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Europa: bolsas abrem em baixa, empresas francesas avaliam impacto dos motins

ARQUIVO. Pessoas observam um carro carbonizado perto da Place de la République, no dia seguinte a protestos contra o aumento do custo de vida em Paris, 18 out. 2026
ARQUIVO. Pessoas observam um carro carbonizado perto da Praça da República no dia seguinte a protestos contra o aumento do custo de vida em Paris, 18 out. 2026 -  Direitos de autor  AP Photo/Emma Da Silva
Direitos de autor AP Photo/Emma Da Silva
De Quirino Mealha
Publicado a •Últimas notícias
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Bolsas europeias iniciam a semana em baixa após um fim de semana de protestos violentos e saques em França, com empresários a contabilizar prejuízos e a acusar o governo de não os proteger.

As ações europeias recuaram no arranque da sessão desta segunda-feira, numa altura em que a França ainda acusa o impacto de um dos fins de semana mais violentos dos últimos anos, com lojistas e presidentes executivos a fazerem contas aos danos e a acusarem as autoridades de os terem deixado desprotegidos.

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O Euro Stoxx 50 recuava apenas 0,1%, mas o mais amplo índice pan-europeu Stoxx 600 descia mais de 0,6% no início da sessão de segunda-feira.

O índice francês CAC 40 caía 0,5%, com, por exemplo, as ações da retalhista Carrefour (que afirmou que 50 das suas lojas foram alvo de saqueadores) a perderem mais de 2%.

Também subiram os custos de financiamento de França, numa altura em que um parlamento dividido debate o orçamento de 2027, com os juros da dívida pública a dez anos em 4,86%, depois de terem atingido este mês o seu valor mais alto desde 2002.

O diferencial face à dívida alemã, barómetro da tensão entre investidores, situava-se em 143,5 pontos base, depois de ter ultrapassado os 150 no início de outubro, o nível mais amplo desde a crise da dívida da zona euro.

A agência de notação financeira Moody’s revê na sexta-feira a classificação de crédito Aa3 de França, que tem perspetiva negativa.

Quanto aos restantes índices europeus, o britânico FTSE 100, o italiano FTSE MIB e o espanhol IBEX 35 negociavam entre 0,4% e 0,6% abaixo do fecho de sexta-feira.

O DAX alemão liderava as quedas, com um recuo superior a 0,8%, enquanto o AEX, dos Países Baixos, destoava e avançava mais de 0,4%.

O euro desvalorizava 0,2% face ao dólar norte-americano, para cerca de 1,121 dólares, e recuava igualmente 0,2% em relação à libra esterlina, para perto de 0,841 libras.

Na semana passada, a moeda única caiu para o valor mais baixo face ao dólar norte-americano desde meados de maio de 2025 e face à libra esterlina desde o início de junho de 2025, com os problemas da dívida francesa e o fortalecimento do dólar a sobreporem-se às duas subidas de juros do Banco Central Europeu este ano.

O BCE reúne-se novamente em 29 de outubro.

França: empresários contam os prejuízos

As autoridades contabilizaram cerca de 550 000 pessoas nas marchas nacionais de sábado contra o aumento do custo de vida e a situação das escolas francesas, que degeneraram em motins e saque em Paris, Lyon, Marselha, Bordéus e outras cidades.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, indicou que 2 400 pessoas foram detidas, enquanto os relatos apontam para entre 500 e quase 1 000 polícias, gendarmes e bombeiros feridos.

Nuñez, que admitiu falta de antecipação e perda de controlo em algumas cidades, apresentou a demissão, mas o presidente Emmanuel Macron recusou, informou esta segunda-feira o seu gabinete, argumentando que as forças de segurança precisam de uma cadeia de comando contínua.

O presidente executivo da Carrefour, Alexandre Bompard, que dirige a federação francesa do comércio FCD, afirmou que cerca de 1 500 lojas foram atingidas, com uma fatura que ascende a centenas de milhões de euros, e que a República tem de proteger os seus lojistas.

Na Carrefour, “o custo das reparações ultrapassará largamente os dez milhões de euros”, declarou Bompard.

Thierry Guibert, presidente executivo da marca de moda Lacoste, cujas lojas Lacoste e Aigle foram saqueadas, apelou nas redes sociais ao Estado francês para que atue sem demora e proteja empresas e trabalhadores.

Thierry Cotillard, responsável pela cadeia de supermercados Intermarché, afirmou igualmente nas redes sociais estar profundamente revoltado, enquanto Patrick Martin, presidente da confederação patronal Medef, classificou os saques como inaceitáveis.

Os pequenos comerciantes foram mais diretos.

O responsável da retalhista de artigos de outdoor Snowleader disse que alertou a polícia quando os saqueadores arrombaram a porta da sua loja em Lyon, mas que lhe foi dito para esperar e voltar a contactar na terça-feira se ninguém aparecesse, enquanto o presidente da associação de comerciantes do centro de Marselha afirmou que os lojistas foram abandonados pelas autoridades.

Estava previsto que o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, presidisse esta segunda-feira a uma reunião de crise e que o ministro do Comércio, Serge Papin, se reunisse com federações do setor, bancos e seguradoras.

Entretanto, os sindicatos convocaram uma greve nacional para 5 de novembro.

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