Os advogados de Trump concordaram com um depoimento marcado para 16 de outubro, mas, posteriormente, solicitaram o seu adiamento para janeiro.
A British Broadcasting Corporation (BBC) pediu a um juiz que ordene ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que marque uma data concreta para prestar depoimento sob juramento no processo por difamação de 10 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros) que move contra a estação, indicam documentos entregues em tribunal.
“Quase oito meses após o início da fase de produção de prova, depois de sete depoimentos de testemunhas da BBC e com apenas dois meses de produção de prova pela frente, a BBC continua sem conseguir inquirir, e nem sequer tem agendado o depoimento, da figura mais central deste processo: o próprio autor”, escreveram os advogados da BBC.
Os advogados da BBC pediram a um tribunal federal na Florida que ordene a Trump que marque uma data para o seu depoimento e que discuta a questão numa audição agendada para 22 de outubro.
Numa declaração em resposta à petição, um porta-voz da equipa jurídica de Trump não abordou as razões para o atraso do presidente, mas reiterou as acusações contra a BBC e afirmou que o chefe de Estado está a responsabilizar a estação “pela sua difamação e pela intromissão irresponsável nas eleições, tal como tem responsabilizado outros meios de comunicação social dominantes que qualifica como ‘fake news’ pelos seus atos ilícitos”.
De que é acusada a BBC
Trump intentou uma ação contra a BBC em dezembro de 2025, acusando a estação britânica de difamação e de práticas comerciais enganosas e desleais por causa de um documentário intitulado “Trump: A Second Chance”.
Na ação, de 33 páginas, a estação é acusada de apresentar “uma representação falsa, difamatória, enganosa, depreciativa, inflamatória e maliciosa do presidente Trump”, descrevendo-a como “uma tentativa descarada de interferir e influenciar” as eleições presidenciais norte-americanas de 2024.
A BBC admitiu ter montado excertos do discurso de Trump de 6 de janeiro de 2021, de forma a parecer que tinha encorajado a violência no Capitólio dos EUA. A estação pediu desculpa e dois altos responsáveis apresentaram a demissão, mas negou ter cometido difamação.
Os ataques de Trump aos órgãos de comunicação social levaram-no a restringir o acesso, a denegrir jornalistas críticos da sua administração e a intentar processos judiciais exigindo indemnizações de montantes muito elevados.
Em abril, um juiz federal norte-americano arquivou um processo por difamação de 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros) intentado pelo presidente contra o The Wall Street Journal.