A Casa Branca apresenta os anúncios, alegadamente financiados com 20 milhões de dólares do Departamento de Segurança Interna, como mensagens de interesse público, mas suscitaram críticas de ambos os partidos
Uma juíza federal norte-americana ordenou à administração de Donald Trump que suspenda a difusão de anúncios televisivos, pagos com dinheiros públicos, que promovem o presidente, a poucas semanas das eleições intercalares de novembro.
A juíza do Tribunal de Distrito dos EUA Jennifer Rochon emitiu no domingo uma ordem de restrição temporária que impede a administração de produzir ou emitir os anúncios durante 14 dias. Segundo a imprensa norte-americana, a administração utilizou 20 milhões de dólares (17,7 milhões de euros) de verbas do Departamento de Segurança Interna para os financiar.
“Os requeridos não deverão celebrar, renovar ou ampliar qualquer acordo que autorize o desenvolvimento, criação, divulgação, colocação ou emissão dos anúncios impugnados”, afirmou Rochon na decisão judicial.
Os autores da ação, representados pela organização jurídica sem fins lucrativos Democracy Forward, sustentam que os anúncios “ultrapassam os fins autorizados pelo Congresso e violam as restrições à promoção e à propaganda”.
“Saudamos o facto de o tribunal ter atuado rapidamente para impedir que mais dinheiro dos contribuintes seja usado para uma propaganda política tão manifestamente ilegal”, referiram em comunicado.
A Casa Branca defende a despesa, descrevendo os anúncios como mensagens de interesse público.
O primeiro anúncio, emitido no final de setembro, tinha como banda sonora uma canção com o refrão “Love Me”, enquanto Trump proclamava: “Os Estados Unidos nunca serão um país comunista.” Outro mostrava imagens a preto e branco de Trump a caminhar por um corredor, enquanto alertava para uma “batalha final”, com a mensagem em ecrã: “Pago pelo Governo dos EUA”.
A campanha suscitou críticas em ambos os partidos. O senador democrata John Hickenlooper classificou os anúncios como “ilegais”, enquanto alguns dirigentes republicanos manifestaram reservas.
Trump, que não aparece nas listas mas está a fazer campanha para ajudar os republicanos a manter o controlo do Congresso, afirmou na semana passada que ele próprio e a sua campanha iriam pagar os anúncios. Mais tarde, a Casa Branca disse à AFP que a publicação “não se referia a qualquer reembolso”.