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Cheias no Nepal e Tibete: número de mortos sobe para 579 enquanto equipas de socorro procuram desaparecidos

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Polícias nepaleses observam máquinas escavadoras a remover os destroços das cheias súbitas no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026
Polícias nepaleses observam escavadoras a remover destroços de cheias súbitas no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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O número de mortos subiu para 579 e quase 2 mil pessoas continuam desaparecidas. Dois portugueses foram encontrados com vida, mas o MNE confirmou, entretanto, dois novos desaparecimentos. Um homem e duas mulheres portuguesas continuam em parte incerta.

As equipas de resgate continuam os trabalhos de resgate numa altura em que quase 2 mil pessoas estão dadas como desaparecidas após as cheias súbitas e deslizamentos de terras na fronteira entre o Nepal e o Tibete.

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A China chegou a suspender temporariamente as operações de resgate devido ao risco de novas inundações no Tibete. Entretanto, as operações foram retomadas e Pequim enviou duas equipas de resgate para a zona mais afetada.

Já no Nepal, o número de vítimas mortais subiu para 579. Mais de 3.700 pessoas foram resgatadas, mas 1.924 continuam desaparecidas no país.

Do lado chinês, a televisão estatal CCTV indica cinco mortos e 558 pessoas desaparecidas.

No que toca aos cidadãos com nacionalidade portuguesa, um homem foi ontem localizado com vida e bem de saúde. Esta sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que mais dois cidadãos portugueses (irmãos) foram encontrados vivos.

O MNE reportou, no entanto, dois novos desaparecimentos, contabilizando-se por isso três cidadãos nacionais desaparecidos, um do sexo masculino e duas do sexo feminino, incluindo a primeira mulher desaparecida reportada.

As autoridades nepalesas e chinesas alertaram ainda para o risco de novas inundações provocado pela formação de um novo lago a montante, na sequência da catástrofe de quarta-feira. As pessoas que permanecem nas zonas potencialmente afetadas foram aconselhadas a deslocar-se para locais mais seguros.

Especialistas alertam para risco de novas inundações

Os especialistas estão a alertar para o risco de novas inundações, depois de uma devastadora parede de água gelada e lama, semelhante a um tsunami, ter arrasado localidades sob uma torrente de detritos, engolido casas, destruído pontes e barragens e arrastado viaturas como se fossem brinquedos.

Entre os desaparecidos contam-se muitos turistas estrangeiros, incluindo caminhantes no país himalaio, além de dezenas de peregrinos hindus em direção ao sagrado Monte Kailash, no Tibete, coberto de neve.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o desastre foi provocado pelo colapso de um glaciar, que desencadeou o enorme fluxo de detritos.

As alterações climáticas estão a levar ao degelo dos glaciares em todo o mundo, aumentando os riscos de cheias de lagos glaciais e de colapsos de glaciares.

Equipas de socorro corriam para retirar sobreviventes das zonas afetadas, enquanto soldados nepaleses recorriam a cães pisteiros para procurar corpos enterrados sob a terra sufocante.

"É um imenso cemitério", declarou à agência francesa AFP Omkar Joshi, agente aduaneiro nepales de 35 anos, resgatado de uma encosta na cidade fronteiriça de Timure.

Pessoas passam junto a destroços após cheias súbitas em Devighat, no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026
Pessoas passam junto a destroços após cheias súbitas em Devighat, no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026 AP Photo

"Só restam areia e pedrinhas, ensopadas de vermelho com sangue humano".

Os indianos constituem o maior grupo de estrangeiros desaparecidos, enquanto os Estados Unidos referiram que 90 dos seus cidadãos estavam incontactáveis.

Segundo o conselho de turismo do Nepal, entre os estrangeiros com quem não há contacto contam-se cidadãos da Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, Portugal, África do Sul e Coreia do Sul.

Na China, os meios de comunicação estatais referiram que o "desastre de deslizamento de terras" no porto de Gyirong, no Tibete, matou três pessoas. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, visitou a zona esta quinta-feira para supervisionar os trabalhos de socorro, segundo a imprensa oficial.

Pessoa remove escombros entre destroços após cheias súbitas em Devighat, no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026
Pessoa remove escombros entre destroços após cheias súbitas em Devighat, no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026 AP Photo

"Tsunami interior"

O primeiro-ministro Balendra Shah, que horas após o desastre apelou à nação para "ficar unida", visitou esta quinta-feira algumas das zonas mais atingidas.

Segundo um comunicado do seu gabinete, Shah pediu às autoridades locais que "prestassem ajuda imediata às famílias deslocadas" e que reabrissem as estradas bloqueadas.

A súbita vaga de lama e detritos foi "como um tsunami interior", deslocando-se cerca de 170 quilómetros para sul, em direção ao Nepal, afirmou a historiadora ambiental Ruth Gamble, da Universidade La Trobe, na Austrália.

O líder espiritual budista Dalai Lama, que vive no exílio na Índia, declarou que iria "rezar por todos os que perderam a vida".

Responsáveis do governo chinês no Tibete mobilizaram cerca de 800 operacionais de emergência, bem como cães pisteiros e lanchas rápidas para apoiar as operações de resgate, informou a agência oficial Xinhua.

Promessas de ajuda e assistência começaram a surgir pouco depois de se conhecer a dimensão do desastre.

Colapso glaciar

O USGS indicou que o colapso glaciar provocou atividade sísmica e teve impactos "catastróficos" a jusante no Nepal e no Tibete.

"Este evento foi inicialmente comunicado como um sismo de magnitude 4,4", explicou, mas a análise dos registos sísmicos mostrou tratar-se antes de um "colapso glaciar e fluxo de detritos".

Mantêm-se os receios de novas cheias, com água retida por imensos amontoados de detritos que bloqueiam o vale.

"Com um bloqueio ainda instalado a montante, no rio da fronteira Nepal-China, as autoridades alertam para a possibilidade de ocorrer uma segunda cheia", disse Qianggong Zhang, responsável pelos riscos climáticos e ambientais no Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, sediado em Catmandu.

Destroços visíveis após cheias súbitas em Devighat, no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026
Destroços visíveis após cheias súbitas em Devighat, no distrito de Nuwakot, Nepal, 27 de agosto de 2026 AP Photo

A Divisão de Previsão de Cheias de Catmandu emitiu na quinta-feira um "aviso especial", alertando para o crescimento de um lago atrás dos detritos deixados pelo deslizamento de terras e apelando a extrema prudência.

Dezenas de devotos hindus de todo o mundo estão entre as centenas de desaparecidos na fronteira, afirmou esta quinta-feira o líder espiritual indiano Sadhguru.

Regressavam de uma peregrinação ao sagrado Monte Kailash, no lado chinês da fronteira, quando foram apanhados pelas cheias num posto de imigração.

"Todo o grupo estava lá no edifício", disse Sadhguru numa mensagem em vídeo dirigida aos milhões de seguidores, em lágrimas enquanto falava a partir do Tibete, com os gritos angustiados de outros peregrinos audíveis em fundo.

"É um acontecimento terrível e extraordinário".

Outras fontes • AFP

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