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Warsh assume comando: Fed pondera próxima decisão sobre juros

Presidente dos EUA Donald Trump fala com o presidente da Reserva Federal Kevin Warsh durante a tomada de posse deste na Casa Branca, em 22 de maio de 2026
Presidente dos EUA Donald Trump fala com o presidente da Reserva Federal Kevin Warsh durante a tomada de posse deste na Casa Branca, em 22 de maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Alex Brandon
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De Quirino Mealha
Publicado a Últimas notícias
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A Reserva Federal abre uma nova fase esta quarta-feira, com Kevin Warsh a liderar a primeira reunião de política monetária. As taxas deverão manter‑se, mas os investidores procuram pistas sobre como o novo líder orientará o banco central

Arranca a sério esta quarta-feira a era de Warsh na presidência da Fed: a escolha do presidente dos EUA, Donald Trump, para liderar a Reserva Federal preside à sua primeira decisão sobre taxas de juro e enfrenta as câmaras na estreia em conferência de imprensa no cargo.

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Poucos economistas antecipam medidas dramáticas no primeiro dia, mas a reunião assume um peso invulgar pelo que poderá revelar sobre os próximos meses.

Espera-se que os responsáveis pela política monetária mantenham a taxa diretora na faixa de 3,50% a 3,75%, o que assinalaria a quarta reunião consecutiva sem alterações. O comité cortou a taxa em 25 pontos base em dezembro de 2025.

A grande questão passa pela linguagem, com responsáveis a admitirem rever o comunicado pós-reunião para eliminar qualquer indicação de que o próximo passo será uma baixa, sinalizando antes que as taxas poderão permanecer elevadas durante algum tempo, ou até subir se a inflação se revelar persistente.

Warsh herda um enquadramento bem menos acomodatício do que aquele que enfrentava quando, no ano passado, era amplamente visto como em campanha para o cargo.

Nessa altura, defendia com veemência taxas mais baixas, ecoando as exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, e apontava a inteligência artificial como força capaz de expandir a capacidade produtiva da economia e moderar os preços ao longo do tempo.

Muitos economistas duvidavam já então dessa tese, salientando que a vaga de investimento em semicondutores e equipamento informático estava a acrescentar pressão inflacionista, em vez de a aliviar.

Contexto económico muda

Inflação acelerou, de facto desde o início da guerra no Irão, no final de fevereiro, atingindo um máximo de três anos, de 4,2%, impulsionada sobretudo pela gasolina mais cara.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um enquadramento para um acordo de paz que poderá pôr termo ao conflito, mas permanece incerto se a trégua irá manter-se, e os preços dos combustíveis, bens alimentares e viagens de avião poderão demorar meses a abrandar, mesmo que o petróleo do Médio Oriente volte a fluir sem constrangimentos.

Segundo o indicador preferido da Fed, a inflação permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos. A criação de emprego, por seu lado, tem-se mantido robusta.

Em maio foram criados 172 mil postos de trabalho, terceiro mês consecutivo de ganhos sólidos, o que retira grande parte da justificação para os dois cortes de juros que a Fed inscrevera de forma indicativa nas projeções de janeiro.

Como a própria taxa parece estabilizada, a atenção desloca-se para o novo Resumo das Projeções Económicas da Fed e para o muito seguido «gráfico de pontos», a projeção trimestral das futuras taxas de juro.

Segundo o economista do Bank of America Aditya Bhave, o novo gráfico de pontos poderá mostrar a Fed a manter as taxas inalteradas até ao final de 2026, com pelo menos três dos 12 membros com direito a voto no comité a inscreverem de forma indicativa subidas de juros ainda este ano.

Kevin Warsh antes de prestar juramento como presidente da Reserva Federal na Casa Branca, 22 de maio de 2026
Kevin Warsh antes de prestar juramento como presidente da Reserva Federal na Casa Branca, 22 de maio de 2026 AP Photo/Manuel Balce Ceneta

A comunicação é a outra incógnita. Warsh tem defendido que o banco central deve falar menos e manter um perfil mais discreto, por considerar que posições assumidas em público podem prender os responsáveis a defendê-las muito para além do período em que fazem sentido.

Uma opção passaria por reduzir o calendário de conferências de imprensa, retomando o ritmo de uma reunião sim, outra não, preferido por Ben Bernanke, que presidiu à Fed entre 2006 e 2014, quando o formato foi introduzido. Uma orientação mais enxuta, porém, arrisca perturbar mercados há muito habituados a indicações claras.

A adensar o enredo, o antecessor Jerome Powell mantém-se no conselho de governadores, um lugar que pode conservar até janeiro de 2028, devendo votar a decisão de quarta-feira e impedindo a administração Trump de ganhar mais uma vaga para preencher.

Outras fontes • AP

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