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Reino Unido: Museu da Cultura Juvenil celebra a ousadia das subculturas britânicas

Imagem de um convidado na inauguração para os meios de comunicação do museu, captada dentro da loja
Imagem de um convidado na apresentação à imprensa do museu, tirada no interior da loja. Direitos de autor  Museum of Youth Culture
Direitos de autor Museum of Youth Culture
De Amber Louise Bryce
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Uma celebração da magia e do caos de uma juventude mal aproveitada, este museu é para quem escreveu RAWR no pulso, abusou do eyeliner e recusou aceitar o mundo como era

Quando se é jovem, o mundo é uma roda-gigante.

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É um verso de uma canção de 2007 da banda indie Bright Eyes – e também é verdade. A juventude é aquele período vertiginoso, quase mágico, da vida que paira acima de uma realidade ainda desconhecida, inflacionada pelo turbilhão das hormonas da adolescência e por um otimismo sem limites.

É o cruzamento entre quem somos e quem nos estamos a tornar; um corredor interminável cheio de portas abertas.

Em suma, é a fase mais marcante das nossas vidas.

Só agora, porém, e pela primeira vez, é que lhe foi dedicado um museu.

Abre oficialmente hoje o Museu da Cultura Juvenil, instalado naquela que é, provavelmente, a meca das subculturas londrinas: Camden.

A ideia nasceu com Jon Swinstead, arquivista da cultura juvenil britânica, cujos sonhos de criar um museu permanente levaram um quarto de século – e muitos colaboradores apaixonados – a concretizar-se.

O objetivo, contudo, manteve-se sempre o mesmo: celebrar os jovens – a forma como moldaram a história e continuam a moldar o nosso futuro.

“É uma parte completamente esquecida do património e, como resultado, os jovens foram deixados de fora quando se fala de museus”, afirmou Jamie Brett, diretor criativo do museu.

“Sobretudo aqueles momentos de adolescência. Essa fase hormonal, em que é algo biológico, mas também o momento de sair de casa e conquistar a própria independência. É isso que cria estas cenas incríveis de subculturas que nunca tiveram tempo e espaço dedicados a elas”, acrescentou.

A principal galeria de arquivo, que mostra instantâneos da cultura juvenil ao longo do último século A principal galeria de arquivo, que mostra instantâneos da cultura juvenil ao longo do último século

Entrar no museu é como entrar no quarto do melhor amigo: salas subterrâneas cheias de fotografias pessoais, flyers de raves, bugigangas de adolescência e confissões rabiscadas em folhas de pautado.

Por cima fica um bar e uma loja, onde a idade adulta se cruza com a infância num misto de decoração industrial e nostálgica. Uma mesa de matraquilhos bate ao ritmo dos bips de um jogo de arcade, enquanto t-shirts num canto gritam “Punk” e “Emo”.

Só faltam uns Freddos de 10 pence em cima do balcão.

Apesar de o espaço ser reduzido, tudo lá dentro prende a atenção sem se tornar esmagador. O arquivo principal abrange 100 anos de cultura juvenil – de 1920 a 2020 – e inclui desde flappers rebeldes de botas até ao joelho em cima de motas, até DJs mulheres que lutaram para entrar nas cenas de clubes dominadas por homens nos anos 90.

“Passamos muito tempo a viajar e a percorrer o Reino Unido para recolher as histórias pessoais das pessoas”, explicou Lisa der Weduwe, responsável pelos projetos de arquivo e programadora comunitária do museu. “Muito do que se vê nas exposições é recolhido através da nossa campanha Grown Up In Britain.”

Exemplos de velhas tecnologias que moldaram a juventude de diferentes gerações Exemplos de velhas tecnologias que moldaram a juventude de diferentes gerações

A maioria dos artefactos e imagens traz apenas o contexto mínimo: talvez um nome, um ano e um local. O resto fica por conta da imaginação. Ainda assim, através destes instantâneos dos anos mais trapalhões de desconhecidos – góticos dos anos 80 em collants às riscas ou emos dos anos 2000 escondidos atrás de franjas caídas para o lado – vemos ali espelhada a nossa própria juventude.

Independentemente da subcultura ou da década, todos partilhámos aquela sensação de expressão sem travões; uma fase em que o mundo, por um breve momento, parecia nosso para desafiar e voltar a moldar

“Os jovens a juntarem-se, a encontrarem-se a si próprios e uns aos outros, moldam profundamente a sociedade e o mundo em que vivemos”, resumiu der Weduwe.

Subculturas juvenis: o que são

RAWR! Visitantes numa exposição anterior do Museu, quando ainda era um espaço itinerante RAWR! Visitantes numa exposição anterior do Museu, quando ainda era um espaço itinerante

As subculturas – comunidades distintas e únicas dentro da sociedade mais ampla – sempre existiram e podem assumir muitas formas diferentes.

No contexto do Museu da Cultura Juvenil, o termo refere-se mais especificamente às subculturas juvenis que nasceram de cenas musicais e de moda concretas – como o mod, o punk, o goth, o emo ou o rave.

Embora cada uma tenha a sua estética e estilo de vida próprios, todas partilham valores de desafio que rejeitam a cultura dominante e os seus ideais. Por isso se tornaram um símbolo da rebeldia adolescente, tantas vezes apontada como causa de pânicos morais por parte das autoridades.

Estas subculturas abriram também caminho a perspetivas e formas de arte alternativas, pondo em causa os limites do que antes era considerado aceitável.

Nos últimos anos, porém, há quem questione se isso se perdeu. Argumenta-se que o aparecimento das redes sociais trouxe desagregação e uma homogeneização da cultura no seu conjunto.

Der Weduwe discorda, explicando que, embora as subculturas possam ter um aspeto diferente na era digital, continuam muito vivas – e em crescimento.

“Quando se anda pelo centro de Londres e se encontra um grupo [de fãs adolescentes de K-Pop], todos partilham um estilo muito específico, ouvem a mesma música e vivem esse universo. Isso remete para o tipo de subcultura que recordamos do século XX. Mas têm um pé no mundo online e outro no mundo real, porque essa é a sociedade em que vivemos hoje”, disse.

“As subculturas não vão ter o mesmo aspeto, porque a fórmula mudou em vários aspetos. Acompanham o seu tempo.”

Mais do que apenas mais um tijolo na parede

Para além de ampliar o arquivo, o grande objetivo do museu é ser um espaço intergeracional em constante evolução. Um lugar que não só preserva o passado, como se concentra sobretudo no futuro.

“É mesmo, mesmo importante para nós apoiarmos ativamente, antes de mais, os jovens de hoje. Sobretudo numa altura em que a vida é difícil para os jovens e muitos dos seus espaços desapareceram e encerraram devido a fatores como a austeridade e a falta de cuidado com esses espaços.

“O Museu existe para os jovens – para terem um espaço onde estar e fazer.”

Galeria comissariada pelo coletivo UK Youth Galeria comissariada pelo coletivo UK Youth

Uma das galerias ilustra esta iniciativa, com uma exposição comissariada pelo coletivo UK Youth. Intitulada: “Coisas sobre as quais menti aos meus pais”, explora a ideia da mentira como parte fundamental da descoberta da nossa identidade perante as pressões culturais e sociais.

O tema soa particularmente atual numa altura em que as redes sociais foram recentemente proibidas para menores de 16 anos no Reino Unido. Numa resposta que se tornou viral, um adolescente, questionado pela BBC sobre o que fará agora, respondeu: “Ficar a olhar para uma parede”.

Mas, pelo menos, como comentou a artista, DJ e colaboradora do museu Linett Kamala: “Agora têm uma parede interessante para olhar.”

Tal como os adolescentes, o Museu da Cultura Juvenil ainda anda a descobrir-se, pronto para ser orientado por aqueles a quem se destina. Mas já transborda charme e alma britânicos; um lugar para reavivar o sentido de comunidade, a criatividade e a capacidade de ouvir aquilo que os jovens realmente querem e precisam.

Para o resto de nós? É um lembrete de que estamos velhos – mas de que já fomos jovens. E de que, embora as gerações mudem, somos todos mais parecidos do que imaginamos.

Vês, mãe? Nunca foi só uma fase!

O Museu da Cultura Juvenil abre a 20 de junho em Camden Town, Londres

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