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Albânia: primeiro-ministro culpa “mãos estrangeiras” por protestos antigoverno

Manifestante encapuzado com bandeira da Albânia é atingido por canhão de água da polícia durante protesto anti-governamental em Tirana, 16 de outubro de 2026
Manifestante encapuzado com uma bandeira da Albânia é atingido por canhão de água da polícia durante protesto antigovernamental em Tirana, 16 de outubro de 2026 -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Greta Ruffino com AFP
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A polícia indicou que 160 pessoas foram detidas após incidentes violentos na noite de quinta-feira.

O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, apelou esta sexta-feira à calma e culpou “mãos estrangeiras” pelos distúrbios em Tirana, numa altura em que os manifestantes exigem, pelo quarto dia consecutivo, a sua demissão.

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“São mãos estrangeiras que não querem ver a Albânia em paz”, afirmou num vídeo publicado no Facebook.

“Tudo isto é obra da mesma mão, a mão que agarrou a oposição albanesa pela garganta, a mão que já queimou e destruiu a Albânia mais do que uma vez.”

Milhares de jovens manifestantes saíram às ruas da capital albanesa, exigindo também reformas no ensino, e alguns partiram vidros e danificaram semáforos.

“A indiferença e a arrogância do governo desde o início do nosso movimento têm sido insuportáveis e só pioraram a situação”, afirmou um estudante do ensino secundário.

Manifestantes incendiaram contentores de lixo para bloquear estradas e atiraram pedras à polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água.

“Não somos criminosos. Queremos apenas uma vida melhor para os nossos pais e para nós próprios. Não queremos deixar a Albânia”, disse à AFP Ledia, de 18 anos.

Polícia de choque lança gás lacrimogéneo contra manifestantes durante uma manifestação antigovernamental em Tirana, Albânia, sexta-feira, 16 de outubro de 2026.
Polícia de choque lança gás lacrimogéneo contra manifestantes durante uma manifestação antigovernamental em Tirana, Albânia, sexta-feira, 16 de outubro de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

As manifestações, iniciadas na terça-feira, alargaram-se entretanto para lá de Tirana a outras cidades albanesas, com estudantes a boicotar as aulas num contexto de crescente contestação ao governo.

A escalada desta semana surge após meses de protestos contra o governo no país dos Balcãs, incluindo manifestações contra um projeto de turismo de luxo associado à filha de Donald Trump, Ivanka, e ao genro Jared Kushner, que se tornou símbolo de alegada corrupção e desigualdade na Albânia.

Na quarta-feira, a delegação da União Europeia na Albânia apelou a uma resposta proporcional das autoridades, manifestando preocupação com “a escalada de violência no protesto em Tirana”.

O Partido Socialista de Rama conquistou no ano passado a quarta vitória eleitoral consecutiva, estando as próximas legislativas previstas apenas para 2029. O governo pretende que a Albânia adira à União Europeia até 2028.

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