María Corina Machado apela à mobilização dos venezuelanos para exigir calendário eleitoral, enquanto os EUA impulsionam negociações para garantir condições políticas às eleições.
A incerteza sobre a realização de novas eleições presidenciais volta a estar no centro do debate político venezuelano. María Corina Machado apelou à população para que se mobilize esta quinta-feira para exigir um calendário eleitoral, numa altura de negociações sobre o futuro institucional do país.
A convocatória, impulsionada pelo Vente Venezuela, prevê manifestações em Caracas e noutras cidades. A oposição procura aumentar a pressão pública para que seja fixada uma data eleitoral e seja permitido o regresso de Machado, que continua fora da Venezuela.
Machado divulgou uma mensagem nas redes sociais em que incentiva os venezuelanos a participarem nos protestos acompanhados pelas suas famílias e com bandeiras do país. A dirigente apresenta a mobilização cidadã como uma ferramenta para exigir mudanças políticas e rejeita a ideia de aceitar a situação atual como definitiva.
A convocatória tem duas reivindicações principais: estabelecer um calendário para as eleições presidenciais e facilitar o regresso de Machado à Venezuela.
Incerteza em torno do calendário eleitoral
O debate sobre as eleições desenrola-se num cenário político marcado pela saída de Nicolás Maduro do poder em janeiro de 2026 e pela posterior assunção da Presidência interina por Delcy Rodríguez. Diversos setores da sociedade civil reclamam a convocação de eleições e contestam a prolongação do mandato interino. A duração dessa fase e as condições para realizar o escrutínio figuram entre os temas centrais do debate político.
Em paralelo às mobilizações, Washington participa em esforços para promover um acordo político entre o chavismo e setores da oposição. A definição de garantias eleitorais e das condições para uma eventual convocação de eleições constitui um dos principais desafios do processo. Os protestos convocados para esta quinta-feira acrescentam pressão a esse cenário, embora ainda não seja claro se terão consequências no calendário eleitoral.