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França: inquérito revela que jovens francesas dão menos importância ao sexo

Inquérito revela que jovens francesas atribuem menos importância ao sexo
Sondagem revela que jovens francesas atribuem menos importância ao sexo Direitos de autor  Canva
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De David Mouriquand
Publicado a Últimas notícias
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Um novo estudo do Instituto Francês de Opinião Pública indica que as mulheres da geração Z atribuem, em geral, menos importância ao sexo e falam mais abertamente de masturbação; mais de metade não exclui relações sem sexo.

“Sexo é tão importante como comer ou beber”, afirmou o escritor e libertino francês Marquês de Sade. “Devíamos permitir que este apetite fosse satisfeito com tão poucas restrições ou falso pudor como os outros.”

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Não se sabe bem o que o nobre do século XVI pensaria de um recente estudo francês sobre sexualidade, que mostra claramente que os tempos e as atitudes em relação aos prazeres carnais evoluíram.

Uma nova sondagem de opinião, encomendada pela cadeia de sex shops Espaceplaisir e realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), que inquiriu um total de 1 011 mulheres com idades entre os 15 e os 29 anos, concluiu que a importância do sexo na vida das jovens mulheres está a diminuir.

Apenas 38 por cento das mulheres entre os 15 e os 24 anos consideram que a sexualidade é muito importante ou mesmo essencial, contra 62 por cento em 1990.

No mesmo grupo etário e no mesmo período, a proporção de jovens mulheres para quem o sexo é “essencial” desceu de 14 por cento para 9 por cento.

Estes valores variam pouco consoante as mulheres inquiridas se identifiquem como heterossexuais, bissexuais ou lésbicas.

De forma semelhante, perto de 50 por cento das mulheres da geração Z sentem que o sexo não é assim tão importante nas suas vidas, ou mesmo que não tem importância nenhuma.

Além disso, mais de uma em cada duas mulheres inquiridas (52 por cento) afirmou que “poderia continuar a viver com alguém sem ter relações sexuais”. Um total de 56 por cento das entrevistadas com idades entre os 18 e os 24 anos disse conseguir imaginar uma relação platónica com os respetivos parceiros.

Segundo François Kraus, diretor da divisão Política / Atualidade do Ifop, “a tendência para desvalorizar a sexualidade faz provavelmente parte de um movimento contracíclico em relação à fase de ‘hipersexualização’ das décadas de 1980 e 1990”.

Como noticiou a Radiofrance (fonte em inglês), Kraus explica que a nova geração está mais centrada na qualidade do que na quantidade, acrescentando que “estamos também a assistir ao impacto do discurso feminista, que está a devolver uma certa legitimidade ao prazer feminino”.

A sondagem (fonte em inglês), publicada ontem, revelou ainda que um total de 62 por cento das mulheres com idades entre os 20 e os 24 anos disse sentir-se por vezes aborrecida durante o sexo, contra 42 por cento em 1996. No entanto, 74 por cento das mulheres dos 18 aos 24 anos afirmaram estar “satisfeitas” com a sua vida sexual.

Comentando estes dados, o Ifop afirmou que este resultado se explica em parte por uma “intensificação espetacular do recurso a brinquedos sexuais.”

Esta tendência “pode explicar-se pelo facto de as relações sexuais com um parceiro serem mais gratificantes. E, mesmo quando não o são, tendo em conta que a masturbação triplicou nos últimos quarenta anos e que o uso de brinquedos sexuais se tornou amplamente aceite, existem vias alternativas para as mulheres encontrarem satisfação nesta área”, sublinha Kraus.

Com efeito, o estudo mostrou que 36 por cento das mulheres entre os 18 e os 24 anos já utilizaram um brinquedo sexual sozinhas, contra 30 por cento em 2017.

O Ifop indicou ainda que os resultados deste novo inquérito mostram que a noção de dever conjugal de ter relações sexuais continua enraizada. Um projeto de lei para revogar a lei dos chamados “direitos conjugais” – a ideia de que o casamento implica o dever de ter relações sexuais – foi aprovado por deputados e senadores na Assembleia Nacional no início deste ano.

O texto aprovado em janeiro acrescenta uma cláusula ao código civil francês para deixar claro que a “comunhão de vida” não cria uma “obrigação de relações sexuais”.

“Ao permitir que tal direito ou dever subsista, estamos coletivamente a validar um sistema de dominação e predação do marido sobre a mulher”, afirmou a deputada ecologista e autora da proposta, Marie-Charlotte Garin. “O casamento não pode ser uma bolha em que o consentimento para relações sexuais é considerado definitivo e para toda a vida.”

Outras fontes • IFOP, RADIOFRANCE

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