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Irão ameaça resposta sem limites geográficos a novo ataque dos EUA

Automobilistas passam junto a retratos do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei em Teerão, Irão, quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Condutores passam por retratos do líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, em Teerão, Irão, quarta-feira, 21 de outubro de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Peter Barabas & Euronews Doha bureau
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Responsáveis iranianos assinalam, apesar de tudo, avanços nas negociações mediadas com os EUA, que se preparam para importantes eleições intercalares na próxima semana

O líder supremo iraniano, aiatola Mojtaba Khamenei, advertiu o mundo de que “qualquer nível ou tipo de ameaça deve ser respondido de forma imediata, contundente e sem limitações geográficas”.

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O aviso surge numa altura em que prosseguem esforços diplomáticos urgentes para evitar uma nova guerra total com o Irão, que teria consequências devastadoras para o Médio Oriente e não só.

No sábado, Khamenei reuniu-se com os principais comandantes militares do Irão e apresentou-lhes diretivas para se prepararem para uma eventual nova ação militar dos Estados Unidos e de Israel, segundo a agência oficial IRNA.

A reunião seguiu-se a avisos dos Estados Unidos de que as suas forças poderão lançar uma campanha militar curta mas intensa contra o Irão após as eleições intercalares norte-americanas da próxima semana.

A ameaça de uma “resposta sem limitações geográficas” significa que o Irão poderá procurar atingir alvos na Europa e também no Sul do Cáucaso em reação a um novo ataque.

Segundo os meios de comunicação estatais, Khamenei, que não é visto em público desde que a guerra no Irão começou com ataques norte-americanos e israelitas no fim de fevereiro, pediu também uma atualização da lista de potenciais alvos dos Estados Unidos e de Israel, para incluir “todo o tipo de ativos físicos e não físicos”.

Khamenei afirmou ainda que caberá ao Irão definir a duração de qualquer nova guerra.

Disse que, “se os inimigos do Irão retomarem ataques militares ou terroristas, serão as Forças Armadas da República Islâmica e a nação iraniana a determinar quando e em que condições esses ataques terminarão”.

Os média estatais iranianos noticiaram que, numa reunião no sábado, o comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), general Ahmad Vahidi, juntamente com o comandante do exército iraniano e o seu chefe do Estado-Maior, informou o líder supremo sobre o grau de prontidão militar do país, dizendo-lhe que a produção de armamento no Irão aumentou “sete vezes”.

O Institute for the Study of War (ISW), um grupo de reflexão com sede em Washington, considerou que as ameaças de Khamenei “provavelmente fazem parte de um esforço iraniano para dissuadir os Estados Unidos e Israel de atacarem o Irão”.

Embora Teerão mantenha as ameaças e uma retórica desafiante, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o responsável máximo pela segurança sinalizaram avanços positivos nas negociações mediadas com os Estados Unidos através do Qatar.

No sábado à noite, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, anunciou que Teerão poderá aceitar reabrir o estreito de Ormuz em apenas dois dias, em vez do prazo anterior de sete dias.

Acrescentou que diplomatas iranianos se encontravam no Qatar para conversações, depois de uma delegação qatari ter mediado discussões em Teerão nos últimos dias.

No mês passado, Araghchi propôs reabrir o estreito de Ormuz no prazo de uma semana se os Estados Unidos aceitassem levantar o bloqueio aos portos iranianos, libertar ativos iranianos congelados e suspender sanções sobre as vendas de petróleo do país, entre outras condições. A proposta foi rejeitada.

Numa entrevista ao canal Al Jazeera, sediado no Qatar, Araghchi afirmou que o Irão não tenciona reunir-se com responsáveis norte-americanos, mas classificou como um passo positivo os recentes esforços de Washington no sentido de um “diálogo mais alargado”.

Disse ainda que a decisão sobre se as negociações serão diretas ou indiretas será tomada “assim que Washington concordar com as condições do Irão”.

Estas declarações surgem numa altura em que o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, general Mohsen Rezaei, afirmou ter recebido uma carta do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, propondo negociações.

Comentando a carta, Rezaei afirmou que “o tom mudou completamente” e considerou-a um “sinal muito bom”. Araghchi descreveu também a tentativa de Washington de abrir um diálogo como um “passo positivo”.

Rezaei destacou uma alteração importante numa das condições do Irão: os navios que transitarem num estreito de Ormuz reaberto seguirão uma rota acordada entre o Irão e Omã. Acrescentou que “todos os que passarem por esta via marítima vão fazê-lo sob gestão iraniana”.

Rezaei deixou claro que o Irão aguarda agora a mais recente resposta norte-americana. Em paralelo, advertiu na plataforma X que qualquer ataque provocará “golpes devastadores contra o agressor, recorrendo a novas armas”.

Rezaei, que segundo os média estatais se reuniu esta semana com o líder supremo iraniano, fez saber ainda que não foi tomada qualquer decisão de alterar a doutrina nuclear do país, mas observou que alguns iranianos questionaram se a mesma não deverá ser repensada caso o Irão volte a ser atacado.

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