Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Ferramenta de IA que analisa rostos ajuda médicos a prever sobrevivência ao cancro

Ferramenta de IA que lê o rosto ajuda médicos a prever sobrevivência ao cancro
Ferramenta de IA que lê o rosto ajuda médicos a prever sobrevivência ao cancro Direitos de autor  Cleared/Canva
Direitos de autor Cleared/Canva
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Cientistas desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que analisa alterações na aparência facial ao longo do tempo para prever a evolução do cancro

O rosto é o espelho da mente. Mostra não só as nossas emoções como também a passagem do tempo e, ao que parece, o estado de saúde.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Há pessoas que parecem envelhecer mais do que outras, mesmo tendo a mesma idade. Doença, stress e estilo de vida deixam marcas.

Uma equipa de cientistas do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, desenvolveu o FaceAge, uma ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de estimar a idade biológica de uma pessoa a partir de uma única fotografia.

A idade biológica reflete a condição fisiológica do organismo e o processo de envelhecimento, em vez da idade cronológica efetiva.

Isto permitiu aos investigadores compreender melhor a forma como as pessoas reagem ao cancro e aos tratamentos, identificando quem tem maior probabilidade de sobreviver e quem responde melhor à terapêutica.

Com recurso ao FaceAge, os investigadores já tinham concluído que os doentes oncológicos tendem a parecer cerca de cinco anos mais velhos do que a sua idade cronológica e que essas estimativas mais elevadas se associavam a piores taxas de sobrevivência após o tratamento do cancro.

Estados Unidos: FaceAge pode prever a sobrevivência?

Num novo estudo (fonte em inglês), concluíram que a Face Aging Rate (FAR), que recorre a fotografias para medir alterações na idade biológica ao longo do tempo, pode funcionar como biomarcador não invasivo do prognóstico do cancro.

“Calcular uma taxa de envelhecimento facial a partir de várias fotografias de rosto, recolhidas de forma rotineira, permite um acompanhamento quase em tempo real da saúde de cada pessoa”, afirmou o coautor sénior e autor correspondente Raymond Mak, radioncologista no Mass General Brigham Cancer Institute e membro do corpo docente do programa Artificial Intelligence in Medicine (AIM).

Os investigadores analisaram fotografias de 2 276 doentes com diferentes tipos de cancro que receberam pelo menos dois ciclos de radioterapia no Brigham and Women’s Hospital entre 2012 e 2023.

As imagens foram obtidas no âmbito dos procedimentos clínicos habituais em cada um dos ciclos de radioterapia.

Os resultados medianos do FAR mostraram que, em média, o envelhecimento facial dos doentes é 40 % mais rápido do que o avanço da idade cronológica.

FAR mais elevado esteve associado a menor sobrevivência, sobretudo quando as fotografias foram tiradas com mais de dois anos de intervalo.

“O nosso estudo sugere que medir o FaceAge ao longo do tempo pode permitir afinar o planeamento personalizado dos tratamentos, melhorar a informação aos doentes e ajudar a orientar a frequência e a intensidade do seguimento em oncologia”, acrescentou Mak.

O estudo calculou também a FaceAge Deviation (FAD), que estima o quão biologicamente velho ou jovem o doente parece numa única fotografia do rosto em comparação com a sua idade cronológica.

Os doentes com valores elevados de FAD e de FAR apresentaram uma probabilidade significativamente maior de terem piores desfechos de sobrevivência.

No entanto, o FAR mostrou ser um preditor mais fiável da sobrevivência a longo prazo do que o FAD isolado, sugerindo que medições dinâmicas ao longo do tempo podem ser mais fiáveis do que uma leitura num único momento.

Os autores sublinharam que integrar o FAR com o FAD de base pode proporcionar uma medida mais fina e informativa da evolução do estado de saúde de cada indivíduo.

“A monitorização do FaceAge ao longo do tempo, a partir de simples fotografias, oferece um biomarcador não invasivo e de baixo custo, com potencial para informar cada pessoa sobre o seu estado de saúde”, afirmou o coautor do estudo Hugo Aerts, diretor do programa AIM no Mass General Brigham.

“Esperamos que, com mais investigação, possamos perceber de que forma o FaceAge poderá fornecer informação prognóstica para doentes com outras doenças crónicas e para pessoas saudáveis.”

A equipa lançou ainda um portal na Internet (fonte em inglês), aberto ao público em geral, onde qualquer pessoa pode enviar uma fotografia do rosto para receber a sua própria avaliação FaceAge e contribuir para a investigação em curso.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Ferramenta de IA prevê risco de PHDA em crianças anos antes do diagnóstico

Desastres climáticos aumentam: estudo indica que competências precoces protegem cérebro do feto

Ferramenta de IA que analisa rostos ajuda médicos a prever sobrevivência ao cancro