Carmen sobreviveu ao acidente ferroviário de Adamuz que em janeiro fez 46 mortos e, nove meses depois, enfrentou a tragédia em Urda. Saiu ilesa fisicamente de ambos, mas está profundamente abalada.
Há experiências que ninguém deveria viver sequer uma vez. Carmen teve de enfrentar duas em apenas nove meses.
Em janeiro, esta espanhola sobreviveu ao acidente ferroviário de Adamuz, em Córdoba, que causou a morte a 46 pessoas. Nesta quarta-feira, o destino voltou a colocá-la no centro de outra tragédia: a colisão de dois comboios de alta velocidade em Urda, Toledo, que provocou pelo menos 68 mortos.
A mulher sobreviveu a ambos os acidentes sem sofrer lesões físicas, mas as consequências emocionais do que viveu são profundas. Quem o conta é Carmen García, trabalhadora da Cruz Vermelha destacada para Urda para prestar apoio às pessoas afetadas, em entrevista ao programa “En boca de todos”, do canal “Cuatro”.
“Está muito abalada e não quis intervir por causa do que está a acontecer. Não tem danos físicos, mas emocionalmente está muito afetada”, relatou García sobre a sobrevivente, que preferiu manter-se afastada das câmaras.
A trabalhadora da Cruz Vermelha descreveu também as cenas de angústia e desconcerto que se vivem entre os passageiros e os seus familiares após o acidente.
“Estamos a encontrar de tudo, porque são momentos tão difíceis que cada pessoa os gere à sua maneira”, explicou ao canal “Cuatro”.
Entre as pessoas afetadas, relatou, havia quem tivesse “o olhar perdido”, passageiros que tentavam localizar outros viajantes e sobreviventes que estavam “muito tristes e zangados”.
A história de Carmen ilustra uma das consequências menos visíveis das grandes catástrofes: as feridas emocionais que podem perdurar mesmo quando não há lesões físicas. Depois de sobreviver a duas tragédias ferroviárias em menos de um ano, a mulher enfrenta agora as sequelas psicológicas de uma experiência excecionalmente dolorosa.