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Drones bálticos testam segurança da UE em plena escalada de ameaças híbridas, alerta von der Leyen

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ouve durante a reunião no palácio presidencial em Vilnius, Lituânia, terça-feira, 26 de maio de 2026
Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen ouve durante a reunião no palácio presidencial em Vilnius, Lituânia, terça-feira, 26 de maio de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Angela Skujins
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as recentes incursões de drones no espaço aéreo da UE “não são casos isolados”, enquanto líderes bálticos e responsáveis da UE alertam para a escalada de ameaças híbridas da Rússia na fronteira leste da Europa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a sucessão recente de incursões de drones no espaço aéreo de países da União Europeia (UE) nas últimas semanas não constitui uma série de incidentes isolados, numa altura em que líderes bálticos e responsáveis da UE alertam para o agravamento das ameaças híbridas ao longo da fronteira oriental da Europa.

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"Esta é uma estratégia deliberada da Rússia para tentar desestabilizar as nossas sociedades democráticas", disse, ao lado dos chefes de Estado da Lituânia, Letónia e Estónia, numa conferência de imprensa em Vilnius, na terça-feira. "Quando os Estados bálticos são postos à prova, a Europa no seu conjunto é posta à prova", acrescentou.

Von der Leyen esteve na região báltica para reafirmar o apoio do bloco ao trio de países, repetidamente afetados por incursões nas últimas semanas, com pelo menos seis casos registados desde o início de maio.

"Esta é a realidade na fronteira oriental da Europa em 2026", afirmou von der Leyen, acrescentando: "Hoje é aqui, amanhã será noutro ponto da mesma fronteira".

Ao lado da presidente da Comissão Europeia na conferência de imprensa, o presidente lituano, Gitanas Nausėda, admitiu que os céus sobre os Estados bálticos "não estão suficientemente seguros".

O presidente estónio, Alar Karis, afirmou que estas violações do espaço aéreo e outras ameaças híbridas visam intimidar a Europa, mas que a resposta tem de ser calma, coordenada e "firme".

O presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, adotou um tom diferente, afirmando que estas tentativas híbridas têm uma explicação clara: "A Rússia está a falhar" no campo de batalha na Ucrânia.

O que aconteceu?

Um incidente na Letónia – e a incapacidade do governo de responder – levou à demissão da primeira-ministra Evika Siliņa e do ministro da Defesa Andris Sprūds.

Outro incidente, nos céus sensíveis sobre a capital finlandesa, Helsínquia, levou o ministério da Administração Interna a atualizar as orientações ao público. Os cidadãos são agora aconselhados a ir para dentro de edifícios, dirigir-se para uma divisão com paredes sólidas no centro e aguardar novas instruções.

Um incidente grave na Lituânia, na semana passada, levou o presidente e a primeira-ministra do país a descerem para bunkers subterrâneos, enquanto as autoridades à superfície tentavam compreender melhor a suspeita incursão perto da fronteira com a Bielorrússia.

Caças F-16 da Força Aérea Romena escoltam um avião de transporte C-27J Spartan durante um exercício de policiamento aéreo da NATO sobre o leste da Roménia, em 6 de março de 2024.
Caças F-16 da Força Aérea Romena escoltam um avião de transporte C-27J Spartan durante um exercício de policiamento aéreo da NATO sobre o leste da Roménia, em 6 de março de 2024. Copyright 2024 The Associated Press. All rights reserved

Caças F-16 romenos intercetaram também um drone ucraniano sobre o espaço aéreo da Estónia na semana passada. Na sequência da incursão, Heorhii Tykhyi, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, declarou: "Pedimos desculpa à Estónia e a todos os nossos amigos bálticos por incidentes involuntários deste tipo".

Questionada sobre se Bucareste ficou numa posição incómoda ao abater o aparelho de um dos seus aliados, a ministra romena dos Negócios Estrangeiros, Oana-Silvia Țoiu, afirmou à Euronews, na terça-feira, que a Rússia é responsável pelo incidente de interferência no sinal de GPS. Acrescentou ainda que muitas incursões anteriores de drones tiveram origem em Moscovo, algumas concebidas para matar.

"Em dois casos, tratava-se de drones que transportavam explosivos", disse Țoiu.

"É totalmente inaceitável e é por isso que, em coordenação com os Estados bálticos e o resto do flanco oriental, estamos a convocar embaixadores para transmitir que este é um limite que não deve ser ultrapassado nem nos Bálticos, nem na Roménia, nem em lado nenhum".

A responsável de Bucareste afirmou ser irrealista presumir que não existe risco, lembrando: "Temos fronteira com uma guerra", numa referência aos 600 quilómetros de fronteira da Roménia com a Ucrânia.

Fragilizar o apoio

O incidente na Lituânia, na semana passada, assinalou a primeira vez que um Estado-membro da União Europeia ou da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) ordenou aos civis que procurassem abrigo devido a uma suspeita incursão de drones.

O ministro da Defesa lituano, Robertas Kaunas, confirmou anteriormente à Euronews que foram tomadas as precauções adequadas e que o pânico imediato se dissipou. Mas permanecem dúvidas sobre como, e se, a Europa consegue manter-se à frente das manobras de Moscovo – sobretudo se os drones tiverem origem ucraniana – e se isto fragiliza o apoio ao país devastado pela guerra.

Uma lituana, Viktoria, de 24 anos, que vive na capital, contou que procura não pensar nas incursões de drones. 'Deixa-me muito ansiosa', disse à Euronews. Ainda assim, admite que por vezes se apanha a sonhar acordada em mudar-se para um país com uma relação menos tensa com a Rússia.

Pessoas procuram abrigo num parque de estacionamento subterrâneo durante um alerta de ataque aéreo em Vilnius, Lituânia, quarta-feira, 20 de maio de 2026.
Pessoas procuram abrigo num parque de estacionamento subterrâneo durante um alerta de ataque aéreo em Vilnius, Lituânia, quarta-feira, 20 de maio de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

Lituânia, Estónia e Letónia continuam a viver com o legado da ocupação soviética: um período que muitos na região encaram como décadas de anexação e repressão. Segundo Ondrej Ditrych, analista político no Instituto da UE para Estudos de Segurança (ISS), esta ansiedade latente faz parte da estratégia de Moscovo.

"Há um componente de guerra mental ou psicológica por parte da Rússia, de desviar intencionalmente drones ucranianos, basicamente sequestrando-os, para assustar a população europeia, criar uma experiência mais imediata do risco de guerra e, claro, também fragilizar o apoio à Ucrânia", afirmou.

Os esforços para corroer o apoio europeu a Kiev, seja enfraquecendo as sanções seja reduzindo a ajuda militar e financeira, falharam até agora. A chefe da diplomacia romena, Țoiu, afirmou que os 20 pacotes de sanções do bloco exerceram pressão sobre a máquina de guerra de Moscovo e, apesar de não haver um avanço que resulte numa paz duradoura, "também não vimos a Rússia ganhar a guerra".

Mentiras e desinformação

Além da guerra com drones, vários líderes bálticos acusam a Rússia de disseminar desinformação. O ministério da Defesa russo afirmou, na semana passada, que a Ucrânia planeava "ataques terroristas" contra as suas regiões, usando a Letónia e outros Estados bálticos como plataformas de lançamento.

O presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, tem desmentido repetidamente a ideia, classificando-a como "mentiras". Na terça-feira voltou a sublinhar: "Penso que é muito importante estarmos preparados para novas campanhas de desinformação ou novas provocações, talvez também atos de sabotagem", afirmou Rinkēvičs.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, descreveu de forma semelhante a campanha como "absolutamente ridícula, e a Rússia sabe-o". Rutte elogiou também a reação da aliança às incursões de drones, afirmando que foram enfrentadas com "uma resposta calma, decidida e proporcional".

Ditrych afirmou que a Rússia está a transformar em arma a incerteza e o caos, tanto no plano dos drones como da desinformação, e que a Europa tem de reforçar os sistemas de defesa aérea e promover melhor a preparação da população civil. "As ameaças híbridas não podem ser aceites como o novo normal", alertou a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, na Alemanha, em novembro passado.

"Temos de trabalhar juntos, de forma sistemática, para contrariar as ameaças híbridas e restaurar a dissuasão".

Resposta da UE

A Comissão Europeia reservou 800 mil milhões de euros para despesas ligadas à defesa, no âmbito do plano de rearmamento da Europa até 2030. Segundo a principal responsável da UE, isto reflete a perceção de que "a era do dividendo da paz terminou há muito".

Uma parcela importante deste montante será usada para financiar projetos de defesa ao longo do flanco oriental da Europa, como a denominada muralha de drones, que deverá estar operacional até ao final de 2027. O projeto prevê incluir defesas antidrones, como antenas 5G utilizadas como radares e interceptores guiados por inteligência artificial.

Além disso, os Estados-membros da UE puderam candidatar-se a um empréstimo para a defesa no âmbito do programa SAFE (Security Action for Europe) do bloco. Os Bálticos receberão um total de 12 mil milhões de euros ao abrigo da iniciativa, com o objetivo de reforçar a infraestrutura militar transfronteiriça e prestar um apoio mais robusto às forças terrestres, entre outras vertentes.

O chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, em Berlim, Alemanha, terça-feira, 14 de abril de 2026.
O chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, em Berlim, Alemanha, terça-feira, 14 de abril de 2026. AP

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, na terça-feira, que uma forma de colmatar lacunas de capacidades que classificou como "vulneráveis" ao longo da fronteira oriental da Europa passa por uma cooperação mais estreita com a NATO.

O objetivo é avaliar "os sistemas antidrone e de alerta precoce em toda a região, para que possamos identificar em conjunto as lacunas críticas e depois acelerar o apoio onde ele é mais necessário e colmatar essas lacunas", explicou.

Von der Leyen sublinhou também que há ainda muito trabalho a fazer no que toca a mitigar a guerra híbrida.

"Novas formas" de pressão

No início de maio, quando os incidentes com drones abalaram pela primeira vez os Estados bálticos, o comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, afirmou que, à medida que a Rússia aplica 'novas formas' de pressão sobre os países ao longo do flanco oriental da NATO, o seu esforço no campo de batalha se está a enfraquecer.

O objetivo disto, disse, é "amedrontar" as populações da região e enfraquecer o apoio à Ucrânia.

Um diplomata da UE, que falou à Euronews sob condição de anonimato, partilhou esta análise, afirmando que estas tentativas de guerra híbrida refletem os reveses da Rússia noutros palcos. Acrescentou que incidentes deste tipo, em particular incursões de drones, deverão continuar à medida que Moscovo enfrenta dificuldades noutras frentes.

"A Rússia está cada vez mais desesperada e, em certa medida, também mais perigosa", afirmou Rinkēvičs.

Nausėda afirmou que cortes de cabos, tentativas de incêndio, incursões de drones e campanhas de desinformação fazem todos parte do manual de guerra psicológica de Moscovo. "Visam semear o medo, desestabilizar as nossas sociedades e testar a determinação da Europa e da NATO", disse.

"Agradecemos a mensagem clara de solidariedade que a Comissão Europeia enviou aos Estados bálticos. Mas palavras de solidariedade, por si só, já não chegam. A Europa tem de agir de forma rápida e concreta".

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