A economia britânica encolheu 0,1% em abril, a primeira queda mensal desde agosto de 2025, devido ao conflito no Médio Oriente, que fez subir os custos da energia e levou as famílias a conter despesas.
A economia do Reino Unido encolheu 0,1% em abril, segundo dados publicados esta sexta-feira pelo Office for National Statistics (ONS), o que pôs fim a uma sequência de crescimento mensal iniciada no verão passado e indica que a guerra no Irão começa a pesar sobre a produção britânica.
Os serviços, o principal setor da economia britânica, recuaram 0,2% no mês, enquanto a produção industrial ficou estável e a construção subiu 0,1%. Nos três meses até abril, o PIB ainda avançou 0,7%, o quinto período consecutivo de crescimento trimestral.
O maior travão à atividade veio das atividades desportivas, de diversão e recreativas, que tiveram uma queda de 9,1%. O ONS atribuiu parte desta descida ao cancelamento de vários eventos desportivos no Médio Oriente, que atingiu as receitas de empresas sediadas no Reino Unido.
Os serviços dirigidos ao consumidor caíram 0,5%, com o comércio a retalho a recuar 1,3%.
"Embora o crescimento em três meses se mantenha, o primeiro trimestre do ano parece cada vez mais um falso arranque e, com sucessivas resoluções sobre os EUA e o Irão a não passarem, as condições vão continuar difíceis por mais tempo", afirmou Stuart Clark, gestor de carteiras na Quilter.
Sanjay Raja, economista-chefe para o Reino Unido no Deutsche Bank, assinalou também que o consumo de combustíveis caiu quase 10%, à medida que os consumidores retraíram a despesa.
"À medida que o conflito no Irão se desenrola, é claro que o choque energético começa a fazer-se sentir nas famílias e nas empresas", disse Raja.
A indústria transformadora foi uma das poucas notas positivas, ao subir 0,4% graças aos setores farmacêutico e de metais básicos, o que, segundo Raja, poderá refletir empresas a constituírem reservas 'num contexto de elevada incerteza geopolítica'.
Reino Unido: dor de cabeça crescente para o Banco de Inglaterra
O ONS indicou, num relatório separado, que 40% das empresas com atividade comercial viram em abril subir os preços dos bens que compraram, a maior percentagem desde dezembro de 2022, o que evidencia as pressões inflacionistas que os decisores enfrentam.
Os números deverão complicar a tarefa do Banco de Inglaterra, numa altura em que os responsáveis pela política monetária ponderam o agravamento das pressões sobre os preços face aos sinais de abrandamento do crescimento económico.
"Num contexto que faz lembrar a estagflação, a última coisa que quer fazer é subir as taxas de juro, mas é isso que está a ser descontado nos mercados, já que, para já, a inflação continua a ser a maior preocupação", afirmou Clark sobre o Banco de Inglaterra, que anuncia a próxima decisão sobre juros na próxima quinta-feira.
Raja prevê um novo abrandamento do crescimento e avisa que "a atividade continuará a desacelerar à medida que os rendimentos reais forem comprimidos pelos preços mais altos da energia e que taxas de mercado mais elevadas comecem a consumir ainda mais o orçamento das famílias".
O Deutsche Bank continua a prever que a economia do Reino Unido cresça 1% este ano, superando a maioria dos restantes membros do G7.