Maior empresa europeia por capitalização bolsista, a ASML continua a beneficiar do boom da IA e elevou a previsão de vendas anuais para 43 a 45 mil milhões de euros, fazendo subir as ações mais de 5%.
A forte procura por sistemas de inteligência artificial reforçou o desempenho da fabricante neerlandesa de equipamentos para semicondutores ASML, levando a empresa a rever em alta as previsões para o conjunto do ano, depois de ter apresentado na quarta-feira resultados trimestrais melhores do que o esperado.
A ASML é uma peça crucial da economia mundial e um importante barómetro do sector tecnológico, já que tudo, dos smartphones aos mísseis, depende dos semicondutores produzidos com as suas máquinas.
A empresa, com sede em Veldhoven, nos Países Baixos, afirmou esperar que as vendas líquidas totais em 2026 se situem entre 43 mil milhões e 45 mil milhões de euros, com uma margem bruta entre 54% e 56%. Anteriormente previa vendas líquidas anuais entre 36 mil milhões e 40 mil milhões de euros e uma margem bruta entre 51% e 53%.
“Os investimentos contínuos ligados à IA e os progressos permanentes nas tecnologias de IA estão a impulsionar a procura de chips avançados de lógica e de memória, reforçando ainda mais as perspetivas de crescimento da indústria dos semicondutores”, afirmou em comunicado o presidente e diretor executivo da ASML, Christophe Fouquet.
No período de três meses entre abril e junho, a ASML registou vendas líquidas totais de 9,3 mil milhões de euros, acima do esperado. No mesmo período do ano passado, tinham sido de 7,7 mil milhões de euros. A margem bruta foi de 54%. Os lucros líquidos também superaram as previsões no segundo trimestre, atingindo 2,9 mil milhões de euros, face aos 2,3 mil milhões registados no mesmo período do ano anterior.
Os investidores acompanharam os resultados com particular atenção, depois de várias quedas acentuadas no sector tecnológico devido ao receio de que a bolha da IA possa estar a aproximar-se do ponto de rutura.
Ben Barringer, responsável pela análise de tecnologia na Quilter Cheviot, afirmou que “os resultados da ASML reforçam quão forte continua a ser a procura em todo o sector dos semicondutores. A empresa apresentou resultados claramente acima do esperado e reviu em alta as previsões, com uma procura particularmente robusta tanto de chips de memória como de lógica, embora a memória esteja atualmente a crescer mais depressa”.
Segundo a ASML, o investimento sustentado em IA está a impulsionar a procura de chips avançados. “O volume de encomendas permaneceu extremamente forte na primeira metade do ano”, disse Fouquet, acrescentando que os clientes da empresa “continuam a acelerar os seus planos de aumento de capacidade”, o que dá à ASML “maior visibilidade sobre a procura a mais longo prazo”.
A ASML é a única empresa no mundo que fabrica máquinas de litografia de ultravioleta extremo (EUV) utilizadas para produzir os semicondutores mais avançados.
A forte procura levou a ASML a planear um aumento de cerca de 30% da capacidade de produção no próximo ano, tanto das suas máquinas de fabrico de chips mais avançadas de ultravioleta extremo (EUV) como dos sistemas mais antigos de ultravioleta profundo (DUV). A empresa pondera ainda uma nova expansão de 30% em 2028, ao mesmo tempo que continua a alargar a atividade de modernização das suas máquinas.
A ASML disse esperar vendas líquidas entre 11 mil milhões e 12 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2026.
“Terrorismo tecnológico”
A empresa ficou presa no fogo cruzado da disputa tecnológica entre os Estados Unidos e a China e já tinha advertido que as suas vendas ao mercado chinês iriam “cair significativamente” este ano.
O diretor financeiro, Roger Dassen, afirmou que a ASML espera que a China represente cerca de 20% das suas vendas em 2026.
“Pode dizer‑se que o mercado chinês está a evoluir em sintonia com o comportamento geral que observamos a nível global”, disse Dassen.
Washington lidera os esforços para limitar as exportações de alta tecnologia para a China, por receio de que possam ser usadas para reforçar as capacidades militares do país.
Pequim reagiu com veemência a estas medidas, descrevendo‑as como “terrorismo tecnológico”.
No mês passado, a ASML negou notícias de que os Estados Unidos estariam preocupados com a presença na China de uma das suas máquinas avançadas de fabrico de chips, o que poderia violar as restrições.
Em janeiro, a ASML anunciou uma reorganização interna que deverá resultar na perda de cerca de 1 700 postos de trabalho nos Países Baixos e nos Estados Unidos, sobretudo em cargos de liderança.
A empresa emprega cerca de 44 000 pessoas em todo o mundo.