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Bolsonaro e Lula enfrentam-se no primeiro debate televisivo desde o início da campanha

ARQUIVO - Esta montagem de fotografias mostra Flávio Bolsonaro, à esquerda, em São Paulo, a 29 de setembro de 2026, e Luiz Inácio Lula da Silva
ARQUIVO - Esta montagem de fotografias mostra Flávio Bolsonaro, à esquerda, em São Paulo, a 29 de setembro de 2026, e Luiz Inácio Lula da Silva -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Manuel Ribeiro
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A uma semana da segunda volta, o atual presidente e candidato às eleições no Brasil, Lula da Silva, enfrenta o senador e candidato Flávio Bolsonaro no domingo, no que será o primeiro debate televisivo entre os dois candidatos de ideologias totalmente opostas. Uma eleição que está a dividir o país.

Espera-se que o debate televisivo nesta noite de domingo seja decisivo numa campanha marcada por escândalos e insultos.

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Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, conseguiu uma vantagem surpreendente sobre Lula da Silva, na primeira volta, no início deste mês, contrariando as previsões das sondagens.

Lula da Silva, candidato de esquerda, tem-se recusado a participar em debates com o seu rival e com os outros candidatos na primeira volta. O mesmo tem feito Flávio Bolsonaro, que chegou a recusar o debate desta noite na Band, mas depois voltou atrás.

O frente a frente deste domingo à noite terá duração aproximada de 2 horas (1:40) e será dividido em 3 blocos com perguntas dos jornalistas que compõem a pool acordada entre vários meios de comunicação (Band, Estadão, TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan). Depois, haverá um bloco dedicado ao verdadeiro frente a frente entre os dois rivais, com perguntas e respostas feitas pelos mesmos.

Antes do embate, o senador da direita radical Flávio Bolsonaro irá liderar um comício de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. Enquanto o candidato de esquerda reservou o dia para "se preparar para o debate e poupar a voz", que tem dado problemas ao presidente de 80 anos.

Entretanto, no Rio de Janeiro, o músico Caetano Veloso convocou um “comício pela democracia” ao lado de dezenas de outros artistas na praia de Copacabana. O evento surge na sequência de uma onda de manifestações nas principais cidades brasileiras, que reavivou uma campanha pouco animada da esquerda desde o resultado da primeira volta.

Estudantes e movimentos sociais saíram à rua para protestar contra a possibilidade de um novo governo de extrema-direita, sob o lema “Bolsonaro, nunca mais”.

Embora Bolsonaro tenha liderado as sondagens desde a primeira volta, a sua vantagem diminuiu ligeiramente em duas sondagens realizadas esta semana, que o colocaram com 51% das intenções de voto, contra 49% de Lula.

No campo de Lula, reina um clima de “esperança contida” e a consciência de que se avizinha uma batalha muito difícil, afirmou,na sexta-feira à AFP, uma fonte governamental, que pediu para permanecer anónima.

O candidato presidencial da oposição, o senador Flavio Bolsonaro, à frente, acena aos apoiantes durante um comício de campanha em São Paulo,
O candidato presidencial da oposição, o senador Flavio Bolsonaro, à frente, acena aos apoiantes durante um comício de campanha em São Paulo, AP Photo/Andre Penner

Batalha nas redes sociais

Quase a completar 81 anos, Lula reorganizou a sua campanha para a segunda volta, depois de admitir que tinha sido a mais “desorganizada” em que participou nas últimas décadas da sua vida política.

Recrutou jovens influenciadores de esquerda para aconselhá-lo sobre a sua estratégia nas redes sociais e começou a gravar “selfies” na tentativa de se aproximar dos eleitores.

Esta semana, Lula acusou a gigante tecnológica Meta de “interferência” nas eleições, por restringir o seu conteúdo no Facebook, Instagram e WhatsApp e por conceder à campanha de Bolsonaro uma vantagem injusta. Informações recentemente veiculadas pela imprensa brasileira alegam que a empresa de Zuckerberg beneficiou a campanha de Flávio Bolsonaro.

A coligação da campanha de Lula afirmou num comunicado, no sábado, que tinha solicitado aos procuradores eleitorais e à polícia que investigassem se a campanha de Bolsonaro tinha recebido benefícios económicos da Meta que pudessem constituir uma infração eleitoral.

As alegações também foram encaminhadas ao relator especial da ONU para a liberdade de expressão.

A Meta negou ter tomado partido nas eleições, mas reconheceu várias falhas técnicas, incluindo o facto de a conta publicitária da campanha de Lula ter sido “desativada por engano” durante uma verificação antifraude. Tal não aconteceu com as contas do seu adversário, Flávio Bolsonaro.

“Oportunismo eleitoral”

Os apoiantes agitam uma bandeira gigante com a imagem do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que se candidata à reeleição,
Os apoiantes agitam uma bandeira gigante com a imagem do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que se candidata à reeleição, AP Photo

Na última semana, Lula da Silva lançou uma série de medidas para conquistar os eleitores. Na quarta-feira, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que garante dois dias de descanso remunerado por semana, em vez de um, uma promessa de campanha de Lula que irá beneficiar milhões de trabalhadores e à qual Flávio Bolsonaro sempre se opôs. Mas o senador mudou de opinião e votou a favor à última da hora.

“Ele votou por oportunismo eleitoral”, acusou Lula da Silva, apontando que o seu rival não tem sequer perfil para ser “presidente de uma associação de moradores”.

Lula anunciou ainda o perdão da dívida aos microempresários, bolsas de estudo universitárias e a eliminação dos impostos sobre os combustíveis. Medidas que têm sido criticadas por Bolsonaro, “Lula engana as pessoas para conseguir votos”, afirmou o candidato conservador numa entrevista na sexta-feira.

Bolsonaro reforçou a sua mensagem de linha dura contra o crime, numa altura em que a segurança é a principal preocupação dos eleitores.

“Quem pensa que sou radical em matéria de segurança pública ainda não viu nada”, afirmou esta semana, acrescentando que o controverso modelo de encarceramento em massa de membros de gangues em El Salvador “parece demasiado brando”.

Apoiado pelas igrejas evangélicas, que representam cerca de 47 milhões de cidadãos, segundo dados do censo de 2022, o senador prometeu várias reformas constitucionais, incluindo a limitação do mandato presidencial a um único mandato. Bolsonaro reúne 60% das intenções de voto do eleitorado evangélico, enquanto Lula da Silva tem 28%, segundo uma sondagem recente da Quaest publicada na revista Veja.

Flávio também prometeu libertar o pai, que cumpre uma pena de 27 anos em prisão domiciliária por ter planeado um golpe de Estado após a candidatura eleitoral fracassada de 2022.

Empate técnico com Bolsonaro ligeiramente na frente

O debate de hoje será transmitido ao vivo às 20h00, horário de Brasília (00:00 em Lisboa), pela TV Bandeirantes. Está previsto mais um frente a frente para o dia 23 de outubro na TV Globo.

No dia 25, os eleitores regressam às urnas para escolher o futuro presidente do Brasil. De acordo com a última sondagem da Datafolha, os dois candidatos voltam a estar tecnicamente empatados, como na primeira volta. Mas desta vez, é Bolsonaro (51%) quem leva ligeira vantagem sobre Lula (49%).

Outras fontes • AFP

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