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Mudanças climáticas expõem 560 milhões de crianças a mais stress térmico anual

ARQUIVO: Crianças brincam numa fonte de água durante uma onda de calor em Atenas.
FICHEIRO: Crianças brincam numa fonte de água durante uma onda de calor em Atenas. Direitos de autor  AP Photo/Petros Giannakouris
Direitos de autor AP Photo/Petros Giannakouris
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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Até 560 milhões de crianças enfrentam já, todos os anos, pelo menos um mês extra de calor perigoso devido às alterações climáticas, que agravam seriamente os riscos para a saúde.

As crianças de hoje estão expostas a muitos mais dias de stress térmico por ano do que as gerações anteriores, um fardo que deverá aumentar, segundo um novo estudo.

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Investigadores da Vrije Universiteit Brussel concluíram que as populações mais jovens enfrentam riscos de saúde desproporcionados, incluindo tensão fisiológica direta e ameaças indiretas como insegurança alimentar e hídrica.

Os resultados, publicados na revista Science Advances, mostram que até 560 milhões de crianças dos 0 aos 9 anos vivem, todos os anos, pelo menos mais um mês de stress térmico devido às alterações climáticas provocadas pela atividade humana.

“As alterações climáticas já estão a levar centenas de milhões de crianças em todo o mundo a sofrer com calor perigoso, o que representa riscos graves para a sua saúde”, disse Rosa Pietroiusti, autora principal do estudo.

“Ao mesmo tempo, a pobreza, habitação inadequada, acesso limitado a meios de arrefecimento e sistemas de saúde sobrecarregados deixam muitas crianças com poucas formas de se protegerem do calor.”

Crianças são mais vulneráveis

A vulnerabilidade ao stress térmico varia consoante a idade, observaram os investigadores, sendo os idosos, os recém-nascidos e as crianças pequenas particularmente em risco.

“As crianças são particularmente vulneráveis aos impactos das alterações climáticas e enfrentarão efeitos cada vez mais intensos durante as suas vidas”, escreveram os autores.

O estudo conclui que a exposição das crianças ultrapassa a de qualquer outro grupo etário, quase triplicando os 190 milhões de pessoas entre os 60 e os 69 anos que enfrentam esta ameaça adicional para a saúde.

O calor excessivo é perigoso para o organismo, porque compromete a capacidade de termorregulação, agrava doenças pré-existentes e aumenta o risco de golpe de calor, insuficiência renal e danos pulmonares.

Nas crianças, o impacto é ainda maior, sobretudo em fases de desenvolvimento físico, em que a capacidade de regular a temperatura corporal é menor. Suam menos por quilograma de peso e têm uma taxa metabólica mais elevada, o que as leva a aquecer mais rapidamente em períodos de calor extremo.

Segundo os investigadores, há vários fatores que aumentam a exposição das crianças a calor perigoso.

Os maiores aumentos de calor húmido provocado pelas alterações climáticas estão a registar-se nas regiões tropicais e nos países mais pobres, com populações mais jovens, como o Sul da Ásia, o Sudeste Asiático e a África Ocidental, que concentram atualmente o maior número de crianças expostas a stress térmico perigoso.

Os autores salientam ainda que as crianças nas zonas mais afetadas tendem a ser mais vulneráveis do ponto de vista socioeconómico e a sofrer os efeitos do calor tanto por vias diretas, como o esforço térmico, como por vias indiretas, incluindo a propagação de doenças transmitidas por mosquitos, perturbações nas práticas de alimentação infantil e complicações no nascimento.

Futuro traz cenário preocupante

De acordo com projeções de temperatura, os investigadores concluíram que as crianças continuarão a estar desproporcionalmente expostas ao stress térmico, mesmo com o envelhecimento das populações a nível mundial.

Num cenário em que o planeta aqueça 1,5 ºC, estima-se que 620 milhões de crianças entre 0 e 9 anos enfrentem pelo menos mais um mês de stress térmico por ano, e que 390 milhões passem por pelo menos cinco meses de stress térmico no total.

Se o aumento da temperatura atingir 2,0 ºC, as estimativas apontam para 650 milhões de crianças a enfrentarem

pelo menos mais um mês de stress térmico por ano, e 420 milhões a enfrentarem pelo menos cinco meses de stress térmico no total.

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