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Europa: onde é mais caro encher o carrinho e porquê

A personal trainer Antonia Kalantzi, de 38 anos, faz compras num supermercado em Atenas, Grécia, em 16 de fevereiro de 2022
Personal trainer Antonia Kalantzi, de 38 anos, faz compras num supermercado em Atenas, Grécia, a 16 de fevereiro de 2022 -  Direitos de autor  Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved
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De Servet Yanatma
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Os preços dos bens alimentares variam muito em toda a Europa. O pão pode custar mais de três vezes mais num país do que noutro. A Euronews Business analisa estas diferenças e o que está na sua origem

A alimentação representa uma fatia importante dos orçamentos familiares em toda a Europa, mas o custo de encher o carrinho de compras varia bastante de país para país. Na UE, os alimentos e as bebidas não alcoólicas correspondem a 13,6% das despesas das famílias, contra 23,6% para habitação e contas de serviços, segundo o Eurostat.

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Que países são mais caros para fazer compras e o que explica estas diferenças?

Segundo dados da Numbeo, uma base de dados colaborativa sobre custo de vida, relativos a meados de 2026, o índice de compras de supermercado varia de 57,2 na Moldávia a 189,2 na Suíça, sendo a média da UE fixada em 100. Isto significa que, na Suíça, as compras no supermercado são 89,2% mais caras do que a média da UE, enquanto na Moldávia são 42,8% mais baratas.

Para ilustrar esta diferença, um cabaz que custa 100 € ao preço médio da UE custaria 189,20 € na Suíça e 57,20 € na Moldávia, de acordo com o índice.

O índice da Numbeo tem Nova Iorque como referência 100. O Euronews Business converteu o índice para usar a média da UE como 100.

Países mais caros para compras alimentares

Três dos cinco países mais caros são nórdicos. A Islândia (183,6) surge em segundo lugar, seguida da Noruega (154,4), do Luxemburgo (134,9) e da Dinamarca (128,4). Os outros países nórdicos também ficam acima da média da UE: Finlândia (119,7) e Suécia (116,6).

Entre cinco das principais economias europeias, a França é o país onde as compras alimentares são mais caras, 27,5% acima da média da UE. A Espanha (89,7) é a única abaixo dessa média. O Reino Unido (111,9), a Alemanha (111,6) e a Itália (110,2) ficam acima, com níveis de preços semelhantes.

A Áustria (124,5), a Irlanda (122), a Bélgica (117,6) e os Países Baixos (116,4) figuram também entre os países mais caros, todos acima da média da UE.

País mais barato da UE: compras na Roménia custam menos um terço

Dentro da UE, a Roménia (66,7) é o país mais barato para compras alimentares, com preços 33,3% abaixo da média da UE.

De forma mais geral, as compras de supermercado são mais baratas nos países da Europa de Leste e dos Balcãs, incluindo candidatos à adesão à UE. Por exemplo, o índice é de 59,8 na Macedónia do Norte, 67,9 na Bósnia-Herzegovina e 68,8 na Sérvia.

A Turquia (82,1) é mais cara do que vários membros da UE, embora continue abaixo da média da União. A Turquia regista também a maior inflação alimentar da Europa.

Preços mais baixos não significam maior acessibilidade

Ilaria Benedetti, professora associada na Universidade de Tuscia, salientou que, embora os preços dos alimentos sejam inferiores à média da UE em alguns países, os agregados familiares destinam uma fatia maior do orçamento à alimentação. Por exemplo, as compras são mais baratas na Roménia, mas as famílias gastam 23,1% do orçamento em alimentos e bebidas não alcoólicas. Esta percentagem supera igualmente os 20% na Bulgária.

“Preços mais baixos não significam necessariamente maior acessibilidade”, afirmou o professor Jeremiás Máté Balogh, da Universidade Corvinus, ao Euronews Business.

Apontando para as diferenças salariais e de poder de compra, sublinhou que os produtos alimentares podem ser mais baratos em termos absolutos, mas menos acessíveis em relação ao que as pessoas ganham depois de impostos.

Cesto de 18 produtos alimentares custa 69,84 € na UE

A Numbeo lista 19 produtos na categoria “Mercados”. O Euronews Business recolheu os preços desses itens em outubro de 2026. Somar os preços de 18 produtos, contando cada um apenas uma vez e sem ponderação, dá um custo médio do cabaz na UE de 69,84 €.

Os cigarros foram excluídos do cálculo do Euronews, porque os preços variam muito e a proporção de fumadores difere entre países.

Tal como no índice, o cabaz alimentar é mais caro na Suíça, a 137,90 €, enquanto a Moldávia é o país mais barato, com 41,10 €.

O cabaz ultrapassa também os 100 € na Noruega (116,10 €). Entre os países mais caros contam-se ainda o Luxemburgo (99 €), a Áustria (88,10 €) e a Dinamarca (87,70 €).

A França continua a ser a mais cara entre as cinco grandes economias comparadas. O cabaz custa 87,40 € em França, contra apenas 63 € em Espanha. Os mesmos produtos custam 80 € em Itália, 75,20 € na Alemanha e 69,10 € no Reino Unido.

Os 18 produtos alimentares podem ser comprados por menos de 50 € na Macedónia do Norte (43,90 €), no Kosovo (45,50 €), na Roménia (45,90 €), na Geórgia (46,90 €), na Polónia (49,60 €), na Sérvia (49,70 €), no Montenegro (49,80 €) e na Bósnia-Herzegovina (49,80 €).

No entanto, estas hierarquias assentam em preços nominais. Quando se tem em conta o poder de compra, a diferença diminui. A classificação pode também alterar-se ligeiramente quando o cabaz é ponderado.

Papel dos preços da energia e dos custos do trabalho

“Os custos do trabalho tornaram-se provavelmente um dos fatores mais persistentes a impulsionar os preços das compras de supermercado em toda a Europa, mas os custos da energia continuam a ser um elemento importante”, afirmou Balogh. Assinalou que os preços mais elevados da energia, dos combustíveis e do transporte continuam a afetar a produção agrícola, a transformação alimentar e a distribuição.

Benedetti considera que a energia é o principal motor das recentes subidas dos preços dos alimentos, em particular os combustíveis desta vez. Acrescentou que, desde os ataques ao Irão no final de fevereiro, o preço médio do gasóleo na UE passou de 1,59 € por litro em 23 de fevereiro para 2,24 € em 28 de setembro, o nível mais elevado desde o início dos registos em 2005.

“O gasóleo movimenta toda a cadeia alimentar, desde os tratores até aos camiões que abastecem os supermercados”, disse à Euronews Business.

Assinalou ainda que, quando a inflação abranda, os preços não baixam necessariamente. Se a inflação se mantiver positiva, os preços continuam a subir, apenas mais devagar, a partir de um nível mais elevado.

Pão custa mais de três vezes mais na Dinamarca do que na Bulgária

“O preço dos alimentos numa loja corresponde apenas em parte ao custo do próprio produto”, explicou Benedetti.

“Inclui também salários, energia, rendas, transporte e impostos, que são muito mais elevados nos países mais ricos.”

Referiu que um pão branco fresco de 500 g custa 3,18 € na Dinamarca e 1,02 € na Bulgária, mais de três vezes mais, segundo a Numbeo. Uma dúzia de ovos, um produto mais normalizado, custa 4,52 € na Dinamarca e 2,69 € na Estónia, menos do dobro.

Balogh explicou que as diferenças nos preços das compras de supermercado entre países europeus refletem uma combinação de fatores, incluindo salários, custos da terra e do trabalho, estrutura do mercado retalhista, fiscalidade, taxas de câmbio, logística e custos de transporte, produtividade agrícola e preferências dos consumidores.

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