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Uzbequistão: oferta recorde desvia foco de financiamentos para mercados de capitais

Informação do índice FTSE é mostrada no interior da Bolsa de Londres, na City de Londres, segunda-feira, 17 de março de 2025.
Informação de mercado do FTSE é exibida dentro da Bolsa de Valores de Londres, na City de Londres, segunda-feira, 17 de março de 2025. Direitos de autor  AP Photo/Kin Cheung
Direitos de autor AP Photo/Kin Cheung
De Rushanabonu Aliakbarova & Dilbar Primova
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Responsáveis da Bolsa de Londres, da Franklin Templeton e do governo do Uzbequistão afirmam que a governação e a liquidez continuam no centro das reformas

A maior operação de sempre do Uzbequistão nos mercados de capitais destacou o crescente interesse dos investidores no país e nas suas reformas económicas, ao mesmo tempo que desloca a atenção para a próxima fase de desenvolvimento dos seus mercados financeiros.

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A entrada em bolsa do Fundo Nacional de Investimento do Uzbequistão, gerido pela Franklin Templeton, angariou mais dinheiro do que todas as ofertas públicas iniciais realizadas no país nos últimos 30 anos em conjunto, segundo Marius Dan, diretor executivo para a Ásia Central da Templeton Global Investments.

Para investidores e operadores de mercado, a operação chamou a atenção para uma questão mais ampla: como é que o Uzbequistão desenvolve as regras, as instituições e a profundidade necessárias para sustentar os mercados de capitais, o financiamento por dívida, o capital de risco e o investimento privado.

"O que os investidores querem realmente saber é que vão colocar o seu dinheiro e que o vão recuperar", afirmou à Euronews Julia Hoggett, diretora executiva da Bolsa de Londres.

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Hoggett explicou que os investidores começam normalmente por analisar os fundamentos de um país, incluindo a estabilidade da moeda, a inflação, o crescimento económico, as tendências demográficas e os ativos, antes de olharem para o enquadramento regulamentar.

Construir a infraestrutura do investimento

O Uzbequistão prepara nova legislação financeira, numa tentativa de alargar a gama de formas de financiamento disponíveis para empresas e investidores.

Laziz Kudratov, ministro do Investimento, Indústria e Comércio do país, disse à Euronews que a legislação que cria o Centro Financeiro Internacional de Tashkent deverá ser assinada em breve.

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O projeto prevê a criação de uma jurisdição separada, baseada em princípios de common law. Kudratov afirmou que o objetivo é oferecer às instituições financeiras estrangeiras um enquadramento jurídico assente em normas internacionais, em vez de as obrigar a operar apenas ao abrigo da legislação local.

Acrescentou que a jurisdição prevista incluirá 50 anos de incentivos fiscais, nomeadamente isenções de imposto sobre o rendimento das sociedades, de imposto sobre o valor acrescentado (IVA), de imposto sobre o património e de direitos aduaneiros.

O governo prepara também legislação que abrange estruturas de investimento alternativas, incluindo capital de risco, capital privado e modelos de investimento de sócio comanditário e sócio gestor.

"Estamos igualmente a avançar com uma nova lei sobre investimentos alternativos", disse Kudratov. "Criará um quadro de proteção para o capital de risco, o investimento LP e GP e o capital privado no Uzbequistão."

Dan afirmou que a entrada em bolsa do Fundo Nacional de Investimento mostrou que os investidores internacionais estão dispostos a participar quando as operações são estruturadas da forma adequada.

"A oferta pública inicial do Fundo Nacional de Investimento mostra que, com a estrutura certa, os investidores estão muito interessados em participar nos mercados de capitais do país", afirmou.

Criar um mercado mais profundo

Dan disse que o mercado de capitais do Uzbequistão precisará de mais empresas, maior liquidez e mais investidores institucionais estrangeiros nos próximos anos.

Acrescentou que a continuação das entradas em bolsa de empresas estatais, tanto dentro como fora da carteira do Fundo Nacional de Investimento, será importante para alargar o universo de investimento.

Os mercados locais de dívida também começam a atrair mais atenção, referiu, com os investidores particulares a olharem com mais atenção para oportunidades de investimento dentro do Uzbequistão.

Kudratov afirmou que as reformas introduzidas desde 2017 alteraram o ambiente de investimento, através de reformas fiscais, da liberalização da moeda e da eliminação de restrições à repatriação de lucros.

"Qualquer investidor pode vir, investir e retirar os seus lucros do país no prazo de um dia", disse.

Para Hoggett, a confiança dos investidores depende também de um histórico comprovado.

"Não se pode mudar tudo de um dia para o outro e dizer às pessoas que têm de acreditar. Precisam de provas para o ver", afirmou.

Alargar a participação

O crescimento dos mercados locais de dívida e a entrada de mais investidores particulares são, segundo Dan, sinais iniciais de que o mercado financeiro do Uzbequistão começa a alargar-se para além do capital institucional estrangeiro.

Hoggett afirmou que os mercados públicos podem desempenhar um papel mais amplo, ao abrirem oportunidades de investimento a mais participantes.

"Os mercados públicos estão a tornar-se mais acessíveis", disse.

Hoggett acrescentou que as empresas privadas pertencem muitas vezes a um grupo relativamente reduzido de investidores, enquanto os mercados públicos permitem que uma base mais alargada de investidores acompanhe o crescimento das empresas. Esse acesso mais amplo implica requisitos de divulgação de informação mais rigorosos para os emitentes.

No caso do Uzbequistão, alargar a participação significaria mais do que atrair capital estrangeiro. Passaria também por criar oportunidades para que os investidores nacionais participem no crescimento das empresas cotadas, dos mercados de dívida e de outros produtos financeiros.

Governação e disciplina de mercado

A governação mantém-se central para o desenvolvimento dos mercados de capitais do Uzbequistão.

Dan referiu que várias empresas da carteira do Fundo Nacional de Investimento já introduziram mudanças ao nível dos conselhos de administração, incluindo a nomeação de administradores independentes.

"A governação corporativa é fundamental", afirmou.

Descreveu o reforço da supervisão das empresas estatais como parte do esforço para melhorar o seu funcionamento.

Hoggett salientou que os mercados públicos também impõem disciplina às empresas que procuram capital.

"A primeira regra para fazer uma OPI é cumprir as previsões, concretizar o que se diz que se vai fazer", afirmou.

Isso exige que as empresas criem sistemas, mecanismos de controlo, capacidade contabilística, equipas financeiras e processos de planeamento, disse. Hoggett acrescentou que essas estruturas podem ajudar as empresas a operar em maior escala e a crescer mais depressa.

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