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O dia-a-dia de três migrantes à procura de uma vida melhor

O dia-a-dia de três migrantes à procura de uma vida melhor
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De  Joao Duarte FerreiraBryan Carter
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Retrato em primeira mão de uma tentativa de passar o canal da Mancha rumo a uma vida melhor no Reino Unido

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Três indivíduos numa missão. Os três encontram-se na cidade belga de Zeebrugge onde vão tentar entrar num veículo pesado rumo ao Reino Unido onde esperam começar uma nova vida.

Bilal, um argelino de 20 anos de idade, é o único que aceita ser entrevistado de cara descoberta.

A primeira etapa é encontrar um bom local de observação, com vista para o porto.

"Vejam como os guardas de segurança estão a patrulhar a área. É a polícia ou são os seguranças do porto. Patrulham as ruas para se certificarem que ninguém entra", afirma um dos três migrantes.

Poucos minutos mais tarde os três migrantes decidem arriscar. Não há sinais da polícia. É altura de correrem. Momo, de 48 anos, tem dificuldades em acompanhar os outros dois jovens.

Os veículos pesados atrás da cerca poderão ser o bilhete de entrada no Reino Unido.

Samir, de 19 anos, aponta o caminho. Ele já foi detido três vezes e receia que se acontecer de novo poderá vir a ser enviado para um centro de detenção.

A forte presença policial é um fator de dissuasão.

Mas este veículo de transporte de automóveis pode ser um bom plano B. Bilal verifica se é possível esconderem-se nestes automóveis mas estão todos devidamente trancados.

Antes desta incursão, Bilal, Samir e Momo visitaram a casa de um padre local que oferece refeições gratuitas todos os dias. Foi lá que estabelecemos contacto.

"Estou aqui porque quero chegar à Grã-Bretanha, quero trabalhar lá, porque a vida lá é boa, aqui na Europa se não temos papéis não podemos trabalhar", afirma Bilal, um dos três migrantes.

A tragédia recente que resultou na morte de 39 migrantes no reboque de um camião no Reino Unido não é suficiente para os fazer mudar de ideias.

"Para mim o perigo é ficar aqui à procura de comida. Andar com fome, comer alimentos fora de prazo. Dormimos em casas abandonadas e na rua, e o pior é que dormimos ao frio. É melhor dormir dentro de um contentor do que ficar aqui e morrer" remata um dos migrantes que recusou ser identificado

É difícil saber ao certo quantos migrantes passam por Zeebrugge. As autoridades belgas de momento recusam prestar quaisquer informações sobre esta matéria. No entanto, segundo dados do Ministério do Interior, cerca de 1800 migrantes foram detidos só este ano na cidade portuária.

Após duas semanas de tentativas falhadas, Samir decidiu desistir e regressar a França.

Bilal e Momo decidiram ficar. Amanhã regressam à luta.

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