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Estratégia da BMW: cortes de empregos, IA e aposta de 2 mil milhões de euros no “Made in Germany”

Arquivo – Um BMW M350 xDrive na fábrica da BMW em Dingolfing, em setembro de 2026.
Arquivo – Um BMW M350 xDrive na fábrica da BMW em Dingolfing, em setembro de 2026. -  Direitos de autor  BMW Group
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De Doloresz Katanich
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Construtor automóvel premium alemão BMW Group vai investir cerca de 2 mil milhões de euros na produção de veículos e baterias na Alemanha, ao apresentar planos para recuperar a rentabilidade

As ações da BMW subiram mais de 3% na tarde de quarta-feira na Europa, numa altura em que os investidores avaliavam os mais recentes planos de recuperação do construtor alemão, apresentados a investidores e analistas no evento de dois dias dedicado aos mercados de capitais, o Capital Market Day, realizado na terça e na quarta-feira.

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A evolução surge numa fase em que os construtores alemães tentam recuperar a rentabilidade, num contexto de custos da transição para os veículos elétricos, perturbações nas cadeias de abastecimento, preços elevados da energia e forte concorrência de rivais chineses.

A BMW quer melhorar a rentabilidade simplificando a gama de modelos, encurtando os tempos de desenvolvimento e reforçando a colaboração com os fornecedores.

O grupo delineou também planos para reduzir em 20% o número de divisões e de cargos de gestão associados até meados de 2027, no âmbito de uma reestruturação mais ampla. A empresa pretende ainda diminuir o número de variantes de modelos e recorrer mais à inteligência artificial, incluindo em simulações de colisão e sistemas de assistência ao condutor.

O construtor aponta para elevar a margem operacional da atividade automóvel para entre 3% e 5% até 2028 e regressar ao seu objetivo de longo prazo de 8% a 10% no início da próxima década, sinalizando um processo de recuperação prolongado.

Alemanha: investimento de 2 mil milhões de euros na produção

Em paralelo, a BMW anunciou que vai investir cerca de 2 mil milhões de euros em unidades de produção na Alemanha, incluindo 1 mil milhões de euros numa fábrica de baterias.

“Estamos a investir na criação de valor, numa produção competitiva e na segurança do emprego na Alemanha”, afirmou o responsável pela produção da BMW, Raymond Wittmann, em comunicado.

Com este investimento, a fábrica de Munique, com mais de 100 anos, está a ser transformada para produzir apenas veículos elétricos a partir de 2027, incluindo o BMW i3. Em paralelo, as versões com motor de combustão e híbridas plug-in do BMW Série 3 serão produzidas em Dingolfing.

A BMW sublinhou que cerca de 760 locais de fornecedores abastecem as fábricas de Munique e Dingolfing com componentes e materiais. Mais de 70% destes locais de produção situam-se na Europa, mais de 30% na Alemanha.

A nova fábrica de baterias da marca em Irlbach-Straßkirchen, na Baviera, vai fornecer baterias de alta tensão para o BMW i3 elétrico a partir de outubro.

Segundo o comunicado da BMW, espera-se que a fábrica de baterias “reforce a criação de valor regional, garanta empregos qualificados e acrescente um local de futuro ao ecossistema industrial da Baixa Baviera”.

Wittmann acrescentou que a nova fábrica de baterias de alta tensão em Irlbach-Straßkirchen mostra como a empresa está a trazer de volta para a Alemanha tecnologia-chave dos veículos elétricos. Salientou que o sucesso industrial continuado do país depende de condições que apoiem o investimento, a inovação e a competitividade.

A fábrica da BMW em Steyr, na Áustria, vai produzir componentes essenciais de propulsão elétrica, bem como motores de combustão, para a nova gama Série 3.

A empresa produz mais de um milhão de veículos por ano nas suas fábricas alemãs, o que corresponde a um quarto dos automóveis produzidos no país.

A BMW segue também uma abordagem “local para local”, fabricando automóveis perto dos mercados que abastece. No âmbito dos planos para expandir a produção e o desenvolvimento locais na China, a fábrica de Shenyang vai produzir uma versão modificada do Série 3, adaptada aos compradores chineses.

No mercado chinês, a empresa está igualmente a reduzir a rede de concessionários e a utilizar mais componentes normalizados de origem local, o que poderá reduzir o custo dessas peças em 20% a 30%, segundo a consultora Bernstein.

Os planos de produção da BMW surgem numa altura em que a rentabilidade está sob pressão.

A BMW emitiu um aviso de lucros em junho. Em julho, acordou um programa de rescisões voluntárias que deverá reduzir a força de trabalho global em cerca de 8 000 pessoas, segundo a agência dpa, que cita fontes da empresa.

De acordo com uma análise da EY, o lucro operacional do grupo caiu 37%, para 3,64 mil milhões de euros, no primeiro semestre de 2026, enquanto as receitas recuaram 8%, a queda mais acentuada entre os 19 construtores analisados. As vendas de veículos da BMW na China recuaram 19%, anulando o crescimento de 6% na Europa e de 4% nos Estados Unidos.

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