O ministro da Defesa polaco, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que a Europa tem de acelerar a produção de munições e armas para acompanhar o ritmo da Rússia, sob pena de se prejudicar.
O ministro da Defesa Nacional e vice-primeiro-ministro da Polónia, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que a Europa tem de adotar uma mentalidade de “modo de guerra” no setor da defesa ou arrisca prejudicar os europeus no futuro.
“Sou, na verdade, um defensor desse modo de guerra no que toca à produção no setor da defesa”, declarou numa conferência de imprensa à margem do Warsaw Security Forum, na terça-feira.
“É isto que a Federação Russa está a fazer neste momento. Não podemos ignorar este facto.”
A Rússia orientou a sua indústria de defesa para uma lógica de guerra antes da invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, e está previsto (fonte em inglês) que gaste 7,5% do seu produto interno bruto com as forças armadas em 2026.
Em 2025, a Rússia produziu cerca de sete milhões de munições de artilharia, morteiro, carro de combate e foguetes, segundo um recente relatório (fonte em inglês) dos serviços de informação estónios. As forças russas consomem atualmente cerca de 10 000 a 15 000 munições por dia na continuação da sua agressão contra a Ucrânia.
Em contraste, a indústria de defesa europeia foi moldada por décadas de subinvestimento e fragmentação.
A Rússia está a superar a UE na produção de munições, com os 27 Estados-membros e a Noruega a deverem produzir apenas dois milhões de projéteis de 150 mm este ano, segundo um relatório confidencial divulgado sobre o grau de prontidão da defesa europeia.
Os esforços de rearme dos países europeus e dos membros da NATO impulsionaram o maior aumento anual da despesa em defesa desde a Guerra Fria. Apesar disso, a despesa total em defesa dos Estados-membros da UE em 2025 foi estimada em 418 mil milhões de euros, o equivalente a 2,2% do PIB total da UE, indica o relatório.
Kosiniak-Kamysz afirmou que “chegou o momento” de a Europa se preparar para se defender, multiplicando a sua produção de defesa.
Advertiu que não o fazer seria um erro “dispendioso” para os europeus, acrescentando: “É uma das desvantagens, mas também nos vai afetar negativamente nas gerações futuras.”
A Polónia está entre os países que mais parte do PIB dedicam às capacidades de defesa, afetando 4,7% às capacidades de defesa essenciais, segundo o enviado dos Estados Unidos junto da NATO, Matthew Whitaker.