A ação judicial afirma que uma cópia encriptada do filme estava num dos discos rígidos roubados dos escritórios da Netflix em Los Angeles no mês passado, e que o furto comprometeu a venda do filme
A Netflix está a ser processada em 105 milhões de dólares por uma produtora que a acusa de ter perdido um disco rígido com um filme inédito de Nicolas Cage, intitulado Fortitude.
A ação, instaurada ontem num tribunal federal da Califórnia pelo argumentista e produtor Simon Afram e pela sua empresa, a Op-Fortitude, acusa a Netflix de ter comprometido a venda do thriller passado na Segunda Guerra Mundial.
A publicação especializada The Hollywood Reporter (fonte em inglês) avança que uma cópia do filme estava num dos vários discos rígidos roubados dos escritórios da Netflix em Los Angeles no mês passado.
Em resposta ao THR, a gigante do streaming negou todas as acusações.
“A Netflix contesta qualquer alegação de que deva suportar o risco de perda de um filme entregue sem as salvaguardas adequadas, em conformidade com os padrões da indústria”, afirmou um porta-voz da empresa. “Embora não detenhamos os direitos de Fortitude, levamos muito a sério a segurança dos conteúdos e adotámos medidas adicionais para apoiar o realizador e a sua equipa. Isso inclui realizar uma investigação exaustiva e oferecer-nos para monitorizar os sites de pirataria conhecidos, para detetar qualquer distribuição ou venda não autorizadas.”
De acordo com a ação, a Netflix pediu material de exibição e foi-lhe enviada uma cópia encriptada para uma sessão a 15 de junho, antes de um executivo da plataforma ter contactado os produtores para os informar de que o disco tinha sido roubado.
“Infelizmente, alguém roubou uma boa quantidade de discos das secretárias do nosso escritório na semana passada”, escreveu Sean Berney, responsável pelas aquisições de cinema da Netflix, num e-mail de 25 de junho citado no processo. “Temos trabalhado esta situação com as nossas equipas de segurança, sem sucesso. As nossas equipas de combate à pirataria estão em alerta máximo devido à violação e vão monitorizar a situação.”
A Netflix é acusada de não revelar se foi ou não apresentada queixa às autoridades. O processo sustenta que qualquer venda futura do filme ficou agora em risco.
“Com a forma inadequada como tratou o filme e a atitude de desvalorização que se seguiu, a Netflix pôs em causa o investimento de mais de 45 milhões de dólares dos queixosos e o valor significativo da própria obra”, lê-se no processo, citado pelo site Page Six (fonte em inglês). “A Netflix privou ainda o filme, o elenco e os seus criadores da oportunidade de levar o seu trabalho ao mercado e de obter o reconhecimento que um lançamento mundial, devidamente promovido, provavelmente teria gerado.”
Fortitude foi realizado por Simon West (Con Air, Lara Croft: Tomb Raider, Bride Hard) e baseia-se na história verídica de oficiais dos serviços secretos britânicos que montaram operações estratégicas inéditas para enganar a liderança nazi. O elenco inclui ainda Matthew Goode, Michael Sheen e Ben Kingsley.
“Passei sete anos da minha vida a levar esta incrível história verídica ao grande ecrã”, afirmou Afram, em comunicado. “Mas este filme nunca foi só meu. Pertence ao elenco extraordinário e às interpretações de uma vida, que merecem ser vistas e reconhecidas. Representa o momento que estes artistas conquistaram.”