Países da UE e a Comissão Europeia reúnem-se esta sexta-feira para discutir uma possível nova libertação de reservas de petróleo de emergência, sob pressão de Washington. O comissário da Energia, Dan Jørgensen, disse à Euronews que “é uma possibilidade”.
Países europeus reúnem-se na sexta-feira para discutir a libertação de reservas de emergência de combustíveis, numa altura em que a escalada dos preços do gasóleo aumenta a pressão sobre os governos e os Estados Unidos instam a Europa a agir.
Washington alertou os aliados europeus para libertarem mais reservas de gasóleo ou arriscarem uma proibição das exportações norte-americanas, afirmou um porta-voz da Comissão Europeia à Euronews.
As conversações surgem numa altura em que o mercado de gasóleo se aperta antes do inverno, fazendo subir os preços para os consumidores e alimentando receios quanto ao abastecimento.
O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen declarou à Euronews na quinta-feira que uma nova libertação de emergência “é uma possibilidade”.
“Estamos a discutir com todos os membros da Agência Internacional da Energia (IEA), não apenas com os Estados Unidos, qual é o momento certo para avançar com a libertação, porque esta é uma das opções de que dispomos”, afirmou o comissário dinamarquês.
“Já recorremos a este instrumento anteriormente e é provável que o voltemos a utilizar.”
A Irlanda, que detém atualmente a presidência rotativa do Conselho da UE, confirmou a reunião de sexta-feira.
Um porta-voz do Departamento do Clima, Energia e Ambiente da Irlanda afirmou que o mercado de gasóleo está “muito limitado”, o que se traduz em preços elevados para os consumidores em todo o mundo.
Segundo o mesmo responsável, a Irlanda está a coordenar-se com os países da UE e com a Comissão Europeia para “avaliar a situação” e “examinar medidas adequadas” para enfrentar os preços elevados.
As discussões envolverão também a Agência Internacional da Energia, que em março coordenou uma ação coletiva de apoio aos mercados de petróleo na sequência de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e do encerramento do Estreito de Ormuz.
O diretor da IEA, Fatih Birol, também instou os países europeus a utilizarem as suas reservas de gasóleo.
Essas reservas não voltaram a ser utilizadas desde a primeira libertação de emergência de petróleo pela agência, em março, quando 400 milhões de barris foram colocados no mercado.
França: Macron fala com Trump sobre crise energética
Face ao aumento da pressão, o presidente francês Emmanuel Macron manteve uma conversa telefónica durante a noite com o presidente norte-americano Donald Trump para discutir a situação energética global, segundo o Eliseu.
A presidência francesa indicou que os dois países partilham um “interesse comum” numa ação coordenada “sem restrições às exportações”.
Macron abordou ainda o tema com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
De acordo com o Eliseu, as conversações sublinharam “a necessidade de trabalhar em conjunto para combater a subida dos preços dos combustíveis” e “garantir a disponibilidade global de produtos refinados”.
Uma videoconferência dos líderes do G7, com a França na presidência, deverá realizar-se “logo que possível”.
“O objetivo é coordenar medidas que contribuam para aliviar a pressão sobre os preços e garantir o abastecimento de petróleo bruto e de produtos refinados, tanto entre os países do G7 como à escala global”, acrescentou o Eliseu.
“Estão igualmente em curso esforços de coordenação ao nível europeu.”
União Europeia discute libertação de reservas de emergência
Os países da UE reúnem-se na sexta-feira no quadro da mesa de acompanhamento e coordenação de crises da Comissão para a segurança energética.
Este fórum é utilizado para discussões técnicas sobre se as perturbações constituem uma ameaça ao abastecimento e que tipo de ação coordenada poderá ser necessária.
Uma fonte da UE adiantou que representantes de França, Alemanha, Irlanda e Reino Unido realizaram uma chamada com a Comissão Europeia em 1 de outubro.
Essa conversa parece ter antecedido a reunião técnica prevista para a manhã de sexta-feira.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou na quinta-feira a pressão sobre os países europeus, exortando-os a libertarem fornecimentos adicionais.
“Os nossos parceiros europeus devem acelerar a concretização dos compromissos já assumidos e disponibilizar de imediato fornecimentos suplementares para fazer face às perturbações em curso”, escreveu Bessent na plataforma X.
“Os agricultores, motoristas de pesados e empresas norte-americanas não devem ficar sozinhos a suportar o peso de uma escassez global de gasóleo. A América está a fazer a sua parte. Esperamos que os nossos aliados acompanhem os compromissos com ações concretas.”
Diplomatas da UE, que falaram sob condição de anonimato, descreveram o tom dos EUA como “duro”, afirmando que Washington não está a enviar “mensagens diplomáticas suaves”.
A administração Trump tem vindo a ponderar uma proibição de exportações de gasóleo por 90 dias, num esforço para conter os preços dos combustíveis no país antes das eleições intercalares de novembro.