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Portugal entre países da UE onde maior percentagem de pessoas trabalha perto de 50 horas por semana

Portugal entre os países da UE onde existem mais trabalhadores com jornadas prolongadas
Portugal entre os países da UE onde existem mais trabalhadores com jornadas prolongadas Direitos de autor  AP Photo/Jeff Chiu, File
Direitos de autor AP Photo/Jeff Chiu, File
De Ema Gil Pires
Publicado a Últimas notícias
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Uma análise recente da Randstad, com base em dados referentes ao último trimestre de 2025, indica que só na Grécia, Chipre e França existia uma maior percentagem de funcionários a trabalhar habitualmente 49 horas ou mais por semana no seu emprego principal.

Portugal é o quarto país da União Europeia no qual a percentagem de profissionais que habitualmente trabalham 49 horas ou mais por semana no seu emprego principal é mais elevada, bem acima dos períodos normais definidos, de 35 horas na função pública e de 40 horas no setor privado.

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Uma análise recente apresentada pela Randstad Research, com base em dados referentes ao último trimestre de 2025, apontava para 9,1% de colaboradores em território português nessa situação, acima da média do bloco europeu (6,5%).

Só na Grécia (12,4%), Chipre (10%) e França (9,7%) se contabilizava uma ainda maior proporção de funcionários a passar, pelo menos, 49 horas semanais a cumprir tarefas laborais. Como destacam as estimativas da Randstad, Portugal apresentava, deste modo, "uma incidência de jornadas [de trabalho] longas maior do que economias como a Alemanha ou Espanha", onde a percentagem de profissionais sujeitos a horários extensos se fixava nos 5% e nos 6,3%, respetivamente.

No entanto, o cenário tem vindo a evoluir positivamente ao longo dos últimos anos, revela o estudo. Mas, ainda assim, Portugal permanece longe do padrão de outras economias do bloco. "Embora se tenha registado uma redução desde 2000, Portugal mantém uma cultura de horários extensos acima da média europeia."

Em causa uma realidade que "afeta desproporcionalmente os empregadores e trabalhadores por conta própria": no primeiro dos casos, cerca de 35% estavam regularmente sujeitos a horários de pelo menos 49 horas por semana em 2024, enquanto no segundo a percentagem rondava os 20%. Já no que diz respeito aos assalariados, são muito menos aqueles que eram, por essa altura, expostos a jornadas tão longas (6,8%).

População ativa em Portugal está agora mais qualificada

A análise da Randstad aponta ainda para uma evolução favorável das qualificações da população ativa, entre os 15 e os 64 anos, em Portugal. **"**A proporção de ativos com formação superior triplicou desde 1992, subindo de 11,4% para os atuais 33,7% no fecho de 2024."

Ainda assim, o país permanecia, no quarto trimestre de 2025, com apenas 36,2% destes cidadãos a ter completado o ensino superior. Indicador que fica abaixo da média dos 27 Estados-membros da União Europeia (39,2%), todos eles tidos em consideração nestas estimativas, sendo, dessa forma, o oitavo pior país nesta matéria.

Era na Irlanda (57,3%) que existia uma maior proporção de ativos com educação superior, contrastando largamente com a Roménia (22,7%), do outro lado da tabela.

Apesar da "análise histórica" demonstrar "uma qualificação sem precedentes da força de trabalho nacional" ao longo dos anos, a Randstad reporta que, no último trimestre do ano passado, Portugal ainda apresentava "a maior percentagem da UE de profissionais com baixas qualificações (29,1%), valor que duplica a média europeia (14,7%)".

O país que mais se destacava pela positiva era a Lituânia, onde apenas 2,2% dos funcionários não chegaram a completar o ensino secundário.

A participação dos estrangeiros no mercado laboral

Considerando os 27 Estados-membros do bloco europeu, o peso dos cidadãos estrangeiros na população ativa rondava os 10,5% no quarto trimestre de 2025**.** Em Portugal, a proporção era mais baixa (7,9%), ficando ainda "distante de países como o Luxemburgo", com 54,4%, "ou inclusive Espanha", com 16,8%.

Olhando para o contexto nacional, regista-se "um crescimento acentuado e recente" neste indicador: "A representação de estrangeiros na força de trabalho disparou" desde 2000 (1,4%), tendo alcançado os "6,6% no fecho de 2024".

O aumento expressivo registado, mais concretamente, "nos últimos dois anos reflete a nova dinâmica de atração de talento e a importância crescente da imigração para a sustentabilidade do mercado de trabalho português", sustenta a Randstad.

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