"Estado da União": Um ano de guerra na Ucrânia, que está para continuar

Presidente dos EUA, Joe Biden, ao lado do Presidente ucraniano durante a sua visita a Kiev, esta semana
Presidente dos EUA, Joe Biden, ao lado do Presidente ucraniano durante a sua visita a Kiev, esta semana Direitos de autor AP/Ukrainian Presidential Press Office
De  Stefan GrobeIsabel Marques da Silva
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A euronews entrevistou Dara Massicot, cientista política na RAND Corporation, em Washington, e autora do ensaio "O que a Rússia não percebeu", publicado na edição de março da revista "Foreign Affairs".

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Houve grande surpresa quando Joe Biden apareceu na capital ucraniana sitiada, Kiev, esta semana, para mostrar a determinação norte-americana em ajudar a Ucrânia e levantar a moral dos defensores do país, constantemente sob fogo.

O Presidente dos EUA visitou varios locais públicos, aparentemente impassível perante as estridentes sirenes de alerta.

Mas a viagem foi, também, um desafio direto ao Presidente russo, Vladimir Putin, tendo os membros mais importantes do regime ficado, alegadamente, furiosos com Biden.

"O objetivo da Rússia era limpar a Ucrânia do mapa. A guerra de conquista de Putin está a falhar. Os militares russos perderam metade do território que em tempos ocuparam. Os jovens e talentosos russos estão a fugir do pais, às dezenas de milhares, não querendo regressar à Rússia", disse Joe Biden, num dos seus discursos.

Por seu lado, o Presidente russo não deixou dúvidas de que a guerra não deverá terminar tão cedo. Vladimir Putin prometeu, esta semana, obter equipamento mais avançado para os militares russos e reforçar o armamento nuclear do país. Também anunciou que abandonava o último tratado de controlo de armas nucleares com os Estados Unidos.

Serão estas as ações de um líder confiante? Talvez não, porque há factos que  colocam em causa a capacidade de Moscovo para combater uma guerra do século XXI. 

A euronews entrevistou Dara Massicot, cientista política na RAND Corporation, em Washington, e autora do ensaio "O que a Rússia não percebeu", publicado na edição de março da revista "Foreign Affairs".

"Há 15 anos, os militares russos iniciaram um programa de reformas e, realmente, reduziram muito o seu exército, face ao que era o antigo modelo soviético. A orientação na altura era que não seria preciso combater uma guerra terrestre em grande escala e prolongada como a que estamos a ver agora na Ucrânia", explicou a cientista.

"Desmantelaram muitas das suas unidades. Tinham problemas com o contigente de militares e não prestavam qualquer atenção ao recrutamento. E cabia, efetivamente, ao ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e ao chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Valery Gerasimov, falar desses problemas ao Kremlin antes da guerra, mas não parece que o tenham feito", acrescentou Dara Massicot.

(Veja a entrevista na íntegra em vídeo)

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