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União Europeia faz reunião de crise face à pressão dos EUA para libertar reservas de petróleo

Participação de Dan Jørgensen, comissário europeu, no evento de alto nível de assinatura da Estratégia para a Digitalização e IA na energia, 3 de junho
Comissário europeu Dan Jørgensen participa em evento de alto nível de assinatura da Estratégia para a Digitalização e IA na energia, 3 de junho -  Direitos de autor  Producer : CE - Service audiovisuel Photographer : Claudio Centonze
Direitos de autor Producer : CE - Service audiovisuel Photographer : Claudio Centonze
De Marta Pacheco
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Países da UE e a Comissão Europeia reúnem-se esta sexta-feira para discutir uma possível nova libertação de reservas de petróleo de emergência, sob pressão de Washington. O comissário da Energia, Dan Jørgensen, disse à Euronews que “é uma possibilidade”.

Países europeus reúnem-se na sexta-feira para discutir a libertação de reservas de emergência de combustíveis, numa altura em que a escalada dos preços do gasóleo aumenta a pressão sobre os governos e os Estados Unidos instam a Europa a agir.

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Washington alertou os aliados europeus para libertarem mais reservas de gasóleo ou arriscarem uma proibição das exportações norte-americanas, afirmou um porta-voz da Comissão Europeia à Euronews.

As conversações surgem numa altura em que o mercado de gasóleo se aperta antes do inverno, fazendo subir os preços para os consumidores e alimentando receios quanto ao abastecimento.

O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen declarou à Euronews na quinta-feira que uma nova libertação de emergência “é uma possibilidade”.

“Estamos a discutir com todos os membros da Agência Internacional da Energia (IEA), não apenas com os Estados Unidos, qual é o momento certo para avançar com a libertação, porque esta é uma das opções de que dispomos”, afirmou o comissário dinamarquês.

“Já recorremos a este instrumento anteriormente e é provável que o voltemos a utilizar.”

A Irlanda, que detém atualmente a presidência rotativa do Conselho da UE, confirmou a reunião de sexta-feira.

Um porta-voz do Departamento do Clima, Energia e Ambiente da Irlanda afirmou que o mercado de gasóleo está “muito limitado”, o que se traduz em preços elevados para os consumidores em todo o mundo.

Segundo o mesmo responsável, a Irlanda está a coordenar-se com os países da UE e com a Comissão Europeia para “avaliar a situação” e “examinar medidas adequadas” para enfrentar os preços elevados.

As discussões envolverão também a Agência Internacional da Energia, que em março coordenou uma ação coletiva de apoio aos mercados de petróleo na sequência de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e do encerramento do Estreito de Ormuz.

O diretor da IEA, Fatih Birol, também instou os países europeus a utilizarem as suas reservas de gasóleo.

Essas reservas não voltaram a ser utilizadas desde a primeira libertação de emergência de petróleo pela agência, em março, quando 400 milhões de barris foram colocados no mercado.

França: Macron fala com Trump sobre crise energética

Face ao aumento da pressão, o presidente francês Emmanuel Macron manteve uma conversa telefónica durante a noite com o presidente norte-americano Donald Trump para discutir a situação energética global, segundo o Eliseu.

A presidência francesa indicou que os dois países partilham um “interesse comum” numa ação coordenada “sem restrições às exportações”.

Macron abordou ainda o tema com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.

De acordo com o Eliseu, as conversações sublinharam “a necessidade de trabalhar em conjunto para combater a subida dos preços dos combustíveis” e “garantir a disponibilidade global de produtos refinados”.

Uma videoconferência dos líderes do G7, com a França na presidência, deverá realizar-se “logo que possível”.

“O objetivo é coordenar medidas que contribuam para aliviar a pressão sobre os preços e garantir o abastecimento de petróleo bruto e de produtos refinados, tanto entre os países do G7 como à escala global”, acrescentou o Eliseu.

“Estão igualmente em curso esforços de coordenação ao nível europeu.”

União Europeia discute libertação de reservas de emergência

Os países da UE reúnem-se na sexta-feira no quadro da mesa de acompanhamento e coordenação de crises da Comissão para a segurança energética.

Este fórum é utilizado para discussões técnicas sobre se as perturbações constituem uma ameaça ao abastecimento e que tipo de ação coordenada poderá ser necessária.

Uma fonte da UE adiantou que representantes de França, Alemanha, Irlanda e Reino Unido realizaram uma chamada com a Comissão Europeia em 1 de outubro.

Essa conversa parece ter antecedido a reunião técnica prevista para a manhã de sexta-feira.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou na quinta-feira a pressão sobre os países europeus, exortando-os a libertarem fornecimentos adicionais.

“Os nossos parceiros europeus devem acelerar a concretização dos compromissos já assumidos e disponibilizar de imediato fornecimentos suplementares para fazer face às perturbações em curso”, escreveu Bessent na plataforma X.

“Os agricultores, motoristas de pesados e empresas norte-americanas não devem ficar sozinhos a suportar o peso de uma escassez global de gasóleo. A América está a fazer a sua parte. Esperamos que os nossos aliados acompanhem os compromissos com ações concretas.”

Diplomatas da UE, que falaram sob condição de anonimato, descreveram o tom dos EUA como “duro”, afirmando que Washington não está a enviar “mensagens diplomáticas suaves”.

A administração Trump tem vindo a ponderar uma proibição de exportações de gasóleo por 90 dias, num esforço para conter os preços dos combustíveis no país antes das eleições intercalares de novembro.

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