em Itália, não serão entregues.

Com isto, o número de cargas não entregues desde abril ascende a 35. A Edison substituiu 23 delas, principalmente por gás proveniente dos Estados Unidos.

O contrato de 25 anos da Edison com a QatarEnergy prevê o fornecimento de 6,4 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano, o que equivale a cerca de 10% do consumo total de Itália.

Alguns clientes no Paquistão e no Bangladesh também foram informados de que as suspensões das entregas se manterão até novembro.

A força maior permite que uma empresa suspenda as suas obrigações contratuais quando acontecimentos fora do seu controlo a impedem de as cumprir.

A perturbação teve início após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, na salva inicial da guerra em curso, que reduziu drasticamente o tráfego através do Estreito de Ormuz, enquanto tanto os EUA como o Irão atacaram navios comerciais no estreito e nas suas imediações.

Este sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz e pôr fim aos combates no prazo de sete dias. A proposta tinha sido transmitida a Washington através de mediadores do Qatar, que continuam a pressionar para que se realizem negociações.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que nenhuma infraestrutura na região estaria segura a menos que a segurança do Irão fosse garantida, de acordo com a emissora estatal IRIB.

"Numa região onde o Irão não pode vender petróleo, mais ninguém o venderá", afirmou.

Que navios-tanque de GNL atravessaram o Estreito de Ormuz?

Dados de localização de navios da Kpler e da LSEG revelaram que o GasLog Skagen se encontrava ao largo do Sri Lanka no domingo, transportando GNL proveniente do terminal de Ras Laffan, no Qatar. A sua última localização no Golfo data de 20 de setembro.

O Al Ghashamiya entregou uma carga do Qatar na Índia na semana passada, enquanto o Shandong Redwood transportou GNL para o Paquistão. O Al Daayen saiu do Estreito de Ormuz com uma carga com destino à China.

Um navio-tanque vazio ligado ao Qatar, o Al Mafyar, também foi detetado a entrar no estreito a 22 de setembro.

O número total de travessias não é claro, uma vez que alguns navios desligam os seus sistemas de localização ao passarem pelo Estreito de Ormuz, tornando-os mais difíceis de localizar.

O Qatar exportou apenas 18 cargas de GNL durante os primeiros seis meses da guerra, em comparação com 509 no mesmo período do ano anterior, de acordo com a empresa de dados ICIS.

Todos os petroleiros de GNL que partem do Qatar têm de passar pelo Estreito de Ormuz, uma vez que o país não dispõe de nenhuma rota alternativa de exportação.

O ministro da Energia do Qatar, Saad Sherida Al-Kaabi, afirmou na semana passada que a construção de um gasoduto à volta do estreito não faria sentido do ponto de vista económico. Tal rota exigiria uma nova instalação fora do Qatar para transformar o gás canalizado em GNL antes de este poder ser carregado nos navios-tanque.

Os ataques a Ras Laffan danificaram duas unidades de produção de GNL, reduzindo a capacidade de produção do Qatar em cerca de 17%. Al-Kaabi afirmou que as reparações demorariam cerca de três anos, mas que as 12 unidades não danificadas do país poderiam regressar ao funcionamento normal em poucas semanas, assim que os navios pudessem passar pelo Estreito de Ormuz com segurança e regularidade.

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