Segundo o ministério da Defesa da Roménia, o drone caiu na cidade de Galati, no leste do país, durante um ataque russo à Ucrânia. Bucareste convocou embaixador da Rússia. NATO, Comissão Europeia e vários Estados-membros da UE, incluindo Portugal, já condenaram o incidente.
Um drone russo atingiu um prédio de apartamentos em Galati na Roménia, na fronteira com a Ucrânia, dando origem a um incêndio e provocando dois feridos ligeiros.
A informação foi avançada na madrugada desta sexta-feira pelas autoridades romenas, que denunciam uma "grave e irresponsável escalada" da Rússia.
“Na noite de 28 para 29 de maio, a Federação Russa retomou os seus ataques com drones contra alvos civis e infraestruturas na Ucrânia, junto à fronteira fluvial com a Roménia. Um desses drones entrou no espaço aéreo romeno, foi seguido por radar até à parte sul da cidade de Galati e acabou por cair sobre o telhado de um edifício residencial", informou, em comunicado, o ministério da Defesa da Roménia.
Galati faz fronteira com a cidade de Izmail, onde está situado o maior porto ucraniano no rio Danúbio e que é alvo frequente de ataques russos.
De acordo com a Inspeção Geral para Situações de Emergência da Roménia, toda a carga explosiva do drone foi detonada, o que causou um incêndio no 10.º andar do prédio residencial.
Depois de os radares romenos terem detetado drones no seu espaço aéreo, foram mobilizados dois caças F-16 e os pilotos receberam autorização para atacar alvos durante esta situação de emergência.
A chefe da diplomacia romena diz ter confirmação de que o veículo não tripulado em causa é de origem russa e convocou o embaixador de Moscovo no país, na sequência de "um incidente extremamente grave".
"Iremos comunicar oficialmente as consequências que esta falta de responsabilidade por parte da Federação Russa terá para as relações diplomáticas entre os nossos países, bem como os próximos passos a nível europeu no que diz respeito aos pacotes de sanções", escreveu Oana Toiu na rede social X.
O presidente da Roménia convocou esta manhã o Conselho Supremo de Defesa Nacional, avançou a governante.
Segundo o ministério dos Negócios Estrangeiros romeno, o secretário-geral da NATO foi informado da ocorrência, tendo sido solicitada a "transferência de capacidades antidrones para a Roménia".
A aliança atlântica já se pronunciou sobre este episódio, condenando a "imprudência" do Kremlin.
"O Secretário-Geral da Nato está em contacto com as autoridades romenas. Condenamos a imprudência da Rússia e a NATO continuará a reforçar as nossas defesas contra todas as ameaças, incluindo os drones", escreveu uma porta-voz da aliança na rede social X.
Roménia não abateu drone para evitar escalada
As autoridades romenas justificam a decisão de não abater o drone com a necessidade de evitar consequências mais graves.
“É uma questão legítima e os cidadãos precisam de saber que estamos a fazer tudo o que podemos, mas o Exército tem limitações muito rígidas nesta situação, porque não podemos correr o risco de criar mais ameaças do que aquelas que podemos prevenir", referiu Cristian Popovici, porta-voz do ministério da Defesa da Roménia, citado pela estação televisiva romena Digi24.
"A lei permite-nos abrir fogo em determinadas circunstâncias contra estes objetos utilizados no conflito na Ucrânia, mas sob condições em que a vida da população e a propriedade são protegidas”, clarificou.
O ministro da Defesa da Roménia, entretanto, confirmou que os caças receberam autorização para disparar, mas que seria demasiado perigoso entrar em combate sobre a cidade, pois tal "causaria maiores danos no município de Galați".
Numa publicação no Facebook, Radu Miruta explicou que qualquer ação contra o veículo não tripulado poderia ser vista como uma "uma interferência na guerra na Ucrânia, sendo a Roménia considerada parte do conflito".
Segundo Miruta, o drone era um Geran-2 que sobrevoou o espaço aéreo romeno durante quatro minutos. O ministro informou ainda ter discutido o caso com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e ter salientado a importância de estabelecer defesas aéreas na região oriental de Dobrogea, até que as capacidades antidrones encomendadas sejam entregues à Roménia.
O incidente surge um mês depois de um outro drone com uma carga explosiva ter caído num bairro nos arredores de Galati.
Os drones russos violaram o espaço aéreo romeno 28 vezes desde que Moscovo começou a atacar os portos ucranianos, acrescentou o ministério da Defesa da Roménia.
Ainda assim, esta foi a primeira vez que cidadãos romenos ficaram feridos na sequência destas incursões. A Rússia ainda não reagiu de forma oficial.
Ursula von der Leyen: Rússia "ultrapassou mais um limite"
A presidente da Comissão Europeia, Ursual von der Leyen, também já criticou os acontecimentos da última madrugada em Galati e manifestou "solidariedade" com a Roménia.
"A guerra de agressão da Rússia ultrapassou mais um limite. Uma incursão de um drone russo atingiu uma zona densamente povoada na Roménia, ferindo civis. Em território da UE. Manifestamos a nossa total solidariedade para com a Roménia e o seu povo", salientou a líder do executivo comunitário numa mensagem publicada no X, frisando que Bruxelas se prepara para aplicar mais sanções contra Moscovo.
"À medida que continuamos a reforçar a nossa segurança e dissuasão, especialmente na nossa fronteira oriental, continuaremos a aumentar a pressão sobre a Rússia. Estamos a preparar um 21.º pacote de sanções", referiu.
Portugal "condena fortemente ataque russo"
Vários Estados-membros da União Europeia, nomeadamente Portugal, reprovam, de forma enfática, a incursão do drone em solo romeno.
"Portugal condena fortemente o ataque russo em que um drone atingiu a cidade romena de Galati, provocando dois feridos", lê-se numa publicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) no X.
"Toda a nossa solidariedade para com a Roménia e para com a Ucrânia", completa o MNE.
Citado pela Agence France-Presse (AFP), Jean-Noël Barrot, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, fez menção a um "ato irresponsável" e anunciou que convocou o embaixador russo para pedir esclarecimentos.
A Moldova, ex-república soviética localizada entre a Ucrânia e a Roménia, vê este episódio com preocupação.
“Condeno veementemente os ataques de drones russos contra romenos nas suas próprias casas. Isto é grave”, declarou a presidente moldava Maia Sandu, ao mesmo tempo que se solidarizou com a Roménia e desejou "uma rápida recuperação aos feridos".
"A Rússia é um perigo para todos e precisa de ser travada”, alertou Sandu num texto publicado no X.
O presidente da Letónia, país vizinho da Rússia, foi dos primeiros a condenar o incidente e manifestou disponibilidade para ajudar a pôr em prática "medidas adequadas" que travem situações semelhantes.
"A Letónia condena o ataque com drones russo contra um edifício de apartamentos em Galați, na Roménia, que feriu duas pessoas. Desejo uma rápida recuperação aos feridos. A Letónia manifesta a sua total solidariedade para com a nossa aliada, a Roménia, e está disposta a apoiar as medidas adequadas para impedir tais violações", publicou Edgars Rinkevics no X.