A jurista sul-africana viveu o Apartheid e foi Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos.
O Prémio Nobel da Paz de 2026 foi atribuído à sul-africana Navanethem Pillay, atual juíza do Tribunal Internacional de Justiça para o genocídio em Myanmar, antiga Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos (2008-2014) e juiza do Tribunal Penal Internacional (TPI), pelo papel fundamental que tem tido "na defesa dos Direitos Humanos e no papel de garantir que os crimes de guerra e genocídios são perseguidos".
A atribuição deste Nobel acontece numa altura em que Israel está cada vez mais debaixo dos projetores pela ofensiva em Gaza, sendo que Pillay foi presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestiniano Ocupado, que classificou as ações israelitas em Gaza como "genocídio" e é juiza do tribunal que emitiu um mandado de captura contra Benjamin Netanyahu.
Pillay foi ainda presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.
Nascida em Durban em 1941 numa família indiana de origem Tamil, Pillay lutou contra o apartheid e pelos ativistas presos, tendo conseguido para eles o direito a advogados, que até aí lhes era negado. Foi advogada de Nelson Mandela, tendo lutado pela sua libertação. Já como presidente, em 1995, Mandela nomeou-a juiza do Supremo Tribunal do país, sendo a primeira mulher não branca a ocupar esse cargo.
O anúncio do prémio foi feito esta sexta-feira de manhã pelo Comité Nobel da Noruega em Oslo e segue-se à polémica atribuição, no ano passado, à opositora venezuelana María Corina Machado, que depois o entregou a Donald Trump, dizendo que "ele o merecia", uma atitude amplamente condenada a nível internacional.
Os vencedores do Prémio Nobel da Paz desde 2000
2025 - María Corina Machado
2024 - Organização Nihon Hidankyo, do Japão
2023 - Ativista Narges Mohammadi, do Irão
2022 - Ativista Ales Bialiatski, da Bielorrússia, e organizações Memorial, da Rússia, e Centro de Liberdades Civis, da Ucrânia
2021 - Jornalistas Maria Ressa, das Filipinas, e Dmitry Muratov, da Rússia
2020 - Programa Alimentar Mundial (PAM)
2019 - Abiy Ahmed Ali (Etiópia)
2018 - Denis Mukwege (República Democrática do Congo) e Nadia Murad (Iraque)
2017 - Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN)
2016 - Juan Manuel Santos (Colômbia)
2015 - Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia
2014 - Malala Yousafzai (Paquistão) e Kailash Satyarthi (Índia)
2013 - Organização para a Interdição das Armas Químicas (OIAC)
2012 - União Europeia (UE)
2011 - Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iémen)
2010 - Liu Xiaobo (China)
2009 - Barack Obama (Estados Unidos)
2008 - Martti Ahtisaari (Finlândia)
2007 - Al Gore (Estados Unidos) e o painel das Nações Unidos sobre o clima (Grupo Intergovernamental de Especialistas em Evolução do Clima, GIEC)
2006 -- Muhammad Yunus (Bangladesh)
2005 - Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e o seu diretor Mohamed ElBaradei (Egito)
2004 - Wangari Muta Maathai (Nigéria)
2003 - Shirin Ebadi (Irão)
2002 - Jimmy Carter (Estados Unidos)
2001 - Organização das Nações Unidos (ONU) e o seu secretário-geral Kofi Annan (Gana)
2000 - Kim Dae-Jung (Coreia do Sul)