Todas as bandas de abertura da digressão norte-americana de Ed Sheeran desistiram após Macklemore ter sido afastado por comentários pró-Palestina num concerto este mês
Ficou em risco a digressão de Ed Sheeran pelos Estados Unidos depois de todos os atos de abertura terem abandonado o alinhamento, em resposta à retirada do rapper Macklemore por ter feito comentários pró-palestinianos em palco.
A decisão surgiu poucas horas depois de Sheeran ter recorrido às redes sociais para explicar a sua posição sobre o afastamento de Macklemore, atribuindo a escolha aos promotores da digressão, a Messina Touring Group.
“A saída de Macklemore da digressão foi decisão do promotor, não minha”, escreveu Sheeran no Instagram, na terça-feira (fonte em inglês). “Nunca desiludiria os fãs que já tinham feito planos, nem abandonaria a equipa de digressão e os outros atos de abertura e músicos que dependem de mim para trabalhar e ganhar a vida.”
“Respeito a determinação de Macklemore em erguer-se e gritar pelo que acredita”, acrescentou Sheeran. “No entanto, há espaço para várias abordagens com o mesmo objetivo: a paz. Escolho usar a minha fama e a minha plataforma como um lugar de segurança e refúgio, para manter a diplomacia e deixar as conversas abertas, não fechadas.”
Mas as palavras parecem não ter acalmado os atos de abertura, com os artistas irlandeses Aaron Rowe e Beoga, a banda dinamarquesa Lukas Graham e Finneas, irmão de Billie Eilish, a deixarem clara a sua posição no Instagram.
“Os artistas não devem ser silenciados quando defendem os oprimidos”, afirmou Finneas no Instagram. “Decidi retirar-me das próximas datas da digressão com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e do seu povo.”
Rowe e Beoga citaram a história do seu país nas declarações em que explicam a decisão. “Somos irlandeses e sabemos o que é o colonialismo. Como membros fundadores do movimento Irish Artists for Palestine, somos ativistas empenhados na justiça e continuaremos a sê-lo”, afirmou Beoga.
Rowe descreveu Sheeran como um amigo e disse que o cantor e compositor britânico lhe mudou a vida. “Mas, enquanto povo irlandês, conhecemos demasiado bem o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta”, afirmou, acrescentando que não podia ‘ficar a assistir e permitir que bilionários usem a sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas de quem se manifesta’.
Pop cruza-se com política
No início deste mês, Macklemore publicou nas redes sociais um vídeo da atuação no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, onde repetiu “Libertem a Palestina!” ao apresentar a sua canção de protesto “Hind’s Hall”.
“A todos os meus irmãos e irmãs judeus, criticar Israel, criticar o apartheid, ser contra o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vocês”, disse durante o concerto.
Macklemore afirmou na segunda-feira, no Instagram, que várias salas de espetáculos norte-americanas comunicaram ao promotor que o impediriam de atuar como artista de abertura de Sheeran, mobilizadas pelo bilionário norte-americano Robert Kraft, proprietário dos New England Patriots da NFL. O seu grupo empresarial, o Kraft Group, é também dono do Gillette Stadium, onde jogam os Patriots.
Num comunicado divulgado segunda-feira, Kraft afirmou que a decisão de cancelar Macklemore resulta dos comentários recentes “e de um historial mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica”.
Entretanto, vieram a público fotografias antigas de Macklemore com um nariz postiço adunco e uma peruca, pelas quais já pediu desculpa.
As decisões dos restantes artistas aumentaram a pressão sobre Sheeran, que tem procurado evitar a política e não tomar posição sobre o conflito em Gaza, alegando que os fãs não vão aos seus concertos para ouvir política.