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Porsche lucra mais 34% apesar da quebra na China e da queda nas vendas

Arquivo – Escultura com carros Porsche no complexo da fábrica da marca em Estugarda, 11 de março de 2016
Arquivo - Escultura com carros Porsche no complexo da fábrica da marca em Estugarda, 11 de março de 2016 Direitos de autor  AP Photo/Michael Probst
Direitos de autor AP Photo/Michael Probst
De Indrabati Lahiri
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Porsche manteve as previsões anuais, com a redução de custos e o aumento das vendas do 911 a impulsionarem o lucro, apesar da queda de 32% nas entregas na China e dos planos para cortar milhares de empregos até 2035

A fabricante alemã de automóveis de luxo Porsche AG anunciou esta quarta-feira uma subida de 34% no lucro operacional do primeiro semestre, para 1,35 mil milhões de euros, apesar da quebra do volume de negócios e de uma descida de dois dígitos nas entregas de veículos. O resultado superou a previsão média dos analistas, que apontava para 1,26 mil milhões de euros, segundo a S&P Global Visible Alpha.

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Antes principal fonte estável de lucros do grupo Volkswagen, a Porsche foi particularmente penalizada pela queda da procura chinesa por automóveis alemães de luxo e por vendas de veículos elétricos abaixo do esperado.

O construtor alemão de automóveis desportivos atribui a subida dos resultados a uma gestão mais rigorosa de custos, preços e do seu portefólio de produtos, em linha com a estratégia de “valor acima de volume”.

Ainda assim, o reforço dos lucros foi igualmente apoiado por custos de reestruturação significativamente mais baixos. A Porsche registou um encargo líquido de cerca de 100 milhões de euros relacionado com a sua reorganização estratégica no primeiro semestre de 2026, contra aproximadamente 800 milhões um ano antes.

O volume de negócios recuou 5,1%, para 17,23 mil milhões de euros, face aos 18,16 mil milhões no mesmo período do ano passado. Ainda assim, a margem operacional de vendas aumentou para 7,8%, contra 5,5%.

“Ao longo dos últimos seis meses, a equipa da Porsche trabalhou de forma muito intensa e com grande disciplina na nossa estratégia. Ainda temos, porém, muito trabalho pela frente para posicionar a Porsche de forma robusta para um futuro exigente”, afirmou o presidente executivo, Dr. Michael Leiters, em comunicado.

As maiores vendas dos modelos 911, automóveis desportivos de elevado valor da marca, também contribuíram para sustentar as indicações anuais e os resultados, sobretudo nas versões GTS, Turbo e GT. Já as vendas dos modelos Taycan, Panamera e Macan diminuíram.

As entregas no primeiro semestre do ano totalizaram 122 306 veículos, menos 16,5% do que um ano antes. Na China, as entregas caíram 32%, para 14 501 veículos, num contexto que a empresa descreve como um ambiente de mercado difícil e de manutenção do foco em vendas orientadas para o valor.

Apesar desta evolução, a Porsche prevê que o volume de negócios anual se situe entre 35 e 36 mil milhões de euros. Em 2025, o volume de negócios atingiu 36,27 mil milhões de euros. A empresa espera uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% este ano.

A projeção destaca-se numa altura em que vários outros grandes construtores alemães reduziram as suas expectativas financeiras, perante o agravamento das condições na China, pressões de custos e um sentimento de consumo mais fraco.

Alemanha: Porsche prevê eliminar mais 5 000 postos de trabalho até 2035

A Porsche AG anunciou na segunda-feira que irá cortar mais 5 000 postos de trabalho até 2035, procurando reduzir custos e, ao mesmo tempo, proteger os principais locais de produção na Alemanha de despedimentos obrigatórios. A decisão integra um acordo com os representantes dos trabalhadores.

A medida soma-se a um plano já anunciado para eliminar 3 900 postos de trabalho até 2030, incluindo 2 000 trabalhadores temporários. A Reuters estima que os cortes previstos pela Porsche totalizam cerca de 9 000 posições.

A estratégia para suprimir os 5 000 postos passará por uma combinação de regimes de pré-reforma alargados, saídas naturais e acordos de rescisão voluntária, segundo a empresa e o conselho de trabalhadores.

Em contrapartida, as garantias de emprego e de manutenção dos locais de produção em Zuffenhausen e Weissach serão prolongadas até ao final de 2035, excluindo despedimentos obrigatórios durante esse período.

A concorrência mais intensa dos fabricantes chineses, as tarifas norte-americanas e os elevados custos na Alemanha têm aumentado a pressão sobre a Porsche.

A empresa afirmou que o seu programa estratégico e de reestruturação de longo prazo, “Sportwagenschmiede 35”, está perto de ficar concluído e irá concentrar mais a Porsche no negócio principal dos automóveis desportivos, ao mesmo tempo que simplifica a organização e melhora a rentabilidade e a resiliência.

“Com a estratégia ‘Sportwagenschmiede 35’, queremos reforçar a rentabilidade, o fluxo de caixa e a resiliência da Porsche nos próximos anos. Estamos a alinhar firmemente a empresa com o nosso negócio principal. Estamos focados na nossa marca, nos nossos clientes e nos nossos produtos”, afirmou Leiters.

A Porsche deverá apresentar em detalhe esta estratégia no seu Capital Markets Day, a 7 de outubro de 2026.

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