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“Tenho confiança em Jordan”: após três dias de silêncio, Marine Le Pen volta a defender Bardella

Marine Le Pen e Jordan Bardella falam aos jornalistas após um encontro com o primeiro-ministro François Bayrou, antes da votação de uma moção de censura, em 2 setembro 2025
Marine Le Pen e Jordan Bardella falam aos jornalistas após encontro com o primeiro-ministro François Bayrou, antes da votação de uma moção de censura, em 2 de setembro de 2025 -  Direitos de autor  AP Photo/Thibault Camus
Direitos de autor AP Photo/Thibault Camus
De Alexander Kazakevich
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Após três dias de silêncio, a candidata do Rassemblement National às presidenciais francesas reage à divulgação, pelo Mediapart, de novos dados apresentados como “provas” de declarações antissemitas atribuídas ao presidente do partido.

Marine Le Pen quebrou finalmente o silêncio para renovar publicamente o apoio a Jordan Bardella, mergulhado na polémica após novas revelações sobre mensagens antissemitas e conspiracionistas que lhe são atribuídas.

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Três dias depois da publicação desta segunda vaga pelo site de jornalismo de investigação Mediapart, a candidata ao Eliseu garante, nas páginas de La Tribune Dimanche, ter “total confiança” naquele que é apontado para se tornar seu primeiro-ministro se vencer a eleição presidencial de 2027.

Le Pen já tinha defendido Bardella e rejeitado estas acusações após a sua publicação inicial, na segunda‑feira, pelo Mediapart. “Não vão convencer ninguém disso”, retorquiu, encerrando rapidamente o contacto com a imprensa. “Não é que não seja um assunto, (...) é uma loucura”, concluiu.

Segundo o Mediapart, que afirma ter mantido os erros de gramática e ortografia presentes nas mensagens originais, Bardella, então com 17 ou 18 anos, teria denunciado, numa conversa, a suposta vontade do “judeu” de “dominar” outros povos, de os “esmagar” e de os “roubar”, acrescentando que “um sionista é necessariamente judeu”. Também teria acusado vários ministros do quinquénio de François Hollande de serem “pessoas para quem Israel e o interesse bancário se sobrepõem aos interesses franceses”.

O artigo sublinha ainda a influência que Alain Soral, ideólogo de extrema-direita condenado repetidamente por incitação ao ódio racial, injúrias antissemitas, homofobia e negacionismo, teria exercido na construção política de Jordan Bardella.

As declarações, qualificadas pelo próprio como “falsificações grosseiras”, marcariam, segundo ele, “os primeiros sinais de uma guerra total” destinada a fazer descarrilar a campanha presidencial do RN. A resposta prossegue também no plano judicial, com o anúncio da apresentação de duas queixas: uma por difamação, outra por falsificação e uso de documento falso.

O segundo artigo do Mediapart pretende responder ao que o meio qualifica de “contestação violenta” do seu trabalho. “Jordan Bardella não se limitou a produzir textos antissemitas no início da sua carreira política. Também mentiu à França inteira, ao não assumir a paternidade dos seus próprios textos”, afirma o jornal online. Para sustentar as acusações, publica capturas de ecrã que fontes apresentadas como pertencentes ao círculo próximo de Bardella lhe teriam transmitido. O Mediapart afirma que estas mensagens, datadas de 2013, foram autenticadas pela Meta graças a uma extração de arquivos do Facebook.

Polémica sem efeito nas intenções de voto

Segundo uma investigação do Le Parisien, Marine Le Pen “não estaria necessariamente convencida da boa-fé do seu protegido”. O jornal diz ter entrevistado um membro da equipa de campanha da candidata do RN, segundo o qual “para ela é bastante provável que as trocas sejam reais. São as de um miúdo de 17 anos intoxicado por Soral, que hoje já não é o mesmo”.

Versão que contrasta com o breve comentário feito por Marine Le Pen em La Tribune Dimanche.

O semanário sublinha também que, segundo uma fonte na equipa de campanha, “estas polémicas não mexem com os 30% a 35% de intenções de voto a favor de Marine Le Pen”.

“Se o nosso eleitorado prestasse atenção ao que a imprensa diz sobre nós, estaríamos nos 2%”, remata.

Estas acusações contra Jordan Bardella surgem numa altura em que Marine Le Pen é creditada com 30% a 35% de intenções de voto na primeira volta das presidenciais, segundo as sondagens, à frente do antigo primeiro-ministro Édouard Philippe e de Jean-Luc Mélenchon, candidato de La France Insoumise, que disputam o segundo lugar.

De acordo com vários meios de comunicação, Marine Le Pen e Jordan Bardella devem aparecer juntos na terça‑feira, numa conferência de imprensa conjunta para apresentar um contraorçamento da candidata do RN, numa altura em que o governo apresentou a sua proposta na quinta‑feira.

O Journal du dimanche (JDD) questiona, citando um deputado do RN, a possibilidade de a polémica levar o partido a não apresentar uma moção de censura ao governo se este recorrer ao artigo 49.º, n.º 3, que permite a adoção de um texto sem votação, salvo se uma moção de censura obtiver maioria. O recurso a este instrumento constitucional é considerado provável por um especialista entrevistado pela Euronews.

“Mesmo que consideremos que Jordan é inocente dos factos que lhe são imputados, a polémica existe, queiramos ou não. Talvez não seja prudente acrescentar desordem a uma má imprensa”, escreve o JDD.

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