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Espanha: bares reforçam cerveja e pessoal para o Mundial

Alguns adeptos celebram um golo durante o Euro 2024 num bar em Mataró.
Adeptos festejam um golo da Euro 2024 num bar em Mataró Direitos de autor  AP Photo
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De Cristian Caraballo
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A restauração espera que o percurso da seleção encha os seus estabelecimentos, mas admite que a pandemia mudou hábitos e que o fuso horário com a América dificulta a afluência nos primeiros jogos.

Mais de metade dos adeptos de futebol em Espanha tenciona ver os jogos do Mundial 2026 num bar. É o número avançado por um estudo da LaLiga sobre hábitos de consumo de futebol e que coloca os espanhóis entre os europeus que mais escolhem acompanhar os torneios fora de casa.

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Mas a realidade no terreno é mais matizada. Santi Vidal, dono do bar El Cuadro, no bairro madrileno de Carabanchel, não espera uma enchente nos primeiros jogos: "As pessoas preferem vê-los em casa. Esperamos uma mobilização importante à medida que a Roja for avançando na classificação", afirmou à RTVE. Para o primeiro encontro, com Cabo Verde, não prepararam nada de especial.

Vidal aponta a pandemia como ponto de viragem: "Antes do coronavírus, uma noite de futebol era uma autêntica loucura. Depois da COVID-19, muita gente prefere estar tranquila e reunir-se com amigos em casa".

Uma mudança de hábitos confirmada pelos próprios dados: segundo a consultora Worldpanel, da Numerator, dois em cada três adeptos vão acompanhar o Mundial a partir da sala de estar e gastarão mais 6 % em comida e bebidas para levar para casa. O relatório da Glovo vai mais longe: estima essa preferência pelo lar em 80 % dos espanhóis, com pizza e hambúrgueres entre os pedidos mais frequentes durante os jogos.

A associação patronal do setor, a Hostelería de España, calcula que os bares podem aumentar os lucros entre 25 % e 30 % nos dias de jogo em horário mais favorável. Se Espanha chegar à final, o benefício agregado para o setor poderá superar os 130 milhões de euros. A despesa média por consumidor durante o torneio deverá crescer cerca de 11 %, com um gasto estimado entre 13 e 18 euros por pessoa e por jogo.

A associação patronal assinala ainda um efeito colateral: quando os jogos são transmitidos em sinal aberto, os restaurantes registam uma quebra nas reservas. Nesses casos, aumentam os pedidos através de plataformas de entrega de comida ao domicílio. O relatório da Glovo confirma-o: 82 % dos inquiridos faz as encomendas antes de começar o jogo, dando prioridade a pizza e hambúrgueres.

Para tentar atrair clientela, vários estabelecimentos estão a ajustar a oferta. Julocho García, que no ano passado comprou o quiosque de praia El Amarillo, em Cabañas, na Corunha, vai alterar temporariamente a carta habitual de produtos frescos para sandes, nachos, hambúrgueres e empanada: "Sabemos que as pessoas querem petiscos e comida rápida para ver os jogos". No bar El Portón, em Villarrubia de los Ojos (Cidade Real), Jacob Medina tem pessoal de reforço avisado há semanas: "Se Espanha avança na eliminatória, o bar enche 50 % ou até 70 % mais do que o habitual", disse à TVE.

As marcas e distribuidoras também se mobilizaram. Medina conta que o seu fornecedor habitual lhe forneceu material para além das bebidas: "Temos decoração, bandeirolas, tintas para pintar a cara, ofereceram-nos cartões 'rasca e ganha' com sorteios e produtos de merchandising". O próprio bar decidiu ainda sortear um cachecol oficial da seleção espanhola entre a clientela.

Medina acrescenta um elemento pouco habitual na análise do Mundial na restauração espanhola: a seleção de Marrocos. "Em Villarrubia há muita população migrante originária desse país. Vivem o Mundial com muita intensidade e sabem que Marrocos tem hipóteses, por isso espero ver o bar cheio também se a equipa de Mohamed Ouahbi chegar longe".

A diferença horária com os Estados Unidos, o Canadá e o México é outro fator que os donos de bares têm em conta. Os jogos com Cabo Verde e a Arábia Saudita jogam-se às 18:00; o Espanha-Uruguai de 27 de junho, às 2:00. Para Vidal, o horário vespertino joga contra em cidades como Madrid: "Com 40 ºC as pessoas não vão sair de casa para ir ao bar". García, pelo contrário, vê-o como uma vantagem para o seu quiosque na costa galega: "As pessoas dão um mergulho ao fim da tarde e depois vêm ver o jogo. Quando acabar o encontro, é a hora perfeita para jantar". Tão convencido está que pondera abrir também para os jogos de madrugada, se houver procura.

Na cadeia de distribuição também se nota o movimento. Guillermo López Menchero, comercial da distribuidora Menchero Gil S.A., em Villarta de San Juan (Cidade Real), explica que os bares andam há semanas a antecipar encomendas: "Costumam fazê-lo para não ficarem sem stock, sobretudo de cerveja, refrigerantes e água". Este ano, além disso, a mudança de marca de cerveja com que trabalham gerou um interesse adicional entre os estabelecimentos da província.

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