Cessar-fogo permitiu missão humanitária à cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia, e a saída de centenas de civis bloqueados.
A Rússia retomou na segunda-feira os ataques contra a região ucraniana de Kherson, após o fim de um cessar-fogo local na zona, a trégua mais longa na guerra entre os vizinhos desde 2022, indicou Kiev.
Esta rara pausa nos combates, mediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, terminou no domingo depois de ter começado na terça-feira.
O cessar-fogo permitiu realizar uma missão humanitária na cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia, e que centenas de civis retidos pudessem sair.
Foi a pausa mais longa nos combates entre os dois países desde o início da invasão em grande escala, que já dura há cinco anos, e que matou centenas de milhares de pessoas e deslocou milhões.
“Por volta das 8:00 desta manhã, os ocupantes russos atacaram um carro com um drone no bairro urbano de Korabelny”, em Kherson, disseram as autoridades locais em comunicado, acrescentando que uma mulher de 62 anos e um homem de 73 ficaram feridos e foram hospitalizados.
A Rússia recusou uma proposta ucraniana para prolongar a trégua, disse no domingo um alto responsável ucraniano à agência de notícias AFP.
O governador regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, tinha advertido a população para se manter particularmente vigilante quando o cessar-fogo terminasse.
As forças armadas ucranianas alegaram que a Rússia aproveitou a pausa nos combates para “fortificar as suas posições”.
Ataques russos causaram também a morte de uma pessoa em Izium, cidade na região nordeste de Kharkiv, disse o governador local.
Negociações entre a Rússia e a Ucrânia mediadas pelos Estados Unidos deverão ser retomadas este mês.
O Kremlin tem rejeitado repetidamente apelos para um cessar-fogo mais amplo e afirma que tenciona prosseguir a ofensiva em grande escala para conquistar o restante leste da Ucrânia.
Ataque informático à aplicação de alertas
A nova vaga de ataques contra Kherson surge um dia depois de a Ucrânia ter indicado que o seu sistema de alerta de ataques aéreos foi comprometido, após terem surgido na aplicação avisos infundados sobre uma ameaça de radiação.
“Olá! Um alerta nuclear está prestes a disparar em toda a Ucrânia! Não se preocupem, o Oreshnik está a caminho”, dizia um dos falsos avisos em russo.
Vários governadores regionais alertaram também que o sistema tinha sido pirateado e aconselharam os residentes que não havia qualquer ameaça iminente.
À meia-noite, hora local, o sistema nacional de alertas funcionava normalmente, indicou em comunicado o Serviço Estatal de Emergência.
“Voltamos a apelar aos cidadãos para que não cliquem em ligações de fontes desconhecidas e não difundam informação não verificada”, afirmou a agência.
Horas mais tarde, a Rússia anunciou também que a sua aplicação de alertas de emergência foi alvo de um “maciço ciberataque” na segunda-feira, numa aparente troca de ataques à medida que a sua trégua mais longa chegava ao fim.
O ministério de emergências de Moscovo afirmou que piratas informáticos publicaram “informação falsa” na aplicação, concebida para alertar a população para ataques de drones e outras ameaças.