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Reino Unido: inflação dispara acima do previsto e reforça aposta em subida de juros

Ficheiro - Vista do Banco de Inglaterra e do Royal Exchange a partir do miradouro Lookout, em Londres, quarta-feira, 9 de abril de 2025
ARQUIVO – Vista do Banco de Inglaterra e da Royal Exchange a partir do miradouro Lookout, em Londres, quarta-feira, 9 de abril de 2025 -  Direitos de autor  AP Photo/Alberto Pezzali, File
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De Doloresz Katanich
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A taxa anual de inflação do Reino Unido acelerou mais do que o esperado em setembro, para 3,5%, impulsionada pelos preços dos combustíveis. O aumento surge a uma semana da apresentação do orçamento de outono, numa altura em que a dívida pública líquida supera 3 biliões de libras.

A inflação anual dos preços no consumidor no Reino Unido subiu para 3,5% em setembro de 2026, o valor mais elevado desde outubro de 2025, face a 3,1% em agosto, indicou o Office for National Statistics (ONS).

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A leitura, acima do esperado, surge a uma semana da apresentação do orçamento anual do governo trabalhista, em 28 de outubro, no qual se prevê que sejam abordadas as pressões sobre o custo de vida.

A subida foi em grande medida impulsionada pelo aumento dos preços dos combustíveis. Em setembro, o preço médio do gasóleo atingiu o nível mais alto desde julho de 2022, numa altura em que a guerra entre os EUA e o Irão fez disparar os preços da gasolina e do gasóleo.

O transporte, em particular os combustíveis para veículos, deu o maior contributo para a subida da inflação anual, segundo o ONS. Os preços dos transportes aumentaram 6,6% em termos homólogos, acima dos 4,6% registados no mês anterior.

A inflação anual dos serviços acelerou para 3,7%. Os custos da habitação e dos serviços domésticos e de comunicação aumentaram 5,3% e 5,8% em termos homólogos, respetivamente. A inflação dos bens alimentares manteve-se em 1,3%.

A inflação subjacente medida pelo índice de preços no consumidor (IPC) aumentou para 2,8%, face a 2,6%. Em comparação com agosto, os preços no consumidor subiram 0,4%, após um aumento de 0,5%.

“O teto dos preços da energia subiu ligeiramente em outubro, com os agregados familiares a prepararem-se para um aumento ainda maior no início do próximo ano”, afirmou Danni Hewson, responsável pela análise financeira na AJ Bell. Acrescentou que as expetativas são influenciadas pela subida dos custos dos serviços, bem como pelo aumento significativo do preço das matérias-primas utilizadas pelas empresas na produção, para além do salto no custo de transporte desses bens.

“A perceção de que financiar o nosso dia a dia só vai ficar mais difícil nos próximos meses vai afetar a confiança dos consumidores”, afirmou Hewson.

O Banco de Inglaterra deverá aumentar as taxas de juro na próxima reunião, em 5 de novembro, naquele que poderá ser o primeiro movimento deste tipo desde 2023. A decisão poderá seguir-se às subidas já feitas pelo Banco Central Europeu e pela Reserva Federal dos EUA, num contexto de renovadas pressões inflacionistas.

“A expetativa do mercado quanto a um aumento em novembro aproxima-se agora dos 100%, com mais de 50% de probabilidade de que um segundo aumento se siga antes do final do ano”, afirmou Hewson.

A taxa diretora atual do banco central britânico é de 3,75%, face a uma meta de inflação de 2%.

Reino Unido aumenta endividamento público ao superar 3 biliões de libras

Num comunicado separado, o ONS indicou que o endividamento público ascendeu a quase 25 mil milhões de libras (29,8 mil milhões de euros) em setembro de 2026.

O endividamento líquido do setor público do Reino Unido totalizou 24,5 mil milhões de libras (29,2 mil milhões de euros) em setembro, mais 1,8 mil milhões de libras (2,1 mil milhões de euros) do que um ano antes, superando as expetativas do mercado.

O aumento do recurso ao endividamento ocorre numa altura em que “a despesa, incluindo custos mais elevados com juros da dívida, cresceu mais do que as receitas do governo, refletindo em parte os impactos da inflação”, indicou o ONS.

O contexto é o de uma recente vaga de vendas de obrigações à escala global, que fez subir os rendimentos e tornou o financiamento mais caro para grandes economias como os EUA, a França, a Alemanha e o Reino Unido. Os rendimentos das obrigações do Tesouro britânico a 10 anos situavam-se ligeiramente abaixo de 5,4% no final de setembro, depois de terem atingido um máximo de 19 anos no início do mês.

Entretanto, o endividamento do governo britânico entre abril e setembro de 2026 atingiu 97,8 mil milhões de libras (116,5 mil milhões de euros), ligeiramente abaixo do registado no mesmo período do ano anterior e equivalente a 3,1% do produto interno bruto (PIB). Ainda assim, o montante foi 6 mil milhões de libras (7,1 mil milhões de euros) superior à projeção do Office for Budget Responsibility.

A dívida líquida do setor público no final de setembro de 2026 foi provisoriamente estimada em mais de 3 biliões de libras (3,57 biliões de euros) pela primeira vez. No entanto, em proporção da economia, o nível de dívida era inferior ao de um ano antes, segundo o ONS.

A dívida fixou-se em 94% do PIB, abaixo dos 94,7% registados um ano antes.

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