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Espanha: casar custa mais 10 mil euros em 2026

Preço dos casamentos em Espanha, imagem de arquivo
Preço dos casamentos em Espanha, imagem de arquivo Direitos de autor  Copyright 2008 AP. All rights reserved.
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De Jesús Maturana
Publicado a Últimas notícias
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Dois estudos recentes calculam o custo médio de um casamento em Espanha entre 25 e 32 mil euros. Quase sete em cada dez casais gasta mais do que planeado e 95% admite sentir pressão financeira. A casa é o grande sacrifício depois da festa.

Há algo que quase todos os estudos sobre casamentos em Espanha confirmam, ainda que nem sempre coincidam no valor exato: casar fica caro e, quase sempre, mais do que o casal tinha calculado. O que muda é o ponto de partida.

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De acordo com o Relatório do Setor Nupcial 2026 do 'Bodas.net', elaborado com base no testemunho de mais de 2.000 casais que casaram em 2025, o custo médio de um casamento em Espanha é de 25.183 euros, sem incluir lua de mel nem anel de noivado.

Um estudo distinto, publicado pela plataforma financeira Raisin e baseado num inquérito a 1.500 pessoas, eleva esse valor para 32.355 euros. A diferença entre ambos os montantes, mais de 7.000 euros, não é um erro: os dois apontam na mesma direção.

Orçamento inicial raramente sobrevive à organização

Apenas 41 % dos casais consegue manter-se dentro do orçamento inicial, enquanto 45 % acaba por gastar mais do que tinha planeado. Os dados da Raisin vão um pouco mais longe e elevam essa percentagem para 70 %, com 20 % dos inquiridos a reconhecer que ultrapassou o orçamento em mais de um quinto do total previsto.

Quase metade dos casais destina 53 % do orçamento ao local da celebração e ao catering. A despesa média por convidado sobe para 225 euros, mais 6 % do que no ano anterior. O número de participantes também varia consoante a fonte: a Raisin aponta para uma média de 108 convidados, enquanto o relatório do 'Bodas.net' fixa esse número em 123 pessoas, com diferenças entre gerações: 115 para os millennials, 118 para a geração Z e 82 para a geração X.

Financiar toda essa despesa exige tempo e, muitas vezes, ajuda externa. 82 % dos casais recorre às próprias poupanças, mas o apoio da família continua a ser habitual: mais de metade recebe dinheiro dos pais e quase três em cada dez contam também com os presentes em dinheiro dos convidados. Poupar para o casamento demora em média cerca de 25 meses, embora 22 % precise de entre três e cinco anos.

Entre 2025 e 2026, o custo médio aumentou cerca de 10.000 euros. Segundo estimativas de especialistas do setor, o custo mínimo para casar em Espanha com cerca de uma centena de convidados ronda os 24.600 euros, o que implica poupar perto de 900 euros por mês durante mais de dois anos.

Nove fornecedores e catering pesa mais na fatura

Os casais contratam em média nove serviços diferentes para o casamento. A fotografia lidera a lista, presente em 90 % das celebrações, seguida do catering (84 %), do vestido e dos acessórios de noiva (78 %), do local da celebração (78 %) e da música ou animação (75 %). Mas nem todos têm o mesmo peso no orçamento.

O catering é, de longe, a rubrica mais cara, com uma despesa média em torno dos 7.126 euros, segundo a Raisin, e mais de um em cada quatro casais ultrapassa os 10.000 euros só nessa categoria. A repartição típica do orçamento de um casamento em Espanha atribui 53 % do total ao banquete e ao espaço, cerca de 10 % ao vestuário e beleza, 8 % à fotografia e vídeo, 6 % à decoração e flores e 5 % à música.

Quando o dinheiro não chega, a lista de convidados é a primeira coisa a ser reduzida. Mais de seis em cada dez casais admite ter ajustado algum aspeto da celebração por razões económicas. Reduzir a lista de 150 para 80 convidados pode representar uma poupança entre 7.000 e 15.000 euros. É a principal alavanca do orçamento.

Custo invisível: stress, discussões e casa adiada

Há um efeito dos casamentos que não aparece em nenhum orçamento. 95 % dos casais admite ter sentido algum nível de stress financeiro durante a organização e 65 % teve algum desacordo económico com o parceiro nesse processo. Metade reconhece que a experiência levou a repensar a forma como gerem o dinheiro em conjunto.

O impacto mais duradouro, contudo, surge depois. Quase nove em cada dez casais afirma que o casamento afetou algum objetivo financeiro. O mais referido é a compra de uma casa, que 30 % dos inquiridos considera diretamente afetada.

Não é um dado menor. Segundo a última edição do Inquérito às Condições de Vida, apresentada no final de 2025, as condições económicas das pessoas entre os 25 e os 35 anos foram particularmente atingidas nos últimos anos devido à situação da habitação. Apenas 15,2 % dos jovens entre os 16 e os 29 anos vive de forma independente, o nível mais baixo desde o início destes estudos, em 2006.

O 'Fotocasa' calcula que a parte do salário médio destinada à renda passou de 38 % em 2019 para 50 % em 2025, com valores que, no caso dos madrilenos, chegam aos 71 % do ordenado. Neste contexto, gastar entre 25.000 e 32.000 euros numa celebração, ainda que financiada com anos de poupança prévia, é uma decisão com consequências concretas no acesso à habitação de muitos casais.

Aquilo a que o setor chama "o dia mais especial" pode, na prática, adiar vários anos um dos objetivos financeiros mais importantes de uma vida a dois.

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