União Europeia está a aplicar as recomendações do antigo primeiro-ministro italiano Mario Draghi, mas a um ritmo que fica atrás do resto do mundo.
Segundo um relatório publicado esta quarta-feira pela Joint European Disruptive Initiative (JEDI Draghi Tracker), a União Europeia apenas implementou 26% das recomendações apresentadas por Mario Draghi há dois anos.
"Os progressos são reais, mas não acompanham o ritmo do mundo", escreveram os autores num comunicado de imprensa, criticando o bloco por avançar demasiado devagar no que se refere à legislação.
Em setembro de 2024, Draghi apresentou, em Bruxelas, um relatório muito esperado, que incluía recomendações sobre como tornar a Europa mais competitiva e estrategicamente independente das grandes potências mundiais, nomeadamente dos Estados Unidos e da China.
Draghi enumerou várias reformas importantes, nomeadamente o aumento do investimento em setores estratégicos, como a inteligência artificial e a defesa.
O relatório foi bem recebido pela Comissão Europeia e pelos Estados-membros, que afirmaram que a prioridade deste mandato é tornar a Europa mais competitiva.
No entanto, apesar desta prioridade, os processos legislativos continuam lentos, com algumas reformas a demorar mais tempo do que o esperado a serem implementadas.
"Nenhuma das trinta medidas-chave foi totalmente executada. Apenas 30% das recomendações registam um avanço significativo", especifica o relatório, salientando que o JEDI Draghi Tracker não avalia intenções ou anúncios, mas sim a execução.
"Dois anos após a publicação deste relatório existencial, nenhuma das principais recomendações de Draghi foi totalmente implementada, ao passo que um terço da agenda não exigiria mais do que coragem política", afirmou André Loesekrug-Pietri, diretor científico da JEDI, em comunicado.
O relatório identificou uma tendência que sugere que a UE tende a agir mais depressa quando se sente ameaçada. "Energia e matérias-primas: 35%; finanças e investimento: 25%; defesa, espaço e inteligência artificial: 25%; investigação e competências: 21%", detalha o documento.
Já a saúde e as ciências da vida atingiram apenas 13%, apesar da pandemia global de COVID-19 que assolou a Europa em 2020.
De acordo com uma orientação de reforma aprovada pelos chefes de Estado em março de 2026, as principais reformas deverão ser aprovadas até ao final do ano.
Intitulado "One Europe, One Market Roadmap", o plano inclui um conjunto de medidas legislativas, nomeadamente a reforma dos mercados de capitais, pacotes de simplificação, a iniciativa "EU Inc. (também conhecida como "28.º Regime") e a lei de aceleração industrial.