“Naza”, de Rachel Szork e Yuval Abraham, recebe o Prémio Especial do Júri. “Possible Love”, de Lee Chang-dong, recebe o Leão de Prata do Júri.
“Woman Unknown” vence o Leão de Ouro e “Naza” recebe o Prémio Especial do Júri na 83.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, presidido por Maggie Gyllenhaal.
Vinte e um filmes em competição abrangem uma vasta gama de temas e estilos, de documentários políticos a produções internacionais e filmes de Hollywood.
Vários títulos suscitaram reações fortes do público, com aplausos de pé que estão a moldar o debate em torno da competição deste ano.
“Naza”, incluído tardiamente na programação, recebeu na estreia um aplauso de pé de 25 minutos, o mais longo alguma vez registado no certame.
Documentário co‑realizado pelos cineastas israelitas Rachel Szor e Yuval Abraham, apresenta testemunhos de figuras ligadas às forças armadas israelitas sobre a guerra em Gaza e o que descrevem como o assassínio sistemático de civis palestinianos.
É o único documentário em competição este ano e um de apenas dois filmes de toda a seleção realizados por mulheres.
“Wild Horse Nine”, de Martin McDonagh, foi igualmente recebido com uma ovação de pé que se prolongou bem para lá dos dez minutos. A comédia negra acompanha dois agentes da CIA em viagem para a Ilha de Páscoa pouco antes do golpe militar de 1973 no Chile.
As interpretações de John Malkovich e Sam Rockwell, protagonistas do filme, estiveram entre os aspetos mais comentados na estreia.
McDonagh já tinha estreado dois filmes em Veneza, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” e “The Banshees of Inisherin”.
Já tinha sido galardoado com prémios de argumento por ambas as obras, enquanto Colin Farrell recebeu um prémio de interpretação pelo segundo título.
Prémio Marcello Mastroianni (Melhor jovem ator/atriz)
Malou Khebizi vence o Prémio Marcello Mastroianni (Melhor jovem ator ou atriz) na 83.ª edição do prestigiado festival, pela interpretação em “15/18 (A Place to Heal)”, de Cédric Kahn.
Drama francês acompanha duas adolescentes francesas numa ala psiquiátrica de um hospital público e documenta a sua experiência.
Prémio Coppa Volpi (Melhor ator/atriz)
Mathilde Arcel conquistou o cobiçado Prémio Coppa Volpi de melhor atriz pelo papel em “Woman Unknown”, realizado por May el‑Toukhy.
Coprodução entre Dinamarca, Suécia e Letónia retrata a vida de Marie (interpretada por Arcel), jovem ama e governanta prestes a casar com o abastado viúvo mais velho para quem trabalha, Christian (Carsten Bjørnlund).
Marie guarda, contudo, um segredo vergonhoso: durante a Segunda Guerra Mundial manteve uma relação íntima com um soldado alemão nazi, e esse passado ameaça alcançá‑la.
El‑Toukhy mergulha o público no tormento psicológico vivido por Marie, obrigada a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para preservar o novo estatuto de senhora da casa num cenário de anarquia no pós‑guerra.
Entretanto, o ator norte‑americano John Malkovich levou para casa o Prémio Coppa Volpi de melhor ator pela participação em “Wild Horse Nine”, de McDonagh.
Prémio Miglior Sceneggiatura (Melhor argumento)
“Un bon petit soldat (A good little soldier)” venceu o Prémio Miglior Sceneggiatura para melhor argumento.
Drama realizado por Stéphane Brizé acompanha a vida de Clara (Alba Rohrwacher), executiva de 43 anos, altamente competente e profundamente dedicada, que tenta equilibrar o plano pessoal com o profissional.
Insegura por detrás de uma imagem impecável, Clara construiu uma carreira de sucesso, frequentemente à custa da vida familiar.
Recém‑contratada como diretora de Recursos Humanos numa grande empresa, tem a missão de promover o bem‑estar dos trabalhadores sem pôr em causa as metas de desempenho impostas pela chefia. Mas, quando Clara descobre um caso de gestão tóxica, os compromissos tornam‑se inevitáveis, ameaçando levá‑la ao limite.