Com mais de 66% nas primárias, o eurodeputado Raphaël Glucksmann é escolhido candidato social-democrata às presidenciais francesas de 2027. Na rede X, garante que “uma esquerda fiel aos seus valores pode reunir, governar e vencer”.
Bastou um só turno. O eurodeputado Raphaël Glucksmann venceu as primárias do campo social-democrata francês, ao reunir 66,17 % dos votos na primeira volta de uma consulta que mobilizou 120 787 votantes, anunciaram os organizadores.
O líder do partido Place Publique ficou largamente à frente do líder do Partido Socialista, Olivier Faure, que conseguiu 14 % dos votos. Ségolène Royal, figura socialista e antiga candidata às presidenciais de 2007, que esperava surpreender, terminou em terceiro lugar, com menos de 8 % dos votos.
Os dois outros candidatos, Jérôme Guedj e Emmanuel Maurel, tiveram perto de 6 % cada.
Um resultado que “diz algo de poderoso”, segundo o vencedor, que saudou, no X, “uma esquerda fiel aos seus valores pode unir, governar e vencer”.
“Não estamos aqui para ganhar uma querela na esquerda. Estamos aqui para ganhar a eleição presidencial: virar a página do macronismo, travar a extrema-direita e mudar a vida”, acrescentou Raphaël Glucksmann.
A participação era um fator determinante nestas primárias e, com 86 %, esta corrente da esquerda espera agora criar uma dinâmica.
Afetadas por um ciberataque, que abrandou a votação, as primárias, iniciadas na manhã de sexta-feira, foram prolongadas até domingo, às 18 horas.
Em declarações à Euronews no segundo dia das primárias, Rachel Garrat-Valcarcel, jornalista política especialista em esquerda e autora da newsletter “Blocs & Partis”, considerava que uma taxa de participação de “pelo menos 80 %” seria necessária para que as primárias fossem consideradas um sucesso.
Outras forças políticas já estão bem lançadas na disputa, nomeadamente a extrema-direita com Marine Le Pen e a esquerda radical com Jean-Luc Mélenchon. Apesar de não ter sido convidado para as primárias, este último manteve-se no centro dos debates televisivos que antecederam a votação deste fim de semana, entre as discussões sobre uma aliança com a La France insoumise nas legislativas e os desacordos em torno de um eventual apoio ao candidato insoumis na segunda volta, caso o centro-esquerda não lá chegasse.