Um influente político britânico quer, segundo notícias, proibir a músico norte-americana DJ Haram, de nome verdadeiro Zubeyda Muzeyyen, de atuar no Reino Unido.
Ministro-sombra do Interior do Reino Unido, Chris Philp, terá solicitado que a DJ norte-americana DJ Haram seja impedida de entrar no país, na sequência das declarações que fez recentemente na Bienal de Sydney.
No mês passado, a artista de Nova Jérsia, cujo verdadeiro nome é Zubeyda Muzeyyen, fez um inflamado discurso pró-Palestina durante uma sessão de abertura do festival anual, manifestando apoio às pessoas que enfrentam crises humanitárias na Palestina, no Irão e no Líbano.
Durante o discurso, terá entoado o slogan “From the river to the sea, Palestine will be free”, uma frase politicamente carregada que se refere à área entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. Para os ativistas pró-palestinianos, é um apelo à igualdade depois de décadas de domínio militar israelita sobre os palestinianos; muitos judeus interpretam-na como um apelo à destruição de Israel.
“Recuso-me a alinhar no ‘artwashing’ do genocídio”, terá afirmado. “Temos o dever de proteger o planeta e o dever de nos opor ao império sionista-australiano-Epstein. Enquanto a Palestina não for livre, nenhum de nós será livre.”
As declarações motivaram a abertura de uma investigação policial na Austrália. Porém, o comissário da Polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, sugeriu que dificilmente configurariam crime.
“É importante perceber que os crimes de ódio, o discurso de ódio, têm um limiar elevado”, disse à ABC Radio Sydney (fonte em inglês). “Há uma razão para esse limiar elevado. A liberdade de expressão é, obviamente, algo que valorizamos neste país.”
Em claro contraste, Chris Philp pediu que Muzeyyen seja impedida de atuar nos concertos que tem marcados no Reino Unido, tendo dito alegadamente à publicação Jewish News: “A última coisa de que este país precisa é da visita de mais uma artista internacional envolvida em alegações de antissemitismo e de promoção do terrorismo”, numa alusão à decisão recente do Ministério do Interior de proibir Kanye “Ye” West de entrar no Reino Unido para atuar no entretanto cancelado festival Wireless.
“Enquanto o Governo continua a ter dificuldade em controlar a vaga incessante de racismo anti-judeu e extremismo islamista no Reino Unido, é manifestamente contrário ao interesse público que Zubeyda Muzeyyen (DJ Haram) atue aqui”, terá acrescentado. “O ministro do Interior tem de agir e proibi-la.”
À data em que este artigo é escrito, DJ Haram mantém os concertos marcados: atua no Phonox, em Londres, a 17 de abril, seguindo-se espetáculos em Birmingham e Manchester ainda este mês.
O álbum de estreia de DJ Haram, “Beside Myself”, foi editado no ano passado. Entrou para a lista dos Melhores Álbuns de 2025 da Euronews Culture. Escrevemos então: “DJ Haram assina um álbum de estreia ambicioso, que funde batidas de club, sons eletrónicos agrestes, percussão ao vivo e samples do Médio Oriente, tudo impulsionado por uma energia inquieta, ao mesmo tempo contagiante e desestabilizadora.”
E acrescentámos: “Para quem quiser perceber como soa um rave distópico, este é o álbum eclético e destemido que procura.”