Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Estados Unidos: Hasbro exige vozes infantis para IA e gera polémica em Peppa Pig

Hasbro exige que vozes infantis de Peppa Pig passem para IA e gera polémica
Polémica em torno de Peppa Pig: Hasbro exige que atores infantis cedam vozes à IA Direitos de autor  Entertainment One / Hasbro
Direitos de autor Entertainment One / Hasbro
De David Mouriquand
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Hasbro, gigante do entretenimento dos EUA, estará a exigir que jovens atores de Peppa Pig cedam as suas vozes à inteligência artificial em novos contratos, cláusula já contestada em carta aberta de mil profissionais, que alertam para questões de consentimento.

Conglomerado norte-americano de brinquedos Hasbro estará a apostar na utilização de inteligência artificial (IA) na popular série infantil de animação britânica Peppa Pig, o que está a levantar preocupações em torno de uma cláusula contratual em particular.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A contestação centra-se na alegada introdução de uma nova cláusula sobre inteligência artificial nos contratos de jovens intérpretes. Como Deadline (fonte em inglês) noticia, isto significa exigir que os jovens intérpretes cedam os direitos de utilização das suas vozes a sistemas de IA para «materiais comerciais dentro da respetiva franquia».

Tecnicamente, esta cláusula poderia dar à Hasbro poder para clonar as vozes dos atores infantis, recriando-as através de tecnologia de IA e utilizando-as para sempre, para fins promocionais e outros.

Organizada pela associação Agents of Young Performers (AYPA), quase mil profissionais do setor assinaram uma carta aberta que condena as polémicas cláusulas de IA aplicadas a uma «franquia infantil internacional».

A carta não menciona diretamente Peppa Pig nem a Hasbro. Fontes disseram, porém, à Deadline que o texto se refere à série de animação extremamente popular da empresa.

«Mais recentemente, um grande estúdio detentor da propriedade intelectual de uma franquia infantil internacional que produz uma série televisiva de animação de longa duração ofereceu contratos a atores de voz infantis, insistindo em que aceitem o uso de IA, permitindo assim a utilização da voz da criança em todos os materiais comerciais da respetiva franquia», lê-se na carta.

«A recusa em retirar esta cláusula, com uma atitude de “é aceitar ou recusar”, levou-nos a escrever esta carta para deixar claro que tal não será aceite e para chamar a atenção do conjunto da indústria para esta questão.»

A carta alerta que, «quando o intérprete é uma criança, o consentimento deve ser tratado com o máximo cuidado», uma vez que «as crianças não podem prestar um consentimento jurídico plenamente informado e a aprovação de um progenitor ou tutor nunca deve ser usada como licença geral para captar, clonar, treinar ou reutilizar indefinidamente a voz de uma criança».

E conclui: «Qualquer acordo que envolva a voz de uma criança deve ficar totalmente isento de qualquer utilização de IA. Nenhuma criança deve ver a sua futura identidade profissional moldada por um modelo de IA criado antes de ter idade suficiente para compreender as suas consequências. Rejeitamos todos os contratos que exijam que intérpretes infantis cedam direitos sobre a voz por tempo indeterminado e sem limites».

Numa declaração à Variety (fonte em inglês), a Hasbro confirmou estar a par da carta e afirmou que «a proteção dos intérpretes infantis está no centro da identidade da Hasbro». A empresa acrescentou: «À medida que as normas da indústria em torno da IA continuam a evoluir, estamos empenhados em abordar esta questão de forma responsável e transparente.»

As preocupações continuam a crescer, sobretudo numa altura em que as cláusulas relativas à IA em trabalhos de dobragem se estão a tornar alarmantemente comuns.

Como refere a carta aberta, estas cláusulas podem permitir a clonagem de vozes de atores, o treino de modelos de aprendizagem de IA e a geração de áudio artificial, bem como possibilitar que as produtoras vendam ou licenciem dados de atores de voz a terceiros sem obter consentimento nem pagar direitos.

Peppa Pig estreou no Reino Unido em 2004 e tornou-se rapidamente um sucesso internacional. A Hasbro adquiriu toda a marca Peppa Pig à Entertainment One em 2019, por cerca de 3,8 mil milhões de dólares.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Cate Blanchett lança ferramenta gratuita para proteger identidade contra IA

Scorsese em modo 'Touro Enfurecido': críticas após elogiar IA 'criativamente libertadora'

Estados Unidos: Hasbro exige vozes infantis para IA e gera polémica em Peppa Pig