As autoridades alertam para SMS falsos que se fazem passar pela Guardia Civil e comunicam a identificação de mortos do acidente ferroviário de Urda (Toledo), que já deixou pelo menos 69 vítimas. As notificações oficiais só são feitas presencialmente.
À tragédia do acidente ferroviário que atingiu Espanha pela segunda vez em menos de um ano junta‑se agora uma nova preocupação: a circulação de mensagens de texto falsas que se fazem passar pela Guardia Civil. Estes SMS comunicam supostamente aos familiares que os seus entes queridos foram identificados entre as vítimas mortais.
O Centro Integrado de Datos (CID) informou esta quinta‑feira, em comunicado difundido através do Tribunal Superior de Justiça de Castela‑Mancha, que familiares de possíveis vítimas mortais estão a receber estas mensagens.
As autoridades desmentem‑nas e pedem às pessoas afetadas que não deem credibilidade a estas comunicações, nem a chamadas telefónicas que anunciem a identificação de uma pessoa falecida, já que todas as comunicações deste tipo se fazem “de forma presencial e pessoal” e com o máximo rigor por parte da Guardia Civil.
Autópsias e identificações em curso
Os serviços forenses continuam a trabalhar sem interrupção desde o início das operações após o acidente que ocorreu ontem ao início da manhã. Para já, foram confirmadas pelo menos 69 vítimas mortais e dezenas de desaparecidos, entre estes 42 estrangeiros.
A divulgação deste tipo de comunicações acrescenta angústia e incerteza a um momento especialmente doloroso para quem espera notícias dos seus entes queridos. As autoridades insistem que a informação legítima chegará sempre de forma presencial.
O que fazer se receber uma mensagem suspeita
Não dê crédito à mensagem nem à chamada, e não responda.
Não clique em ligações nem forneça dados pessoais ou bancários.
Não reencaminhe, assim evita que se propague.
Informe as autoridades da mensagem recebida, para que possam fazer o respetivo seguimento.
Recurra apenas a canais oficiais para obter informação fiável sobre o acidente.
Uma vaga de desinformação
Estes falsos SMS não são o único boato em torno da tragédia. Após o acidente, registou‑se uma vaga de boatos e teorias da conspiração nas redes sociais, com imagens de outros acidentes ferroviários apresentadas como se fossem de Urda, fotografias geradas com inteligência artificial e vídeos virais com informação falsa.
Um dos conteúdos mais partilhados é um vídeo de Benjamín Netanyahu, apresentado como uma suposta ameaça de cortes de eletricidade e acidentes de comboio. Corresponde a uma intervenção do passado mês de abril sobre a retirada de representantes espanhóis de um centro de coordenação relacionado com o conflito em Gaza. Também não há indícios de que tenha relação com a conhecida fotografia que circulou do político israelita a apontar para um quadro onde supostamente se lia “Spain”.
Segundo as verificações de Newtral, EFE Verifica, Maldita e VerificaRTVE, não existem provas que liguem o governo israelita ao acidente.
Os peritos já se encontram no local do acidente, a juíza decretou a proibição de acesso à zona para pessoas alheias à investigação. Agora, as causas do acidente devem ser estabelecidas a partir da investigação oficial.