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TotalEnergies lucra mil milhões de dólares com aposta em petróleo do Médio Oriente

ARQUIVO - Logótipo da TotalEnergies na torre-sede da empresa no bairro financeiro de La Défense, em Courbevoie, perto de Paris, França, 1 de março de 2023
Arquivo - Logótipo da TotalEnergies na sede da empresa, no arranha-céus do bairro de negócios de La Défense, em Courbevoie, perto de Paris, França, 1 de março de 2023. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Una Hajdari
Publicado a Últimas notícias
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Gigante francês da energia terá dominado em março o mercado de crude do Médio Oriente, comprando dezenas de cargueiros após a guerra abrir rara oportunidade aos operadores.

A TotalEnergies terá obtido mais de mil milhões de dólares (868 milhões de euros) em lucros ao comprar carregamentos de petróleo em todo o Médio Oriente, numa altura em que o conflito com o Irão estrangulou o tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz, avançou o Financial Times.

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Os "traders" do gigante petrolífero francês compraram cerca de 70 carregamentos de crude produzido nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, com carregamento previsto para maio – mais do dobro das compras de fevereiro –, segundo uma pessoa próxima da empresa citada pelo FT.

Até agora, a TotalEnergies não fez quaisquer declarações públicas firmes sobre o assunto e disse ao FT que não comenta a sua atividade de trading.

Como colapsou o índice de referência

A oportunidade surgiu de uma perturbação específica na forma como o petróleo do Médio Oriente é cotado.

A S&P Global Platts, que gere o índice de referência do crude do Dubai – a principal referência de preços para as exportações de petróleo do Médio Oriente para a Ásia –, suspendeu a 2 de março, com efeito imediato, as nomeações de tipos de crude que necessitam de atravessar o estreito de Ormuz, depois de as principais companhias de transporte marítimo terem interrompido a passagem naquela rota devido ao aumento das preocupações de segurança.

Três das cinco qualidades de crude normalmente usadas para fixar o índice foram praticamente retiradas de circulação, ficando disponíveis para entrega apenas o Murban, de Abu Dhabi, carregado a partir do porto de Fujairah, e o crude de Omã.

Na altura, a Platts afirmou que a medida reduziu em cerca de 40% o volume de crude entregável no índice.

Com menos qualidades em negociação e a liquidez muito reduzida, o mercado ficou muito mais vulnerável ao domínio de um único operador.

A TotalEnergies ocupou esse espaço.

Embora a negociação em março tenha sido cerca de 50% mais intensa do que no mês anterior, apenas a TotalEnergies conseguiu acumular contratos parciais suficientes para constituir um carregamento completo, segundo o FT.

O preço do crude do Dubai subiu de cerca de 70 dólares por barril, pouco antes do início do conflito, para um máximo histórico em torno de 170 dólares na semana passada. O Brent, índice de referência internacional, atingiu cerca de 120 dólares por barril em meados de março, antes de recuar para perto de 113 dólares no final da semana passada.

Mercados «distorcidos»

Patrick Pouyanné, presidente executivo da TotalEnergies, tem sido aberto quanto à dimensão da disrupção, embora não revele os lucros de trading.

Em declarações à CNBC na semana passada, afirmou que o mundo «nunca tinha visto» margens de refinação nos níveis atuais e descreveu o mercado de produtos petrolíferos como «distorcido».

Advertiu que, se o conflito se prolongar pelo verão, o preço do gás natural na Europa poderá chegar aos 40 dólares por milhão de British thermal units (BTU), mais do dobro dos atuais cerca de 18 dólares.

Os próprios dados divulgados pela empresa traçam o retrato de um negócio simultaneamente penalizado e beneficiado pela guerra.

Num comunicado publicado em 13 de março, a TotalEnergies indicou que a produção tinha sido suspensa, ou estava em vias de o ser, no Qatar, no Iraque e ao largo dos Emirados Árabes Unidos, o que representa cerca de 15% da sua produção mundial total.

Assinalou, contudo, que os barris do Médio Oriente representam apenas cerca de 10% dos fluxos de caixa no segmento de upstream, devido à maior carga fiscal, e que uma subida de 8 dólares por barril no preço do Brent bastaria para compensar totalmente a produção perdida.

Compradores asiáticos sob pressão

A escalada dos preços do crude do Dubai atingiu duramente as refinarias asiáticas. Algumas têm pressionado a Saudi Aramco para mudar o índice de referência utilizado na fixação de preços, passando do Platts Dubai para o ICE Brent, de acordo com a agência Argus.

A 20 de março, a Platts deu mais um passo para reforçar o índice de referência, suspendendo o ajustamento negativo de qualidade aplicado ao crude Murban, de forma a maximizar a quantidade de petróleo entregável considerada no processo de fixação de preços.

A agência afirmou ter recolhido um vasto conjunto de contributos dos participantes de mercado a favor da medida.

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